Decidido, Rodrygo quer virar titular do Santos em 2018

Promessa da base do Peixe sonha com a afirmação no ano que vem

07/12/2017 - 10:06 - Atualizado em 07/12/2017 - 10:13

Rodrygo (esq.) e seu pai participaram de jogo beneficente na Vila (Foto: Fernanda Luz/AT)

O nome mais comentado da base do Santos, nos últimos anos, é o de Rodrygo, garoto de 16 anos que subiu aos profissionais em novembro a pedido de Elano. Embora novo e “engatinhando” na equipe principal, o garoto esbanja personalidade não só ao considerar desnecessárias as comparações com Neymar, mas ao traçar metas para 2018. Ele quer ser titular.

“Eu pretendo jogar o maior número de jogos possível. Dia 9 de janeiro, faço 17 anos. Por mais que eu seja muito novo, quero jogar. Quero, se possível, começar de titular”, afirma.

O menino da Vila também diz que vai fazer “o que o professor pedir”. Isso engloba, claro, a posição em que será utilizado. De antemão, ele revela em que parte do campo se sente mais à vontade. “Prefiro atuar pela ponta esquerda”, declara. “Sou de velocidade e drible, com boa finalização também”. Assim como Bruno Henrique, titular absoluto.

As características e a ascensão meteórica, com direito a contrato com a Nike desde os 11 anos e o interesse de clubes europeus, atraíram olhares e criaram a fama de “novo Neymar”. De fato, o atacante do Paris Saint-Germain e da Seleção é ídolo e inspiração de Rodrygo. Tais comparações, no entanto, incomodam o garoto.

“É uma pressão desnecessária. Falar ‘novo Neymar’ e esperar que eu faça tudo o que ele fez é desnecessário. Meu nome é Rodrygo, eu sou o Rodrygo. Neymar só tem um”, frisa.

Sensações

Apesar da firmeza nas declarações e da expectativa que o cerca, o atacante é apenas um menino, dando os primeiros passos no futebol profissional. Isso fica claro quando lembra das reações ao ser promovido da base ao time principal.

“Foi numa segunda-feira. Estava indo à academia. Quando cheguei lá, meu celular tocou e era o Elano. Ele falou que era para eu me apresentar no profissional, que era para começar a treinar. Na hora, foi um susto”, conta.

Não foi o único. Assim que ouviu Elano chamá-lo para entrar em campo e estrear na vitória do Santos por 3 a 1 sobre o Atlético-MG, em 4 de novembro, ele quase travou. “Confesso que a perna deu uma tremida”.

Mas a hesitação parou por aí. O desejo de brilhar encoraja a passar por marcadores fortes, que em nada parecem com aqueles que enfrentava no sub-17.

Rodrygo sabe que é franzino e que precisa evoluir fisicamente. No entanto, promete usar a habilidade para superar os rivais. “Os caras no profissional são bem mais fortes. A gente, às vezes, sente na força, mas procuramos igualar na técnica. Na técnica, podemos até sobressair”.


Pai pede paciência

Eric Goes, pai de Rodrygo, sabe que vida de jogador não é fácil. Afinal, ele próprio foi atleta, tendo passado por clubes como Internacional, Ceará e Boa Esporte. Ciente de que há grande expectativa sobre o filho, ele pede paciência a torcedores e analistas.

“É um garoto, tem 16 anos, tem de ir à escola. (É injusto) botar na cabeça dele que tem que ter responsabilidade de um rapaz de 30 anos, de pai de família (...) Peço que tenham paciência”, disse ele, que atuou ao lado do filho no amistoso beneficente de Narciso, na Vila Belmiro.

O ex-jogador, de 33 anos, confessou que a promoção do atacante pegou a família de surpresa. “A gente projetava ainda uma Copa São Paulo. Mas o Elano acompanhava o trabalho (dele) no sub-17, que o credenciou ao profissional”.

Eric celebrou a ascensão do filho, lembrando das dificuldades do passado. “Ele chegou aqui aos 9 anos. Parei de jogar só há um ano, (jogava) para trazer sustento para casa. Praticamente, ele ficou com minha esposa esse tempo sozinho. Durante anos, ele ia aos jogos sozinho, minha esposa pegava carona. Não era sempre que eu estava empregado”.

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