Após acidentes e morte, buraco perto da Ponte Pênsil é fechado

Falha no asfalto só foi corrigida após A Tribuna entrar em contato com a Prefeitura de São Vicente

02/03/2018 - 10:57 - Atualizado em 02/03/2018 - 10:57

Devido à sua localização, buraco virou uma verdadeira armadilha (Foto: Assessoria de Imprensa/PMSV)

É apenas um buraco de cerca de 20 centímetros, nem tão aprofundado quanto outros que eventualmente aparecem no solo. É camuflado, como um pequeno defeito no asfalto. Bem localizado, com vista ao mar, ele passa despercebido por muita gente. Mas, quem o percebe, geralmente o vê tarde demais. Foi um desses discretos buracos que tirou a vida de Wlander Luis Matias da Silva, de 26 anos, no último dia 10.

O buraco fica na Avenida Newton Prado, perto da saída da Ponte Pênsil. A via é caminho certo de quem vem de Praia Grande ou do Japuí e, dali, só pode virar à esquerda ao sair da Ponte Pênsil, em São Vicente.

Bem em frente a um bueiro desnivelado, ele vira armadilha, pois está no meio da curva. Os motociclistas desviam da sujeira que desce do morro e, como do outro lado da via há o bueiro desnivelado, o caminho quase certo é a queda, para muitos. “Muitos, mesmo”, confirma Yasmin Machado, de 25 anos, atendente de um restaurante próximo e que vai de moto ao trabalho.

“Já aconteceu de eu ver quatro acidentes no mesmo dia e há muito tempo tem esse buraco aí. Só em fevereiro lembro de uns sete. Tinham que arrumar. O garoto morreu na madrugada e, na manhã seguinte outro caiu no mesmo lugar”, conta ela.

Um motoboy, que também trabalha próximo, considera o problema grave, “principalmente quando chove. Porque como é na curva, mesmo que você veja, não dá tempo de reagir. E como a roda da moto encaixa ali, a pessoa cai mesmo”, conta ele, lembrando de outras quedas que deixaram motoqueiros em coma. “Em um caso, a moto parou virada com as duas rodas para cima”, conta Daniel Lima, de 34 anos. 

Marcas de acidentes

Não só as pessoas contam a história, mas também as pistas pelo caminho. De três pedaços de ferro de proteção na calçada, um está torto, indicando que alguém recentemente bateu ali. Mais para frente, um poste conta a história do último acidente grave. É o do próprio Wlander, que morreu. As marcas foram deixadas lá e na mente da mãe, Ana Maria Cardoso Matias, de 55 anos.

“É a marca da moto do meu filho” lembra ela, que ainda prepara o inventário do jovem. “Ele morreu porque caiu de mal jeito, bateu o rosto no poste. Ele sempre andou de moto, desde os 18 anos, nunca sofreu acidente nenhum, era responsável. Mantinha a casa porque eu estou sem emprego”.

Segundo ela, que quer acionar a Prefeitura judicialmente, assim que a polícia terminar as investigações, o velocímetro da moto ficou travado em 20 km/h, indicando que o motociclista provavelmente não corria. A revolta é por saber que esse acidente foi fatal, mas não foi o único.

“Como nunca resolveram? E mesmo que ele estivesse mais rápido, ali nem tem como andar muito devagar, porque você é assaltado. Tiraram a base de polícia. Enquanto o socorro não chegava, roubaram o celular e a correntinha do meu menino, no chão”, diz.

A mãe está organizando mais que um pedido de providências da Prefeitura: vai fazer uma passeata. “Ninguém está ligando. O que eu puder fazer para repercutir e ninguém sofrer a dor que estou sofrendo, vou fazer, enquanto eu estiver viva. Choro toda hora, a todo minuto”.

Fechado

Depois de contatada, a Prefeitura de São Vicente foi ao local ontem para a execução do serviço de tapa-buracos no trecho. Destaca, ainda, que há um processo licitatório em andamento para pavimentar e recapear vias no Município. Serão R$ 4,8 milhões em serviços asfálticos em vários bairros. Os recursos já estão garantidos pelo Departamento de Apoio ao Desenvolvimento das Estâncias Turísticas (Dadetur), do Governo do Estado.

Histórias quase fatais

Diego de Arruda Santos, de 21 anos, auxiliar de exportação, diz ter sorte por estar vivo. Em 15 de junho de 2017, aproximadamente 22 horas, ele passou de moto pelo local.

“Quando passei no buraco perdi o controle da moto e não consegui terminar a curva. Fui levado de ambulância até o Crei (atual Hospital Municipal), fiquei cinco horas lá aguardando cirurgião e fui levado pelos meus pais, pois não suportava mais a dor. Eu estava tendo hemorragia interna pela ruptura do baço. Além disso, quebrei o punho. Fiz cirurgia e coloquei 11 pinos. Bati a perna e acabei trincando o osso. Até hoje não consigo mais correr ou fazer movimentos rápidos”, diz o jovem, que hoje não tem mais moto.

Outro que caiu ali, mas desequilibrando-se em um buraco um pouco mais à frente, é Anderson Patrício Tavares de Souza. O estudante de Direito de 26 anos sofreu acidente também por volta das 22 horas, em 7 de agosto de 2016. A família ouviu dos médicos que ele tinha 5% de chances de sobreviver.

“Nenhum carro me fechou mas está muito perigoso o local. Tive consequências como fraturas no braço, maxilar, nariz e traumatismo craniano”, lembra ele, que ficou em coma e permaneceu no hospital por 20 dias.

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