Paixão impressa nos muros do CT Rei Pelé

Devoção da torcida e ídolos eternos do Santos compõem nova obra de Paulo Consentino, que faz campanha de financiamento coletivo

20/03/2017 - 17:26 - Atualizado em 20/03/2017 - 17:57

Paulo Consentino lançou campanha de financiamento coletivo para repintar o muro do CT Rei Pelé (Foto: Irandy Ribas/A Tribuna) 

A história do Santos Futebol Clube vai ser recontada no muro do CT Rei Pelé a partir dos traços do artista plástico Paulo Consentino. O trabalho, que começou esta semana e não tem prazo para terminar, pois depende de financiamento, vai substituir a obra inaugurada em 2012, para celebrar o centenário do clube. 

“O muro virou uma referência, não só pelo tamanho da pintura, mas porque é uma arte que conta a história do clube, da nossa cidade, da minha vida”, diz o artista, santista fanático e filho de Ítalo Consentino, médico do Santos de 1960 a 1974. 

Os laços alvinegros, aliás, fazem parte do DNA da obra, pois envolvem a esposa de Paulo e produtora, Simone Tavares de Santana, filha do ex-volante Clodoaldo; Marcelo Macia, neto do ex-atacante Pepe, que cuida das redes sociais e divulgação do projeto, e o artista-assistente Robert, filho de um funcionário do Santos.

O trabalho de restauração também inclui mais três artistas-assistentes, uma produtora-assistente, assessor de imprensa e funcionários do clube, que fazem o trabalho de manutenção do muro.Para bancar esse time e os custos com o material usado na concepção e execução do projeto, o casal Consentino batalha em várias frentes. Sem ajuda financeira do clube, eles contam com o patrocínio da Tintas Coral e com uma campanha de crowdfunding na internet. 

Catarse.me/murodosantos

Batizada de “Muro do Santos, 105 anos de futebol arte”, a campanha foi lançada no Catarse, plataforma de financiamento coletivo, no endereço www.catarse.me/murodosantos. As doações, a partir de R$ 20,00, atingiram, até ontem à noite, 15% da meta de R$ 60 mil, valor para dar o pontapé inicial da primeira fase do projeto. 

“Com este valor poderemos fazer a parte da frente do muro, na avenida Waldemar Leão. Vamos mostrar a comemoração da torcida no tri da Libertadores e retratar pelo menos 11 atletas”, conta Consentino. 

O critério para a escolha foi sugerido pela diretoria santista, que quer, nesta fase inicial, homenagear ex-atletas que já encerraram a carreira. A meta é não despertar a ira de torcedores mal-educados, que já picharam retratos de ex-ídolos do clube ainda em atividade, como Ganso e Robinho. 

“Eu entendo a manifestação, mas acho que é inócua, porque o atleta não se sente agredido. Quem é agredido é a gente, que tá aqui trabalhando. Pra mim, todo jogador que se destacou tem que ser representado, mas o Santos entende que esse muro da frente é o cartão de visita”, relata o artista. 

Vamo, vamo Chape

O trabalho de Paulo Consentino no muro do CT Rei Pelé, que ele considera a sua maior obra, repercutiu mundo afora. E lhe rendeu muitos convites e uma agenda cheia, que ele administra entre o Brasil e a Europa, já que atualmente mora em Barcelona, na Espanha. “Ele recebeu um convite da Fundação Johan Cruyff e em abril vai pintar um mural na fachada do prédio de cinco andares da fundação, em Amsterdã (Holanda)”, diz a esposa. 

Consentino também tem outro trabalho ligado ao futebol para ser executado em Berlim, na Alemanha. E revelou para A Tribuna um projeto que está desenvolvendo para outro clube brasileiro. “É o segundo clube de todo mundo hoje no Brasil. Fui convidado pela Chapecoense para fazer um tributo à campanha do ano passado, na Arena Condá. Ainda não consegui montar o projeto, porque estou focado no Santos”. 

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