Modesto avisa que não voltará a presidir o Santos

Derrotado nas urnas por José Carlos Peres, dirigente defende sua administração, mas diz que "a fila anda"

31/12/2017 - 09:00 - Atualizado em 31/12/2017 - 10:57

Modesto diz voltará à vida de torcedor do Santos
(Foto: Alberto Marques/A Tribuna)

A saída de Modesto Roma Júnior da presidência do Santos, após perder a chance de reeleição para José Carlos Peres, é definitiva. Durante seus últimos dias à frente do Alvinegro, ele garantiu que não tem intenção de tentar novamente ser mandatário do clube.

“Não (voltaria a ser presidente do Santos). Tudo tem seu tempo. Eu contribuí o que poderia contribuir e cumpri o ciclo. Acho que a fila anda”, afirma Modesto, aparentemente sem se interessar por outro cargo. Tanto que não aceitou o convite de Peres para integrar o Comitê de Gestão.

“O momento é da gestão dele. Sempre fui contra o Comitê de Gestão. E o Comitê tem que ter sinergia com o presidente. Não adianta eu vir com as minhas ideias gerir o clube. Se fosse um Conselho de Administração, a gente até podia pensar. Mas em um Comitê de Gestão não tem cabimento. Não dá para um (carrinho de) rolemã ter as esferas quadradas. Senão emperra”, explica Modesto.

A saúde do presidente é que andou engasgada em dezembro. Modesto chegou a ficar de cama em função de forte gripe, sentida quatro dias antes do pleito e despertada de vez após. “Fiquei segurando enquanto deu. Lógico que, depois, tem todo um relaxamento, a gente baixa a guarda”, lembra. “Melhorou quando passou para mim”, emendou a mulher Sílvia, em tom bem-humorado.

Visões do sócio

Embora naturalmente decepcionado com o resultado das urnas, pelo que considerou um “trabalho de boca de urna muito bem feito” da chapa de José Carlos Peres, Modesto não se considera um injustiçado. Ele acredita em visões diferentes por partes dos associados a respeito do Alvinegro e que se encontraram da pior forma na hora do voto.

“O sócio com mais tempo olha o clube como um todo. O sócio mais novo vê o time como um time. E aí o não reconhecimento do time faz com que uma visão contagie a outra”, comenta o mandatário. “Quando a gente assumiu, tinha a imagem de que o Santos iria para a segunda divisão, além de meses de folhas de pagamento atrasadas. Não só não foi como teve um desempenho muito bom no futebol”.

Modesto refere-se ao bi paulista (2015 e 2016), ao vice da Copa do Brasil (2015) e aos dois segundos lugares no Brasileirão (2016 e 2017 – este último, na verdade, empatado com o Palmeiras que, pelos critérios, foi o real vice). “Voltamos para a Libertadores e nos classificamos novamente. Lembra do ‘Libertadores é obrigação’? A obrigação está cumprida. E na frente de muita gente que investiu muito mais”, lembra, fazendo nitidamente menção ao próprio Palmeiras.

Torcedor

O momento, de acordo com Modesto, é de recuperação dos três anos de mandato. “Neste mês de dezembro já estava descansando, em janeiro também irei descansar e em fevereiro vamos ver. Não há necessidade ainda de se fazer planos mais longos. Não tenho roteiro. O único roteiro é passar o fim de ano em Campos do Jordão. Não ia há quatro anos”, conta.

Uma certeza é de que o agora ex-presidente irá voltar à vida de torcedor, acompanhando o cotidiano do clube. “Vou assistir aos jogos na minha cadeira e torcer normalmente. Vou levar minha vida como antes. Não nasci presidente do Santos, não tenho amarras que me prendam e nem vou sumir. Muito pelo contrário. Continuo minha vida de santista”, explica. Mas longe, para sempre, da cadeira de mandatário no segundo andar da Vila Belmiro.

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