Imóveis fechados dominam a Rua XV de Novembro, no Centro de Santos

Aluguel alto dos imóveis e tombamento de patrimônios inibem o uso

13/01/2018 - 12:00 - Atualizado em 13/01/2018 - 14:01

Até a Praça dos Andradas, o cenário é similar ao da Rua Frei Gaspar à Augusto Severo (Fernanda Luz/AT)

Outrora o coração financeiro de Santos, a Rua XV de Novembro vive hoje à sombra do passado. No trecho de 250 metros entre as ruas Frei Gaspar e Augusto Severo, por exemplo, dos 50 imóveis ali existentes, quatro estão fechados e ao menos 23 pontos comerciais ostentam placas de aluga-se ou vende-se. 

O cenário remete às cidades fantasmas. O abandono só não é maior por conta das construções históricas, como a Bolsa do Café e a sede da Associação Comercial de Santos (ACS) – locais que ainda concentram circulação de pessoas. 

Poucos empreendimentos resistem, geralmente serviços ou sede de construtoras e de sindicatos. “Houve uma debandada. Os escritórios que mantinham a rotina e o movimento, saíram daqui”, afirma João Ricardo Souza, o responsável por um estacionamento instalado na rua.

Até mesmo as casas noturnas, que foram a esperança de trazer vida à área pelo programa Alegra Centro, de revitalização da região central, deixaram a rua. O empresário Sandro Mastellari, um dos pioneiros a investir nesse tipo de empreendimento na Rua XV, afirma que o fato da maioria dos imóveis serem tombados como patrimônio histórico prejudicou o setor. 

As casas ficaram limitadas para realizar reformas de seguranças que passaram a ser exigidas em locais de grande aglomeração de pessoas após o incêndio na Boate Kiss, que matou 242 pessoas e feriu 680 outras na cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, em 2013. O resultado da limitação foi a saída de três casas da XV de Novembro.

Mastellari cita ainda as altas cifras cobradas no aluguel dos pontos comerciais. A Reportagem apurou que a locação de imóveis no local varia de R$ 15 mil a até R$ 70 mil. Já o aluguel de uma sala comercial não sai por menos de R$ 2 mil. 

De 50 pontos, 27 estão sem uso em um
trecho de 250 metros (Foto: Fernanda Luz/AT)

Outros pontos

O corretor de imóveis João Paulo Lapenna avalia que, com esse valor, é possível se instalar em empreendimentos no Gonzaga, Boqueirão ou Aparecida, bairros dotados de infraestrutura mais avançada, como fibra ótica, e oferta abundante de transporte público.

Essas localidades, aliás, são as que mais recebem novos empreendimentos comerciais na Cidade. A explicação é simples: os novos corredores financeiros concentram maior número de potenciais clientes (o oposto do Centro de Santos).

A mudança do eixo comercial fez com que tradicionais pontos trocassem de endereço. O advogado Rubens Miranda de Carvalho é um deles. Ele deixou um imóvel antigo na Rua XV por um empreendimento comercial no Aparecida. “Mudamos porque o novo escritório fica próximo de nossas residências, diminuindo a perda de tempo no trânsito e outros custos”, explica.

Aluguel caro

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Santos (CDL Santos), Camilo Rey Andújar, reconhece que os valores de locação na Rua XV estão superdimensionados. Ele aponta esse como o principal entrave para atrair novos empreendimentos para o local. 

“Batalhamos para convencer os proprietários a reduzir o valor (do aluguel) e assim incentivar a atração de investimentos. Não nos interessa ter uma via comercial com poucas empresas, com baixa circulação de pessoas”.

Andújar acredita que o problema deve ser minimizado com a aplicação de IPTU progressivo. Essa política tributários prevê pagamentos mais elevados para imóveis fechados ou sem destinação. “Alguns donos (de pontos comerciais) preferem manter o local desocupado por esperar uma maior valorização imobiliária”, afirma.

A maior tributação para os prédios desocupados é o oposto da atual política de incentivos fiscais do programa Alegra Centro – legislação santista para incentivar a revitalização da área central da Cidade. Imóveis que têm certidão de preservação arquitetônica conseguem isenção total do IPTU. 

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