Com sífilis em alta, Santos cria Comitê de Investigação e Prevenção da Transmissão da doença

Secretaria Municipal de Saúde institui comitê para debater, em reuniões periódicas, como tratar e prevenir a transmissão da doença

05/08/2017 - 10:10 - Atualizado em 05/08/2017 - 10:10

Santos tem visto as estatísticas sobre sífilis adquirida e em gestantes explodirem nos últimos três anos — entre 2014 e 2016. Houve um aumento de quase 60% nos casos adquiridos, de 466 para 738 (sem contar as grávidas). A situação é tão preocupante que a Secretaria Municipal de Saúde acaba de criar um Comitê de Investigação e Prevenção da Transmissão da enfermidade.

A portaria pela qual se autorizou a criação da comissão foi assinada pelo secretário Fábio Ferraz e publicada na edição da última terça-feira do Diário Oficial do Município. A cada 30 dias, seus membros devem se reunir para apresentar políticas públicas de enfrentamento da epidemia.

Para se ter uma ideia, no ano passado, o Ministério da Saúde registrou dois novos casos de sífilis por dia na Cidade. Neste ano, o balanço já contabiliza 340 casos. De acordo com o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), 64% deles são homens e 36%, mulheres.

Segundo a coordenadora do Programa Municipal de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), Regina Lacerda, há um relaxamento das pessoas quanto ao uso do preservativo. Na maioria das vezes, a transmissão da sífilis se dá por via de ato sexual desprotegido.

 

Evolução

A doença tem algumas fases de apresentação. Na primeira delas, chamada de primária, há manifestação de úlcera genital em homens e mulheres. “Elas podem ocorrer na boca, por causa do sexo oral, no pênis, na vagina e em torno do ânus também”, explica o infectologista Arnaldo Etzel.

Na fase secundária, aparecem manifestações na pele. “Em geral, é observada com manchas vermelhas em todo o corpo”, acrescenta o especialista, que atende na rede municipal de saúde. A fase mais tardia é a terciária, que tem manifestações bem características de comprometimento neurológico, cardíaco e até mesmo a demência. Ela é menos comum, segundo o médico.

A sífilis pode ser uma doença silenciosa: entre essas fases de manifestações mais características, ela pode ter longas fases de latência, em que o organismo sofre sérios danos sem a apresentação de nenhum sintoma mais específico. “Isso ajuda a mascarar a doença e favorece a transmissão”, comenta.

Não sexual

Além da transmissão sexual, há a vertical, que acontece quando a mãe passa a doença para a criança na gestação: é a sífilis congênita. Para as autoridades sanitárias municipais, Santos tem mantido uma quantidade alta e estável de infecções em recém-nascidos.

Foram 30 casos de sífilis congênita em 2014, 35 em 2015 e 31 em 2016. Neste ano, até terça-feira, o Sinan registrou 22 casos de crianças nascidas com sífilis. Nestas situações, há risco elevado de a criança nascer com má-formação.

Seria possível evitar esse tipo de infecção se essas mães tivessem feito acompanhamento adequado durante a gestação, com o pré-natal. 

“O problema é a população em situação de rua, que é exceção. Por protocolo, você tem que fazer os testes a cada três meses durante a gravidez e também na sala de parto. O nosso município está bem organizado. O problema são as pessoas que não chegam ao pré-natal”, analisa o infectologista.

Vertical 

Além da transmissão sexual, há a vertical, que acontece quando a mãe passa a doença para a criança na gestação: é a sífilis congênita. Para as autoridades sanitárias municipais, Santos tem mantido uma quantidade alta e estável de infecções em recém-nascidos.

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