Ex-médico do Santos revela insatisfação com demissão

Em entrevista exclusiva, Rodrigo Zogaib conta os bastidores da limpa no Departamento Médico

12/03/2018 - 16:40 - Atualizado em 12/03/2018 - 19:59

Rodrigo Zogaib era o coordenador do departamento médico do Santos
(Foto: Divulgação/Santos FC)

Quatro dias após serem demitidos do Santos sem explicações, os três médicos (Rodrigo Zogaib, Maurício Zenaide e Ricardo Nobre) que trabalhavam com o elenco principal resolveram mostrar insatisfação. Segundo eles, o presidente do clube, José Carlos Peres, teve uma mudança de comportamento de uma hora para outra. 

Em entrevista exclusiva para A Tribuna On-line, Rodrigo Zogaib, que chefiava o Departamento Médico (DM) e era funcionário do Santos há 23 anos, diz que ele e o presidente tratavam da reestruturação do setor quando foi surpreendido com a própria demissão.

“Quinze dias atrás, eu conversei com o presidente e ele me pediu ajuda para uma reestruturação. O que fazer no departamento de saúde. Ele pegou a lista com todos os funcionários, com salário, para eu dar minha opinião de como deve funcionar”, revela Zogaib.

Depois disso, afirma o médico, começaram a “pipocar” notícias na imprensa que o surpreenderam. Zogaib, então, tentou contato com Peres.

“Fomos na Vila, chegando lá, além dele não nos atender, nos mandou para a sala de reunião e chegou o pessoal do RH com a demissão para a gente assinar. Não entendemos nada”, diz ele, deixando claro, entretanto que demitir é um direito de qualquer empregador.

Além deles, os fisioterapeutas Tom Pierin e Diego Guietti, e a psicóloga Juliane Fechio também foram desligados do clube. Em entrevista para A Tribuna On-line, na semana passada, os dois primeiros disseram que desconhecem o motivo. 

Bruno Henrique

O médico afirma, ainda, que, como chefe do DM, vinha acompanhando a situação do atacante Bruno Henrique, embora não seja a especialidade dele. Há três semanas, o presidente Peres também pediu para ficar mais a par do assunto.

“A gente estava pensando em alternativas e ele (Peres) queria entender tudo. Eu expliquei tudo e ele opinou em algumas coisas, pediu algumas coisas que foram feitas”. 

Zogaib descartou haver demora no retorno do atacante, que teve uma lesão na retina em 17 de janeiro, na partida de estreia do Paulistão, em Lins.

“Não tem a ver com demora, porque não tem demora. Se ele tivesse um descolamento de retina, que é a lesão mais comum, ele ficaria seis meses para voltar. Ele está há dois”, se defende, Zogaib.

Bruno Henrique será, agora, levado, para um centro especializado em oftamologia nos Estados Unidos por sugestão de José Carlos Peres. “Eu não acho errado uma outra opinião”, avalia Zogaib. 

“Para os Estados Unidos, para a França, para a China todos os países têm centros de especialidade bons, como o Brasil tem também. O Brasil tem centros muito bons”, diz o médico.

Segundo ele, todos foram consultados pelo oftamologista Celso Afonso, que tratou do jogador e já o liberou para voltar aos campos, como adiantou A Tribuna.

“Algumas avaliações foram acompanhadas por ele (Peres). Ele foi no médico com o Bruno em um médico que ele indicou”, concluiu Zogaib.

Confira a nota na íntegra:

Na última semana, os médicos Rodrigo Zogaib, Mauricio Zenaide e Ricardo Nobre acompanharam pela imprensa os seus nomes envolvidos em questões delicadas, de ordem técnica e fazendo referência à competência de seu trabalho no Santos FC.

Os três são médicos especialistas em Ortopedia e Traumatologia, e subespecialidades, como Medicina do esporte, Cirurgia do joelho, entre outras, e também são membros titulares das respectivas sociedades, formados nas melhores universidades do país, de caráter ilibado na área médica e fora dela.

Trabalharam por oito anos seguidos juntos, no Departamento Médico do Futebol Profissional do Santos FC, efetuando todos os jogos do elenco, em todos os campeonatos, cobrindo todos os treinamentos, sempre em total harmonia, respeito e com decisões conjuntas.

Avaliaram e efetuaram relatórios sobre todos os atletas contratados, aprovando, reprovando ou aprovando com restrições, assim como assinaram como responsáveis os contratos de todos atletas, tendo destes procedimentos os documentos registrados.

Cuidaram clínica e cirurgicamente de todos os jogadores e, quando não, escolheram e indicaram o que há de melhor para cada caso, sempre acompanhando de perto e dividindo responsabilidades, informando diariamente os membros da comissão técnica e diretoria que dependem da informação e da evolução dos casos sem, no entanto, extrapolar informações médicas e particulares de atletas para a mídia, de acordo com o código de ética médica e responsabilidade profissional.

Esclarecem que:

Sempre as escalas de trabalho, seja nos treinos ou em jogos, foi dividida igualmente e conscientemente, em plena harmonia entre os três.

Em relação ao caso do atleta no qual a imprensa noticiou a insatisfação do atual mandatário do Clube, o mesmo foi, desde o início, acompanhado da melhor forma possível, com os melhores profissionais da área, e todas as consultas (mais de 20) exames e avaliações com outros profissionais, documentadas adequadamente. Tal evolução foi informada regularmente para seus superiores, incluindo o presidente.

O DM do futebol profissional sempre deu apoio total ao DM amador, recebeu todos os casos de indicação cirúrgica dando prosseguimento aos mesmos, fez muitas avaliações,reabilitações e mantinha um dos médicos do amador como “supervisor” para trazer eventuais problemas e levar soluções, e assim permaneceu em todos estes anos de vitórias, títulos e sucesso de ambos os departamentos.

Agradecemos a todos os funcionários e ex-dirigentes do Clube, que nos atenderam sempre que solicitamos, conviveram conosco com muito respeito recíproco, educação e profissionalismo, durante os 23 anos de clube do Dr. Zogaib e os 8 anos do Dr. Zenaide e Dr. Ricardo.

Veja Mais