Praia Grande espera zerar fila para cirurgias eletivas até maio

Anúncio foi feito pelo prefeito Alberto Mourão (PSDB); medida ajudará 1.700 pacientes

20/01/2018 - 07:55 - Atualizado em 20/01/2018 - 08:11

Mourão diz que Município reservou R$ 1 milhão
para custear exames (Foto: Luigi Bongiovanni/AT)

A moradora do bairro Melvi, em Praia Grande, Henriqueta Oliveira, de 79 anos, tem um problema crônico no joelho esquerdo e aguarda há quase quatro anos por uma cirurgia eletiva (aquela sem caráter de urgência). 

No entanto, o drama da idosa está perto do fim, caso o anúncio feito ontem pelo prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão (PSDB), realmente seja concretizado: zerar, até o final de maio, a fila de espera de 1.700 pacientes que aguardam por algum tipo de operação.

Esses procedimentos serão realizados no Complexo Hospitalar Irmã Dulce a partir da próxima semana, todos os dias, sempre das 19 às 22 horas. A unidade, gerenciada pela Fundação ABC, receberá R$ 2,5 milhões para solucionar a demanda represada.

“Queremos que os pacientes passem pelas cirurgias nesses horários, o que permitirá o retorno deles para casa o mais rápido possível, o que dará uma esvaziada da fila na maioria das especialidades”, explicou o chefe do Executivo.

Algumas cirurgias de alta complexidade, como cardíacas e oncológicas de grande porte, deverão ser feitas em outros hospitais da região. “A Prefeitura está disposta a contratar esses procedimentos pagando a tabela SUS (Sistema Único de Saúde), mais 100% de acréscimo”, afirmou Mourão.

Para cumprir a promessa, o prefeito explicou que a Administração reservou R$ 1 milhão para custear exames que deveriam ser realizados no Ambulatório Médico de Especialidades (AME) da Cidade, equipamento mantido pela Secretaria de Estado da Saúde.

Para viabilizar cerca de 2 mil cirurgias de catarata no Município, o Irmã Dulce contratou uma unidade móvel, que está instalada no estacionamento do hospital. Os procedimentos também terão início na próxima semana. 

Dentro deste espaço, será possível fazer consultas, exames pré-operatórios, avaliação do paciente e cirurgias. As equipes terão condição de fazer seis cirurgias por dia. “Muitos idosos têm problemas de trauma ao caírem por não enxergarem bem. Outros estão depressivos por não conseguirem ver TV. Temos uma fila de espera de cerca de 1.000 pessoas”, disse Mourão. 

Unidade móvel instalada no Irmã Dulce irá viabilizar 2 mil cirurgias de catarata (Foto: Luigi Bongiovanni/AT)

Crítica ao Governo do Estado

Atual presidente do Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista (Condesb), Alberto Mourão iniciou, no ano passado, uma articulação técnica e política local para buscar mais recursos federais e diminuir a fila de cirurgias eletivas na região (10.267, em junho de 2016).

No entanto, as providências, que deveriam ser tomadas pelo Governo do Estado, para agilizar essas operações deixaram a desejar. “Sugeri que fosse repassado recursos à Santa Casa de Santos, que tem leitos ociosos e condições para essa finalidade. É só o Estado contratá-la para uma grande ação regional e equilibrar esse problema regional. O governador (Geraldo Alckmin) está pecando nisso”.

A Secretaria de Estado da Saúde informou que a demanda reprimida por cirurgias eletivas é uma realidade nacional, devido à defasagem da tabela SUS. Por isso, São Paulo deixa de receber anualmente em torno de R$ 1 bilhão.

“Na Baixada Santista, o aumento no número de procedimentos cirúrgicos nos serviços sob gestão estadual foi de 48%, passando de 2,4 mil para 3,7 mil cirurgias anuais nos últimos seis anos”, justificou.

A pasta citou que, em 2017, promoveu um mutirão de cirurgias. Na região, participaram o Hospital Guilherme Álvaro e os AMEs de Santos e Praia Grande, que fizeram, juntos, 390 cirurgias de catarata. 

Veja Mais