Grávidas e equipe médica gravam vídeo para incentivar o parto normal

Coreografia de grupo de Santos é inspirada no hit 'Paradinha', da cantora Anitta

18/10/2017 - 08:30 - Atualizado em 18/10/2017 - 16:01

Em uma maternidade de Santos, uma doula, enfermeiras e obstetras mudaram completamente a cena de apreensão comum durante um trabalho de parto. Elas gravaram um vídeo onde as gestantes e toda a equipe médica dançam uma paródia da música Paradinha, da cantora Anitta. O clima é de descontração, mas o objetivo é sério: chamar a atenção para a importância do parto adequado normal. 

A preocupação não é só da equipe santista. O Ministério da Saúde orienta todas as redes de saúde a dar autonomia à mulher sobre o tipo de parto que deseja ter. A recomendação é que o parto normal seja sempre a primeira e principal opção – preconizada inclusive pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que afirma atesta que o método é o mais seguro, com experiência saudável e prazerosa.

O vídeo teve a produção de um cinegrafista, que registrou a coreografia (Foto: Divulgação)

Saindo da formalidade para dizer tudo isso, as gestantes e a equipe médica santista decidiram gravar o vídeo. A ideia da paródia partiu da obstetra coordenadora do serviço de Maternidade do Hospital São Lucas e do Projeto Parto Adequado, Izilda Ferreira Pupo.

“Tudo começou por causa de um vídeo parecido, feito por enfermeiras do Sul com a música Despacito, contando os dez passos do parto que ajudam a mulher. Conversando (com toda a equipe), achamos que a gente devia produzir algo local”, conta Izilda. 

Conscientização

Segundo a médica, o importante é colocar na cabeça das pessoas que parto é uma coisa boa. “Quando (o quadro da gestante) evolui bem, o parto pode ser por via baixa (o famoso parto normal)”, lembra.

Este é, inclusive, o teor da letra da paródia. “Tudo o que precisas é sentir. Quero te mostrar como parir é fácil. Quero fazer tudo por você. Ajudar com banho e massagem forte. Num instante queres ver nascer, vamos provocar, sua vontade é nobre. Te puseram medo posso ver, mas a dor é boa e acaba quando nasce”, diz a música. 

A coreografia também é baseada no parto; o refrão é acompanhado por passos de dança que lembram os movimentos feitos pelas grávidas para aliviar as dores e auxiliar na dilatação do quadril para o nascimento do bebê. Em vez de “na paradinha-a”, canta-se “agachadinha-a-a-a”.

Adesão

Entre as participantes do vídeo está Kecya Regina Medeiros Sodré, fisioterapeuta pélvica que explica o motivo de ter entrado na dança. 

“A ideia é passar que parto normal pode ser tranquilo sim, com bastante carinho e sem muita intervenção. A dança estimula o trabalho de parto e deixa o momento gostoso”. 

Outra integrante, a doula e instrutora de yoga pré-natal, Adriana Vieira, espera que o vídeo seja ainda mais compartilhado. “Fazemos materiais educativos de partos e nem sempre o público acessa. Mas paródia todo mundo gosta. Espero que esse vídeo leve a mensagem que queremos passar: o parto normal ou natural pode ser um momento divertido, emocionante e as mulheres podem escolher onde parir, na banheira, cama, banqueta, e com quem quiserem estar nesse seu momento especial”. 

E quais os números?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza que o ideal seria que apenas 15% dos nascimentos fossem por meio de cirurgia. Na Baixada Santista, Praia Grande realizou a maioria dos partos normais. Em 2016, 36% dos nascimentos foram cesárias na Cidade, índice que caiu para 35% do início do ano até agora. 

No ranking, a segunda cidade com menos cesáreas é Guarujá, que realizou em 2016, 41% dos partos com cirurgia, com queda de 1% desde janeiro. Já Mongaguá, teve 45% de partos cesárias em 2016, e 46% neste ano _ números próximos de São Vicente, que teve o mesmo índice de 44% em 2016 e 47% nesse ano. Bertioga está parecida, com 44% de cesáreas em 2016 e 48% agora. Em Itanhaém, houve uma queda brusca: 74% dos partos foram por cirurgia em 2016 – nesse ano, o total caiu para 36%. 

Conforme a Prefeitura de Santos, 65% dos nascimentos foram por cesáreas nesse ano. Já em Cubatão, 61% dos nascimentos foram por cirurgia no ano passado, antes de a maternidade fechar. As demais prefeituras não enviaram dados até a publicação desta nota.

No Brasil, caiu 1,5 pontos percentuais o número de cesáreas em 2015, no comparativo com o ano anterior. Houve cerca de 1,3 milhão de partos normais e aproximadamente 1,6 milhão de cirurgias. Em 2016, com dados ainda preliminares do Ministério da Saúde, a tendência de estabilização se mantém. Tudo no Sistema Único de Saúde. 

Entre as beneficiárias de plano de saúde, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) explica que houve em 2016, 86.358 partos normais e 457.105 cesarianas (84%), porcentagem igual a do ano anterior. 

Para diminuir o índice a ANS criou o projeto Parto Adequado, com o objetivo de identificar modelos inovadores e viáveis de atenção ao parto e nascimento, que valorizem o parto normal e reduzam o percentual de cesarianas desnecessárias na saúde suplementar. Na Baixada Santista só o Hospital São Lucas está no projeto. São 137 hospitais em todo o País.

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