Zeca quebra silêncio, dispara contra cartolas e diz que não volta ao Santos

Lateral-esquerdo falou sobre ameaças, aliciamento e agressões

09/02/2018 - 16:38 - Atualizado em 09/02/2018 - 19:37

Zeca deixou o Santos em outubro passado
(Foto: Rogério Soares/AT)

Zeca finalmente se pronunciou. Em entrevista coletiva nesta sexta-feira (9), o lateral-esquerdo disparou contra o atual mandatário do Santos, José Carlos Pares, e contra Modesto Roma Júnior, o ex-presidente do Santos, a quem acusou de tentar manipulá-lo. Nitidamente emocionado, o jogador declarou que não retorna ao Peixe.

"Voltar ao Santos, não cabe mais. Não volto mais por tudo que aconteceu", sentenciou o jogador, dizendo ainda que "o Santos é instituição muito grande, mas as pessoas que trabalham em volta dele estragam a grandeza".

Ele também afirmou que não queria que sua passagem pelo Alvinegro terminasse por meio de um imbróglio jurídico. "Não queria que terminasse assim. Mas eles tomaram atitudes que acharam certas e acabou desse jeito", falou, referindo-se a dirigentes santistas.

O atleta disse ainda ser grato ao Santos, que o revelou para o futebol.

Motivação

Zeca disse que não recorreu aos tribunais só para receber os valores que o clube lhe deve. A decisão, segundo ele, se deu por conta de uma série de episódios, que resultaram em agressões e ameaça de morte sofrida por sua mãe.

"Não é o dinheiro que me faz (entrar em litígio com o Santos). Antes do jogo com o Sport (1 a 1, em 19 de outubro), fui treinar. Eu postei na noite anterior (emojis que indicavam que a torcida deveria calar a boca), e os torcedores entenderam de maneira errada. Quando cheguei no CT, um dirigente do Santos me chamou, dizendo que eu não iria jogar contra o sport. Fiquei transtornado, porque não fiz nada. Tudo começou ali. Fui para casa chateado, com companheiros ligando, dizendo que não viajariam se não estivesse no grupo. Então, o presidente (Modesto) ligou e falou para eu voltar, que eu iria jogar", afirmou, acusando, logo na sequência, a diretoria antiga de não o proteger na volta de Pernambuco.

"Fui pro jogo e, voltando, chegamos no aeroporto. Tinha possibilidade de o presidente colocar ônibus no aeroporto, para não passarmos no meio da torcida.  Ele decidiu (que deveríamos) passar no meio da torcida — tinha 30 ou 40 torcedores. Fui agredido", afirmou.

Zeca afirmou que já estava mexido com a situação e que tudo ficou mais difícil na sequência. "No outro dia, fui na casa da minha mãe, que estava chorando. Ela tem problema psicológico (Zeca chora neste ponto) e a ameaçaram de morte. Ela tem problema, toma remédio controlado, mas já estava sem tomar remédio ha três dias. Estava desesperada. Ela não queria ficar em Santos, e eu também não queria", ressaltou Zeca, dizendo depois que, entre os problemas enfrentados pela mãe, está depressão pós-parto que não havia sido tratada.

Manipulação

O lateral-esquerdo passou a atacar a diretoria anterior. "Estava com salário atrasado, luvas. Outras coisas aconteceram ali dentro. Os caras foram muito covardes comigo. Tentaram me manipular, indicando empresários. Foi a pessoa superior do Santo (fala de Modesto). Se eu gostasse de dinheiro, traia a OTB (empresa que o agencia) e assinava com a pessoa que mandava lá praticamente", falou. O ala não citou o nome desta "pessoa", mas, pela descrição, trata-se de Luiz Taveira, empresário que tinha grande influência na antiga gestão.

Procurado, o agente disse que Zeca assinou um documento, que o autorizava a vender o ala. Por ter este documento, Taveira acredita que não há necessidade de se defender da fala do lateral.

Mentiras

Zeca, por fim, tanto Modesto quanto Peres disseram mentiras sobre sua saída. "Ele (Modesto) usou muita coisas na internet que não eram verdades. O presidente de agora também fala mentiras alheiras. O papel dele não seria esse, se quisesse algo. Tinha que ligar para meu empresário e saber o que foi", declarou, sem revelar quais seriam as tais inverdades proferidas pelos dois citados.

O caso

No fim de outubro, Zeca entrou na Justiça, a fim de quebrar seu vínculo. Em dezembro, a Justiça do trabalho atendeu seu pedido, e o vínculo foi rompido. O Santos vem recorrendo da decisão, que terá uma definição em abril, quando ocorre a audiência do caso.

Apesar de estar livre, o ala segue sem clube. Ele negociou com o Flamengo, que desistiu do acordo por causa do imbróglio que envolve atleta e Peixe.

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