Suposta fraude de sócios e polêmicas dominam debate

Mais uma vez, projetos ficaram em segundo plano no encontro

08/12/2017 - 00:00 - Atualizado em 08/12/2017 - 00:16

 

Candidatos também expuseram algumas propostas
(Foto: Fernanda Luz/A Tribuna)

Os candidatos à presidência do Santos Futebol Clube participaram, nesta quinta-feira (7), na Santa Cecília TV, do segundo debate desta eleição. Assim como no primeiro encontro, houve muita polêmica. O tema mais abordado foi a suposta fraude na adesão de sócios no fim do ano passado, data-limite para que novos associados pudessem votar no pleito deste ano, que ocorre neste sábado, a partir das 10 horas.

Nas considerações iniciais, o presidente Modesto Roma Júnior, da chapa Santos Gigante, e José Carlos Peres, da Somos Todos Santos, pregaram discussão de propostas e respeito. Mas, ao tomar a palavra, Andres Rueda, da Santástica União, lembrou das inscrições de sócios feitas nos últimos meses de 2016. A oposição pediu ao GAECO que investigue o caso, que beneficiaria a situação.

"Estou triste. Estranho, em clube como Santos, campanha política com ameaças, suspeitas de corrupção nos quadros associativos, empresários envolvidos em todos os sentidos. O clube não merece isso. Temos que discutir programas, mas também apurar o que estão fazendo com o clube. É uma vergonha", disse Rueda.

Nabil Khaznadar, da O Santos que Queremos, foi na mesma linha. "Existe um fato lamentável: os últimos acontecimentos dos sócios colocados dentro dos Santos. Além disso, sendo pago por funcionários do clube. É crime organizado".

O assunto, de certa forma, voltou quando os candidatos passaram a responder perguntas. Modesto foi questionado sobre possíveis mudanças no Estatuto Social. Neste ponto, lembrou que a gestão de Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro mudou o prazo mínimo para que um novo associado vote — de três anos, foi para um ano. Segundo ele, quando esta alteração foi aprovada, Orlando Rollo, o vice de Peres, era vice-presidente do Conselho Deliberativo.

"O Estatuto tem pontos de modernidade e anacrônicos. Um dos anacrônicos é esse, que os candidatos da oposição falam que é um ano para poder votar no Santos. Na gestão do Marcelo (Teixeira), eram três anos. Quando assumiu a nova gestão, mudou para um ano. Lembram? O Rollo era vice-presidente do Conselho. Mudou-se para um ano. Não fomos nós que mudamos. Foi antiga gestão Luis Álvaro e Odílio Rodrigues. Tem que mudar algumas coisas. Tentamos mudar o Estatuto, mas com o Conselho dividido como estava, interesses pessoais e grupais não permitiram", falou o candidato que busca a reeleição.

A partir daí, o clima ficou mais tranquilo. Nabil, por exemplo, disse que pretende levar jogos para o interior de São Paulo no Campeonato Paulista. "Além de Vila e Pacaembu, vamos jogar em Mogi (Mirim), Limeira, Piracicaba. Santos tem que ir atrás do torcedor. No Brasileiro (e Copa do Brasil), vamos usar mais Pacaembu e Vila. Também vamos fazer jogos fora do estado, tanto no norte do Paraná, em Curitiba, Goiânia...".

Peres, por sua vez, explanou sobre o CT Meninos da Vila. "A prioridade é fazer um centro de treinamento de primeiro mundo, para que tenha alojamento centralizado, com oito campos, piscina, escola e escola de inglês. Isso através de financiamento ou parceria com algum investidor".

Rueda falou sobre mudanças na relação do clube com as franquias. "Vi na internet uma escolinha com o nome do Santos com peneira para clube rival. Escolinha é tentáculo do clube para captar jogadores. Mas o processo não está claro. (É preciso criar) regras de desenvolvimento. Escolinha tem que dar sequência na parte técnica, tática e física. Ter plano de metas, jogadores para serem avaliados. Temos que aproveitar ídolos. Além de reativar futebol master, fazê-los participar das escolas".

Sócios em debate

Em dado momento, os candidatos a vice-presidente questionavam um ao outro. O tema "boom de sócios" voltou a ser discutido. 

Fábio Pierry, vice de Nabil, pediu que o vice-presidente do Peixe, Cesar Conforti, falasse sobre o tema. A resposta foi a seguinte: "Inscrições são obedecidas de acordo com solicitações previamente estabelecidas pelo Conselho. É coisa que vemos no mundo do futebol a busca pelo sócio. Nós estamos querendo aumentar quadro. (Então, surgem) essas falácias de que estamos fazendo algum tipo de irregularidade? É inaceitável".

