Greve dos caminhoneiros afeta operações no Porto de Santos

Com acessos ao complexo marítimo bloqueados, cargas deixam de ser retiradas de terminais

24/05/2018 - 12:33 - Atualizado em 24/05/2018 - 12:41

Apenas caminhões que transportam produtos essenciais são liberados a trafegar (Foto: Carlos Nogueira/AT)

Quatro dias após o início da greve dos caminhoneiros, os reflexos já são grandes nos embarques e desembarques de mercadorias no Porto de Santos. Além do caos logístico, os terminais do cais santista enfrentam o risco da falta de combustíveis, o que pode afetar ainda mais os trabalhos e ampliar os prejuízos. 

 

Em greve desde a última segunda-feira (21), os caminhoneiros bloquearam o único acesso à Margem Direita do Porto de Santos, na Alemoa. Com isso, as cargas que desembarcam no complexo ficam represadas nos terminais. Por outro lado, devido aos bloqueios, as mercadorias que precisam ser transportadas até o cais para embarque não conseguem chegar ao destino. 

É o que ocorre na Brasil Terminal Portuário (BTP), que fica na Alemoa. Lá, a paralisação afetou a programação de retirada dos contêineres, o que significa mais custos para os importadores. Também foi prejudicada a entrega das cargas para embarque nos navios.

No Tecon Santos, que fica na Margem Esquerda (Guarujá), já há racionamento de combustível e os serviços de retroárea foram impactados. O terminal não está recebendo nem expedindo caminhões.

A Tribuna apurou que mais terminais de contêineres do Porto tiveram de alterar os esquemas de trabalho para economizar combustível. A expectativa é de que, se a greve persistir, as instalações sejam obrigadas a paralisar as operações, tendo em vista que a dificuldade para o acesso de caminhões-tanque à região. 

“A crise do combustível não afeta somente os transportadores rodoviários, mas também o segmento do transporte marítimo. O aumento significativo do bunker em 2018, acima do previsto, estimulará o surgimento de uma sobretaxa emergencial de bunker para garantia dos serviços prestados aos exportadores e importadores”, afirmou o diretor-executivo do Sindicato das Agências de Navegação Marítima do Estado de São Paulo (Sindamar), José Roque. 

Segundo o executivo, por conta da greve, os armadores tentam postergar os prazos de entrega de mercadorias. “Já tivemos navios que saíram do Porto sem carregar contêineres pelo exportador ter perdido o prazo para depositar as mercadorias nos terminais. Há enorme preocupação quanto aos futuros carregamentos, já que, com os bloqueios nas estradas, os exportadores não conseguem retirar os contêineres vazios nos terminais, o que provoca perdas de embarques”.

Como consequência, a capacidade física dos terminais é afetada, pois as cargas de importação ficam represadas no cais. Outra preocupação dos agentes é o fato de que, com esse represamento, pode haver um desbalanceamento dos contêineres, faltando unidades para exportação, especialmente as especiais, como as refrigeradas e as de 40 pés. 

Granéis 

“As cargas a granel na exportação também sofrem o impacto dessa paralisação, que provocará reflexos negativos na balança comercial, afetando diretamente o agronegócio e setores da indústria que correm o risco de terem as suas linhas de produção afetadas. Os exportadores poderão, também, ter que arcar com multas caso as commodities não sejam entregues dentro dos prazos contratuais ou até a redução no custo do produto”, afirmou Roque. 

O presidente do Sindicato dos Despachantes Aduaneiros de Santos e Região, Nívio Peres dos Santos, também aponta a possibilidade de perda de prazos e de multas aos exportadores e importadores. “Há contratos a cumprir, alguns com adiantamentos, que podem causar prejuízos. Toda greve é prejudicial”. 

Sopesp

Procurado, o Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp) avalia como “muito preocupante” a continuidade da greve de caminhoneiros. “A situação se aproxima do caos logístico. Se continuar a paralisação os prejuízos serão irreparáveis a todos os envolvidos na cadeia logística e à economia do País”. 

Na última terça-feira (22), uma comitiva do Sopesp e de autoridades do Porto esteve com o governador Márcio França, solicitando providências junto ao Governo Federal para solucionar o problema. “O Sopesp apela à Autoridade Portuária no sentido de que garanta ao menos as operações básicas nos terminais, em especial no fornecimento de combustível, com o uso de escolta, para evitar a interrupção das atividades internas dos operadores”, informou. 

A Fiesp manifestou sua indignação em relação à greve. “Espera-se que em um prazo curto seja construído um entendimento para que a situação volte à normalidade”.

A Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) informou que as manifestações dos caminhoneiros não causaram incidentes às operações, embora o “acesso de veículos rodoviários de carga às instalações do Porto de Santos tenha sido comprometido pela ação dos manifestantes”.

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