Ex-membros do CG do Santos justificam saídas com irregularidades de Peres

Casos como a contratação do equatoriano Jackson Porozo foram citados

14/08/2018 - 23:30 - Atualizado em 14/08/2018 - 23:53

Andres Rueda falou até da troca entre Zeca e Sasha
(Foto: Fernanda Luz/AT)

Pressionado pela má fase do Santos dentro de campo, o presidente José Carlos Peres também enfrenta dificuldades nos bastidores. A reunião de ontem do Conselho Deliberativo demonstrou que  o dirigente, que enfrenta o terceiro pedido de impeachment, vai continuar encarando turbulências, ainda que consiga se livrar do impedimento.

Ex-integrantes do Comitê de Gestão (CG), Andres Rueda e Urubatan Helou revelaram por que decidiram deixar o órgão que compunham juntamente com Peres, o vice Orlando Rollo e mais cinco participantes – Hanei Issai foi mais um a abandonar o posto, na terça-feira. 

“Fiquei frustrado em participar duas vezes do CG e ter que sair em seis ou sete meses”, disse Rueda, que também integrou e deixou o órgão na gestão de Modesto Roma Júnior. “Nosso problema é um só: nosso estatuto pede uma coisa e não se faz isso quando não interesse. Quando é abobrinha, sim”.

Entre os casos que desagradaram Rueda está a contratação do equatoriano Jackson Porozo para o time sub-20. O caso foi apontado como de “conflito de interesses” pela Comissão Fiscal (CF), uma vez que previa repasse de ganhos a uma empresa ligada a um dirigente que à época trabalhava no Santos.

“Levaram ao CG proposta de aquisição de 100% por US$ 350 mil. Para o nosso espanto, o relatório da CF mostra que aprovamos 350 mil euros por 50%. Foi motivo de reunião, comentei que erramos e corrigiríamos. Nós, do CG, chegamos no Peres e dissemos que não foi aprovado e que tem erro. No português claro, impossível errar com CNPJ, nome, empresa. Haja erro. Ou é erro ou é tentativa de roubo”, comentou.

“No caso dos amistosos no México, foi colocado pelo presidente que seriam US$ 100 mil por jogo, e não recebemos nada”, reclamou ele, citando outro dissabor em relação aos jogos contra Monterrey e Querétaro. “Peres colocou para falarmos  quem queria chefiar. Zé Carlos falou que gostaria de ir. CG vota e Zé Carlos de acordo. Peres entra e fala que quem vai é o Pedro Doria. ‘Pera aí, você está de brincadeira? Pergunta quem quer ir, votamos e fala que não? Votação unânime!’. Ele falou que veta e quem vai é o Pedro? É idiotice, mas é para vocês sentirem”. 

Rueda, que disputou a última eleição presidencial, também reprovou a forma como a troca Zeca/Eduardo Sasha, entre Santos e Internacional, foi feita. “Foi levado ao CG 50% para lá e cá, sem comissão, só temos que comprar parte do empresário. Compensava, era barato... Vimos na CF e ninguém aprovou 1,5 milhão de luva e 1 milhão e pouco para empresário. Não foi uma decisão colegiada, que é o que prega o estatuto”, argumentou o ex-dirigente, acrescentando que a contratação de Ricardo Gomes para comandar o futebol não foi votada pelo CG.

Urubatan Helou reclamou que os horários para início das reuniões do Comitê de Gestão não eram respeitados.  E também apontou falta de organização. “Na primeira reunião tivemos pauta, e depois não mais. Era aleatória, pinçando assuntos. E quando vai pinçando assuntos, são pautas e debates intermináveis. Saneamento na folha de pagamento? 600 funcionários! Ok! Traga toda a relação de pessoal, de PJ, prestadores de serviço... Estou esperando até hoje a relação. Nunca aparece. Demitimos 180, 200, e continuamos com as mesmas 600. Não sei quem foi demitido e admitido. É papel de rainha da Inglaterra! As coisas não davam liga”.

Helou ainda protestou contra o que considera “papel de centralização e apego ao poder muito forte”. 

Em nota, José Carlos Peres declarou que “como presidente do Santos, agradeço o tempo que todos se dispuseram a participar do CG durante este período. Tenho certeza que outros chegarão para contribuir com o clube. Temos um modelo de gestão único, com uma entidade inexistente em qualquer grande clube da Série A, ou mesmo paralelo em clubes bem sucedidos na Europa. Entendo ser fundamental a discussão, detalhamento e revisão do papel do CG em estatuto para que tal órgão não seja fonte de paralisia ou jogo político, como o é infelizmente hoje”.

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