São Vicente registra evasão de professores

Segundo sindicato da categoria, insegurança e falta de estrutura fazem com que educadores procurem trabalho em outras cidades

10/11/2017 - 16:39 - Atualizado em 10/11/2017 - 17:08

Insegurança, assaltos na porta das escolas, falta de estrutura para trabalhar, salários defasados e planos de carreira que não atendem às expectativas. Nos últimos anos, professores da rede Municipal de Ensino de São Vicente têm convivido de perto com esses problemas.

Como consequência, têm sido comuns os pedidos de afastamento e exoneração da rede. Um caminho que a professora Ana Maria (nome fictício, pois pediu para não ser identificada) confirmou que deve seguir.

Com isso, em breve, a educadora passará a ser mais um número na estatística de professores que deixaram suas funções na Cidade, em busca de melhores condições de trabalho em outros municípios da região.

Segundo dados do Sindicato dos Trabalhadores no Magistério e na Educação de São Vicente (Sintramem), de janeiro a outubro deste ano, ao menos 100 profissionais deixaram a rede municipal vicentina.

Desses, 25 saíram por aposentadoria, 10 por motivo de readaptação (tiveram de deixar a sala de aula e passaram a desenvolver outras funções no Magistério) e o restante por exoneração (em geral, por pedido de demissão).

“A realidade é que os professores em São Vicente têm convivido com a insegurança, até sendo assaltados na entrada e na saída das escolas, que também são assaltadas. Para piorar, temos problemas com plano de carreira. Em alguns casos, a direção (da escola) não briga por melhorias, pois tem medo de perder o cargo. Assim, a situação de trabalho segue precária”, relata Ana Maria.

Carências

A professora fala, ainda, de problemas enfrentados dentro da sala de aula. “Sentia falta até mesmo de material de trabalho, como o de papelaria. Tínhamos de pedir para os pais comprarem. Como alguns não podiam colaborar, comprava com o meu dinheiro, pois a Prefeitura não fornecia. Hoje não sei como está, mas na época em que estava lá era assim”, revela a professora, que está afastada e deve pedir a exoneração em breve.

“Escolhi largar o trabalho em São Vicente, principalmente por uma questão de segurança. Eu gostava de dar aulas na Cidade e fico triste em pensar que vou largar a função. Na parte pedagógica, eles têm uma atenção e um planejamento muito bons. Porém, é difícil conseguir atender às expectativas, até devido ao excesso de alunos em sala de aula”, explica.

Nos primeiros 10 meses do ano, cerca de 100 profissionais deixaram a rede  (Foto: Paulo Freitas / Arquivo)

Realidade

O presidente do Sintramem, Roberto Ciccarelli Filho, confirma que os problemas enfrentados pela categoria, principalmente quanto aos salários e à estrutura nas escolas, têm provocado a migração dos professores vicentinos para outras redes municipais da região.

“Muitos estão migrando, por meio de concursos, para outras cidades, que pagam salários mais atrativos ou oferecem melhores condições de trabalho. A média salarial vicentina é de R$ 3,2 mil. A média na região é de R$ 4,5 mil. Por isso, é preciso garantir remuneração, no mínimo, equiparada à da região, para segurar o professor”, explica o sindicalista.

Ainda segundo Ciccarelli, a demanda cresceu muito nos últimos 20 anos, mas o sistema vicentino não acompanhou esse crescimento. “Existe uma defasagem de pelo menos quatro escolas na Área Continental. Por exemplo, nos últimos anos, surgiram muitos conjuntos habitacionais, mas a rede tem o mesmo número de escolas”. 

Ciccarelli diz entender a situação, “pois a Cidade ficou estagnada por quatro anos e os problemas na educação do Município se arrastam há pelo menos seis anos”. Mas faz uma ressalva: “se não houver mudanças, a situação pode seguir como está. Hoje, a estrutura não é apropriada”, afirma.

Não há previsão de concurso 

Sem contratações neste ano – as últimas foram em 2016, conforme informações da Prefeitura, quando terminou a vigência do concurso de 2012 –, São Vicente, por enquanto, não tem previsão para realizar novo certame, devido à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

“Mas, assim que for possível e a legislação permitir, será realizado. Por outro lado, temos de lembrar que em 2016 foram chamados professores, aprovados no último concurso, para o Ensino Básico 1 e 2”, diz a secretária de Educação de São Vicente, Eugênia Marcondes Leal Teixeira.

Segundo ela, atualmente, a rede conta com 2.158 professores (sendo 440 adjuntos, atuando em licenças-prêmio, faltas abonadas ou justificadas e por aposentadorias) e 237 cozinheiras (merendeiras).

Alunos

Ainda no levantamento feito pela Secretaria, incluem-se cerca de 45 mil alunos, distribuídos em 117 unidades de ensino, entre creches, escolas de Educação Infantil e Ensino Fundamental, além dos Centros de Suplência e as classes de Educação de Jovens e Adultos (EJA).

“Trabalhamos de forma equilibrada. Inclusive, quanto à estrutura, vamos entregar mais duas creches em janeiro, para atender à demanda no Rio Branco e na Gleba. Temos outras quatro em construção, sendo duas no Samaritá, uma no Parque Continental e uma na Vila Margarida”, explica a secretária de Educação, lembrando que a Prefeitura passou por dificuldades nos últimos anos. “Por isso, a atual administração não pode contratar”, diz.

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