Pinacoteca, em Santos, é opção de passeio para as férias

Local reúne, em um único passeio, arquitetura, observação de pássaros, obras de arte e gastronomia

13/01/2018 - 10:01 - Atualizado em 13/01/2018 - 10:01

Casarão guarda 62 telas de Calixto, além de objetos pessoais do artista (Foto: Vanessa Rodrigues/AT)

Em meio à selva de prédios da orla da Praia de Santos, o antigo, mas bem conservado casarão branco chama a atenção no bairro do Boqueirão. A Pinacoteca Benedicto Calixto reúne, em um único passeio, arquitetura, observação de pássaros, obras de arte e gastronomia.

Em suas salas internas, cuidadosamente decoradas, o imóvel guarda 62 telas de Benedicto Calixto. Há, ainda, objetos pessoais, como caixa de pintura e fotos, do artista nascido em Itanhaém que se dedicou a estudar e retratar a região. O acervo total da Pinacoteca, entretanto, conta com 227 telas, a maioria delas (127) é de Armando Sendin. O artista tem, ainda, 51 esculturas em cerâmica.

O local abriga, também, amplo acervo bibliográfico composto por 2.378 títulos. São publicações sobre artes plásticas, catálogos de exposições, revistas de arquitetura, Museologia, patrimônio cultural e história da Cidade. Tudo à disposição do público para consultas.

Do lado de fora, há um imenso jardim. Sentado em um dos bancos ou caminhando por ali, é possível apreciar a vista ou ler um livro. Mais recentemente, foi inaugurado o Bistrô Calixto, nos fundos do casarão. O local oferece uma série de opções gastronômicas para café da manhã, almoço ou lanche da tarde, como pratos quentes, doces e bebidas.

O casarão

No começo do século 20, famílias ricas de Santos, que moravam no Centro da Cidade, mudaram-se para a praia atrás de mais qualidade de vida. Em 1908, então, a família do alemão Anton Carl Dick construiu o casarão em um terreno de 6,6 mil metros quadrados.

Depois de servir até mesmo como asilo, o local passou por uma grande reforma e, em 1921, ganhou a aparência atual. Foram empregados elementos ornamentais em estilo art nouveau, mármore Carrara na escadaria, ferro maciço nos corrimões, vitrais no alpendre e na varanda das salas e pinturas decorativas. 

Na parte externa, destacam-se os jardins em estilo francês, com bancos, pérgolas e uma fonte decorativa na lateral direita da casa.

Até 1978, o imóvel era ocupado por uma família. No ano seguinte, depois da morte do proprietário, a Prefeitura de Santos interveio e o tornou de utilidade pública. Não houve, entretanto, consenso entre os herdeiros e o casarão chegou a virar um cortiço, onde moravam 24 famílias.

Em 1986 decidiu-se, finalmente, que no local seria instalada a Fundação Pinacoteca Benedito Calixto. Começou, então, a restauração do prédio. Em 4 de abril de 1992, aconteceu a inauguração oficial. 

Em 13 de dezembro de 2012, o casarão foi tombado pelo Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos (Condepasa) por sua importância como um dos últimos existentes na orla da época áurea do café.

Quem foi?

Benedicto Calixto de Jesus nasceu em Itanhaém, em 14 de outubro de 1853. Ele é considerado um dos expoentes da pintura no Brasil, no início do século passado, produzindo cerca de 1.700 obras (712 estão catalogadas). Ele pintou marinhas, retratos, paisagens rurais, urbanas e obras religiosas. Estas últimas lhe renderam a Comenda de São Silvestre, outorgada pelo Papa Pio XI, em 1924. 

Calixto começou a pintar aos 8 anos de idade. Aos 18, se mudou para Santos. Apesar de um começo difícil, logo se dedicou à pintura de paisagens nos tetos e paredes das mansões dos prósperos comerciantes. 

De volta a Santos, depois de morar por anos em Brotas, no interior do Estado, Calixto realizou trabalhos de entalhe e pintura na parte interna do Teatro Guarany. Sua performance lhe rendeu homenagens e uma bolsa de estudos para se aprimorar em Paris. 

De volta ao Brasil, trouxe na bagagem um equipamento fotográfico e tornou-se pioneiro, no País, na arte de pintar a partir de fotografias. O artista produziu obras importantes para o Museu do Ipiranga, na Capital, e para várias igrejas Brasil afora. Entre suas mais importantes obras estão a Fundação de Santos e o vitral do teto, ambos na Bolsa de Café.

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