Pierry seguiu no ataque. "Em momento algum, fizemos acusação. Procuramos o Ministério Público, através do GAECO, para que provas que a imprensa revelou sejam investigadas. (Segundo matéria da ESPN) Flávio Pires, funcionário do Santos, bancou R$ 3,1 mi em mensalidades (para outros associados) em janeiro. É normal, na gestão de vocês, bancar mensalidade de associados?".

A atual gestão seguiu sendo bombardeada. Orlando Rollo, vice de Peres, declarou que "se essa gestão ficar, o Santos entrará em colapso financeiro".

Ao falar de futebol, Rollo também criticou a forma como Modesto tomou decisões. "Comitê de Gestão tem que definir contratações, e o presidente, que acatar. Eu soube que quando o senhor (aponta para José Renato Quaresma, o vice de Rueda) fez parte do Comitê, debatiam, e o presidente e o vice não acatavam nada. As ações eram diferentes", disse, disparando novamente na sequência. "Modesto administra o clube como fez com empresa dele, que faliu. Ele cumpre ordens de um ex-presidente (refere-se a Marcelo Teixeira), que o colocou lá e não está satisfeito com ele. Ninguém mais está satisfeito com ele".

Contra-ataque e mais polêmica

Os presidenciáveis voltaram às bancadas. Peres, logo de cara, lembrou que o número de sócios é de 25 mil, enquanto rivais chegam a 100 mil. Ao abordar o tema, Modesto cutucou Fábio Pierry, da O Santos que Queremos. "Entraram dois mil sócios no final do ano (passado), mas esse ano entraram 8 mil, que não voltam, tá?".

Modesto falou também sobre o cadastro de sócios. E então, mencionou os sócios-fantasmas que surgiram pouco antes da eleição passada, quando apareceram carteirinhas com nomes como Al Capone. O atual presidente disse que a fraude de 2014 foi criação de Rollo, que era oposicionista na época.

Na sequência, o candidato da Santos Gigante mirou em Fernando Silva e João Vicente Gazolla, integrantes da chapa de Rueda. Ambos faziam parte da gestão de Luis Álvaro, e Modesto lembrou disso, ressaltando inclusive que um deles fez parte do episódio da carta que liberou o estafe de Neymar para negociar com o Barcelona em 2011, antes do Mundial de Clubes — os catalães, que já tinham acertado detalhes da transferência de Neymar, sacramentada em 2013, venceram os santistas na final por 4 a 0.

Após questionamentos sobre a atuação dos dois no futebol do clube, Rueda os defendeu, criticando decisões do atual mandatário. "Entender de futebol é fazer acordo verbal com jogador (Modesto vez um acordo deste com Robinho em 2015)? O sub-23, tem goleiro de 31 anos. Não quero entender isso. O que o senhor entende de futebol é podre. Chega de empresários, interesses obscuros acima do clube".

Modesto contra-atacou. "Não renego meus apoios. O Marcelo (Teixeira) está comigo. Sempre esteve. Estamos sempre juntos. Não venha com história que você é novo. Novo que traz velho, piores vícios de gestões anteriores".

Rueda não deixou por menos. "Você tem diretor financeiro que ganha mais de R$ 110 mil, gerente de marketing que não fala inglês. Nossa chapa não tem troca de cargos".

Mais adiante, Nabil explanou mais uma vez sobre o número de sócios. Segundo ele, Modesto assumiu o clube com 56 mil associados e teria hoje "20 e tantos mil". Ao falar da queda, o candidato à reeleição cutucou seus antecessores. "De maio a setembro, entraram 7 mil, e mais mil em outubro. A mágica chama-se gestão. O Luis Álvaro colocou 12 mil sócios na gestão. O Marcelo, muito mais do que isso. É gestão, que seu ex-presidente não tinha. Por isso caiu número de sócios".

Já próximo ao final do debate, Rueda, que costuma dizer que há candidato sendo financiado por empresários de futebol, questionava Peres sobre sua visão a respeito do Comitê de Gestão. Ao longo de sua explanação, o presidenciável da Somos Todos Santos, disse que não recebia dinheiro de qualquer agente. Então, em sua tréplica, o concorrente pela Santástica União disse: "A carapuça serviu. Não era dirigido (para você, Peres)". Nos bastidores e nas redes sociais, há quem diga que Peres tem ligação com um empresário do ABC Paulista, fato negado veementemente durante toda a campanha.

Detalhes

A eleição, como já foi citado, ocorre neste sábado, a partir das 10 horas. Os locais de votação são o ginásio da Vila Belmiro e a Federação Paulista de Futebol (FPF). Para votar, os eleitores precisam ter em mãos a carteira de associado e um documento de identificação.

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