Avó de menino atropelado com a tia em Santos pede justiça

Ela se reuniu com outros familiares e amigos na porta da delegacia onde motorista prestava depoimento

10/11/2017 - 08:31 - Atualizado em 10/11/2017 - 11:02

Familiares das vítimas cercam carro da polícia que transportava motorista do Audi (Foto: Nirley Sena/AT)

Dia, hora e local da apresentação do adolescente que atropelou uma jovem de 18 anos e o sobrinho, de 2, para prestar a sua versão foram combinados previamente entre o seu advogado e a delegada da Delegacia de Infância e Juventude (Diju) de Santos, de modo que o acusado chegasse e saísse despercebido.

Mas em época de redes sociais, a notícia da presença do motorista do Audi na delegacia especializada logo se espalhou e para a frente da unidade chegaram familiares e amigos das vítimas. O resultado disso é que o adolescente teve que sair do local de viatura.

Sob os gritos de “assassino” e “queremos justiça”, o condutor do carro foi colocado no veículo oficial, cujos vidros são escurecidos por película escura. O embarque aconteceu dentro da garagem da Diju, com um portão de grade fechado e separando a viatura do acesso ao público.

“O adolescente saiu de viatura para evitar problemas com as pessoas. Não faz sentido justiça com as próprias mãos”, afirmou a delegada Rita de Cássia. Entre o grupo que se dirigiu até a frente da Diju estava Ivone Siqueira, de 55 anos, mãe de Isabel Cristina Siqueira Rodrigues e avó do menino Enzo Henrique Siqueira Ricardo.

Isabel Cristina Siqueira Rodrigues e Enzo Henrique Siqueira Ricardo são as vítimas. Elas foram atropeladas no início da tarde de 31 de outubro na Avenida Dr. Waldemar Leão, próximo ao Túnel Rubens Ferreira Martins. O adolescente dirigia o Audi pela pista sentido Centro-praia.

“Só quero justiça, não desejo nada que não seja isso. Estamos aqui pacificamente, mobilizados. Que a justiça seja feita, apesar de a lei (Estatuto da Criança e do Adolescente) ser branda”, declarou Ivone.

Providências

A titular da Diju explicou que liberou o adolescente, após ouvi-lo, porque “nem que fosse adulto ficaria preso, por não haver flagrante”. Também não recai sobre o adolescente mandado de busca e apreensão, cuja expedição compete à Justiça, a pedido do Ministério Público (MP), no âmbito da Infância e da Juventude.

“Não depende de nós (internação do adolescente), mas ao MP e ao Juízo da Infância e da Juventude”, reforçou a delegada. Segundo ela, tais órgãos serão comunicados eletronicamente até hoje sobre tudo o que já foi apurado sobre o caso.

Redes sociais

Momentos antes de o adolescente sair da Diju em uma viatura e escoltado por policiais para ter a sua segurança preservada, os ânimos se acirraram na frente da delegacia.

Intitulando-se ligado à família do adolescente, Leandro Valença, de 37 anos, disse aos parentes das vítimas que, apesar de o episódio ter sido uma “tragédia”, os seus familiares estão recebendo ameaças pelas redes sociais. Ele ainda sugeriu que os autores das ameaças poderão ser “processados”.

Tio de Enzo, Vinicius Henrique Ricardo, de 30 anos, rebateu de imediato tais acusações. “A revolta é normal, mas não há qualquer violência. Quem passa por um luto sabe o que estou falando. Agora, esse adolescente argumentar que foi uma fatalidade revolta muito mais”.

Também compareceram à Diju os advogados Thiago Huber e Wigor Blanco do Nascimento, respectivamente, representantes das famílias de Enzo e Isabel. Eles foram tomar ciência da versão do adolescente, porque deverão ajuizar ação cível contra o pai do rapaz que dirigia o Audi.

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