Santos dobra coleta de lixo reciclável em um ano

Caminhões recolheram, porta a porta, 6.148 toneladas do chamado lixo limpo, de julho de 2017 a junho deste ano

29/07/2018 - 13:39 - Atualizado em 29/07/2018 - 13:54

Com programa, caminhões recolheram 6.148 toneladas de lixo limpo (Foto: Divulgação)

Santos quase dobrou a quantidade de lixo reciclável pelo serviço de coleta oficial nos últimos 12 meses. Os caminhões recolheram, porta a porta, 6.148 toneladas do chamado lixo limpo, de julho de 2017 a junho deste ano, volume 92,4% maior do que as 3.195 toneladas coletadas de julho de 2016 a junho do ano passado.

O aumento coincide com a vigência do programa Recicla Santos, que passou a valer em 30 de junho do ano passado com fiscalização e multa da Prefeitura a quem não separa os materiais passíveis de reciclagem do lixo orgânico.

O número ainda representa menos de 4% do lixo orgânico gerado pelos santistas, que está na faixa de 170 mil toneladas por ano - em 2018, o balanço dos seis primeiros meses já mostra uma pequena redução na coleta de resíduos orgânicos, em torno de 5%.

O secretário de Meio Ambiente de Santos, Marcos Libório, estima que 4% sejam apenas metade do material de fato coletado e destinado à reciclagem. Isso porque Santos já tem 240 grandes geradores cadastrados pela Prefeitura, que produzem mais de 120 quilos (ou 200 litros) de resíduos por dia e, obrigatoriamente pela lei, têm seu lixo limpo coletado por duas cooperativas e 30 empresas cadastradas no Município.

A projeção, segundo Libório, é conservadora. E a meta é dobrar este índice. "Os melhores números de reciclagem estão em torno de 15% a 18% (cidades como Londrina, Curitiba, Porto Alegre). É um grande salto. Temos isso como bench marking (processo de busca pelas melhores práticas)".

Para André Vilhena, diretor da Cempre (Compromisso Empresarial para Reciclagem), números de coleta oficial desconsideram um agente fundamental para os índices nas cidades: o catador.

"Hoje o Brasil já recicla 65% de todas as embalagens colocadas no mercado e isso se deve principalmente à atuação muito intensa dos catadores".

Santos tem 250 carrinheiros cadastrados na Assistência Social e na CET. Eles estão autorizados a atuar na Cidade e o que recolhem vai para as cooperativas e é posteriormente vendido à indústria de reciclagem.

Grandes geradores

Em um ano de vigência da lei que criou o Recicla Santos, o número de estabelecimentos que se enquadraram na figura de grande gerador, e já estão adequados à legislação, é de somente um quarto do estimado pelo Município.

São supermercados, hotéis, shoppings centers, padarias gourmet e outros estabelecimentos que geram mais do que 120 quilos ou 200 litros de lixo.

A maioria deles é autodeclarado, ou seja, estabelecimentos que voluntariamente apresentaram seus planos de gerenciamento de resíduos sólidos à Secretaria de Meio Ambiente e contrataram uma das empresas ou cooperativas autorizadas a recolher seus resíduos.

A Prefeitura começou a fiscalizar, intimar e multar os grandes geradores não declarados em novembro do ano passado. Desde então, foram 216 intimações e 22 multas. Os penalizados são, em geral, do comércio varejista.

A fiscalização é feita primeiramente mediante observação e, como forma de comprovar, a partir de vistoria interna nos estabelecimentos.

Ao se concluir que o local é um grande gerador, o empresário precisa apresentar seu plano para destinação adequada dos resíduos, assinada por profissional habilitado, e passar a cumprir o estabelecido em lei.

A resistência em aderir ao programa está principalmente nas despesas resultantes da nova regra. Ao passar a essas empresas a responsabilidade de coletar, separar e destinar seus resíduos sólidos (seja orgânico, seja reciclável) a um agente terceirizado, o Recicla Santos impôs um novo custo aos estabelecimentos, que antes tinham todo seu lixo coletado pelo serviço público.

Valdez Lopes, gerente de Operações do Praiamar Shopping, contou que o maior impacto foi no descarte do orgânico. "O custo era a taxa de Darf de R$ 7 mil ao ano. Hoje nós pagamos R$ 20 mil por mês para a empresa de coleta. Em contrapartida, o lixo reciclável, que antes não gerava nenhuma receita, é abatido no meu débito do orgânico em R$ 3 mil".

A nova equação obriga o empresário a buscar alternativas de ampliar seu lixo reciclável e, consequentemente, reduzir o orgânico. "Hoje já reciclamos 25 toneladas por mês, volume maior do que a metade das 45 toneladas de orgânicos", concluiu Lopes.

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