Mecânico relata agressão em bar de Santos onde jovem foi espancado

Assim como no caso do universitário que está na UTI, seguranças estariam envolvidos na briga

14/07/2018 - 19:00 - Atualizado em 14/07/2018 - 19:06

Mecânico entrou na Justiça contra casa noturna por
conta de agressão (Foto: Irandy Ribas/AT)

A agressão sofrida pelo universitário Lucas Martins da Silva, de 21 anos, por seguranças do Baccará Bar & Grill, no Embaré, em Santos, na madrugada do último sábado, não se trata de um caso isolado. Um mecânico de motocicletas de 32 anos, que prefere não se identificar, afirma ter sido agredido de forma semelhante também por seguranças da casa noturna no ano passado. 

Na ocasião, a vítima sofreu cortes no supercílio direito, que lhe deixaram cicatrizes, uma lesão na garganta, que o incomoda até hoje, e uma fratura no nariz, que o obrigou a passar por um procedimento cirúrgico. 

Em entrevista ao jornal A Tribuna, o mecânico revela que não ignorou o espancamento sofrido e entrou com uma ação na Justiça contra a casa noturna. O processo está em andamento na 3ª Vara Cível de Santos e o valor indenizatório pedido pela vítima, por danos morais, é de R$ 37.480,00. 

A ocorrência

Segundo o mecânico, as agressões sofridas começaram após um dos seguranças da casa lhe acusar de ter derramado bebida em um dos equipamentos eletrônicos do espaço. 

“Foi a primeira e a única vez que estive ali. Estávamos eu e o meu irmão. Num determinado momento, o meu irmão se afastou e fiquei perto do palco. De repente apareceram uns seguranças, e um deles me aplicou uma gravata no pescoço. Eles reclamavam de ter molhado o equipamento, mas eu nem sei se de fato fiz isso. O meu irmão voltou e, sem entender nada, pediu para me soltarem. Eles voltaram a reclamar do equipamento, e o meu irmão disse que pagaríamos. Os seguranças falaram que não sabíamos quanto aquilo custava e começaram a me agredir com socos”. 

A partir daí, o mecânico não se recorda mais do que aconteceu. Ele ficou desacordado e foi retirado do bar, segundo o seu irmão, por médicos de uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). A vítima conta que só recuperou os sentidos na manhã seguinte dentro da Unidade de Pronto Atendimento (UPA), com o rosto bastante machucado. O seu irmão também sofreu algumas agressões, mas nem perto do que lhe aconteceu.

Foto mostra ferimentos feitos por seguranças em
2017, segundo vítima (Foto: Arquivo Pessoal)

A mesma briga na rua

Ao receber alta médica, a vítima compareceu ao 5º DP de Santos e registrou boletim de ocorrência. Em seguida, contratou o advogado Jonatan dos Santos Camargo e entrou com a ação na Justiça. 

O mecânico revela que não se surpreendeu com as justificativas dadas pelos representantes da casa em relação ao episódio do universitário.  “O meu advogado pediu as imagens das câmeras de monitoramento da casa para anexar ao processo, e eles também disseram que os equipamentos não haviam gravado naquele dia. E assim como no caso deste final de semana, eles também disseram no distrito que eu havia me envolvido em uma briga na rua”, fala.

A casa 

Questionado pela Reportagem sobre esse episódio, o representante jurídico do Baccará, advogado João Manoel Armôa Junior, se disse surpreso e alegou não poder tecer qualquer comentário, por não ter conhecimento do processo.

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