Oito mil litros de gasolina vazam de caminhão-tanque em posto de Santos

Veículo levava 23 mil litros de combustível. Moradias no entorno do estabelecimento foram evacuadas

06/07/2018 - 07:37 - Atualizado em 06/07/2018 - 15:15

Nesta manhã, espuma para evitar risco de incêndio ainda era vista no chão do posto (Foto: Carlos Nogueira/AT)

Aproximadamente 8 mil litros de gasolina vazaram de um caminhão-tanque que iria abastecer um posto de combustíveis no Macuco, em Santos, no final da noite de quinta-feira (5). No total, o veículo estava carregado com 23 mil litros do combustível.

Por conta do acidente, as moradias no entorno do estabelecimento, que fica na esquina das ruas Luís Gama com Silva Jardim, chegaram a ser evacuadas por conta do risco de explosão, que foi descartado já no final da madrugada desta sexta-feira (6).

De acordo com Daniel Onias, coordenador da Defesa Civil de Santos, "parte do combustível que vazou foi contido e recolhido. O restante atingiu as galerias pluviais do bairro". 

O dono do posto, João Lemos, disse que a ocorrência foi um "acidente". Ele afirma que, por volta das 23h desta quinta-feira (5), um caminhão levou o tanque com a carga e o estacionou no terreno lateral ao estabelecimento. Pouco tempo depois, os tripés que mantinham o tanque posicionado cederam, causando uma abertura no fundo da estrutura e sua queda. Com isso, o líquido vazou. "Os parafusos se soltaram e o fundo se abriu", alegou. 

Para evitar um acidente maior, o empresário providenciou durante a madrugada dois tanques para transferir a gasolina que ainda não havia vazado. No processo, foi possível resgatar 15 mil litros do combustível, limitando o prejuízo do posto em cerca de R$ 40 mil.

Ao mesmo tempo, o Corpo de Bombeiros, em parceria com a Defesa Civil, tomou medidas para evitar o agravamento do acidente. Foram usadas espuma e serragem para isolar o combustível que escapou e as tampas dos bueiros nas proximidades foram abertas para liberar o gás. O objetivo era evitar possíveis incêndios e explosões no local.

"Ficamos com medo"

A Tribuna On-line conversou com Mauricio Francisco dos Santos, que é morador e dono de um comércio a cerca de 50 metros do local do acidente. Segundo ele, o susto provocado pelo vazamento do combustível foi grande.

"Estávamos preparados para ir dormir quando meu filho veio correndo avisar sobre as pessoas se acumulando na rua. Em seguida veio o cheio de gasolina, muito forte, então saímos de casa, sem levar mais nada", contou. Ele afirma que viu muitos carros de bombeiros na rua e vários moradores apreensivos com o que aconteceria. O temos era um só: que o tanque explodisse.

Ele lembrou que a sensação geral era de medo. "Se aquela gasolina explode, só Deus para saber onde a gente ia parar", afirmou. Por volta das 2h30, Mauricio e sua família puderam voltar para casa, mas moradores de locais mais próximos ao posto tiveram que esperar mais. "Vi idosos sentados nas escadas em frente à minha loja até depois das 5 da manhã".

Seu desejo, agora, é que a situação seja resolvida e que o posto possa trabalhar a fim de evitar acidentes do tipo no futuro. "As pessoas combatem as consequências, mas nunca pensam em prevenção", lamentou.

Corpo de Bombeiros liberou o posto para se manter em funcionamento (Foto: Carlos Nogueira/AT)

Providências

Segundo João, o posto de combustíveis continuará funcionando, por ter sido liberado pelos bombeiros. Também afirmou que irá verificar se as câmeras de segurança do estabelecimento captaram imagens do acidente. Além disso, disse que contratará uma perícia a fim de avaliar responsabilidades pelo ocorrido, pois nunca teria passado por nenhuma situação do tipo no local. "Recebemos caminhões todos os dias aqui, há 15 anos, e nunca aconteceu nada antes", lamentou. 

A Defesa Civil, por meio de Onias, afirmou que serão tomadas as "providências administrativas cabíveis" e que o órgão vai avaliar de quem foi a responsabilidade pelo acidente: por conta de algum desnível no solo ou outro tipo de falha.

"Além do dano ambiental, houve risco às pessoas que ficaram expostas", alegou Onias. Ele reforçou que foram feitos testes de inflamabilidade que afastaram o perigo de explosão, ainda que seja possível sentir o cheiro da gasolina na área, devido à contaminação do solo. 

A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) também foi acionada e esteve no local do vazamento nesta madrugada, voltando durante a manhã desta sexta para mais análises.

O órgão informou que a multa será calculada após o término da análise técnica. A previsão é que essa avaliação seja concluída na próxima semana. 

Vazamento ocorreu no final da noite de quinta-feira, no Macuco (Foto: Divulgação)

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