TRF-3 revoga liminar e navio com bois deixa o Porto de Santos

Nova decisão saiu na noite deste domingo, após recurso da Advocacia-Geral da União (AGU)

04/02/2018 - 21:05 - Atualizado em 05/02/2018 - 15:03

Animais estão embarcados no Navio Nada, atracado no Porto de Santos (Foto: Divulgação/Beto Mansur)

O navio Nada, atracado no Porto de Santos com mais de 25 mil bovinos com menos de um ano de idade, pôde seguir viagem para a Turquia. A embarcação deixou a região nesta madrugada, por volta da 1 hora desta segunda-feira (5). 

O Tribunal Regional Federal da 3ª Região revogou a liminar judicial que obrigava a embarcação a desembarcar o gado e determinou que a exportação dos animais seja realizada imediatamente. A decisão saiu às 19h50 deste domingo (4), após recurso da Advocacia-Geral da União (AGU).

A liminar determinou o imediato início da viagem, apenas, e não aborda a proibição da exportação de animais vivos em todo o território brasileiro. A suspensão da exportação, além da decisão de desembarcar o gado do navio Nada, ocorreu na sexta-feira (2) após o juiz federal Djalma Moreira Gomes, magistrado, da 25ª Vara Cível Federal de São Paulo, acatar pedido de liminar feito por uma ONG que alegava maus-tratos aos bois. 

Na nova decisão, publicada na noite deste domingo (4), o documento do TRF-3 afirma que "tendo em vista que encontrando-se completamente embarcada a carga viva e impossibilitada a limpeza do navio no porto de Santos, por questões ambientais (para não contaminar a costa brasileira), a permanência no navio aguardando os procedimentos de reversão, que sequer encontram-se programados, provocará maior sofrimento e penoso desgaste aos animais do que o prosseguimento da viagem".

Protesto

Por volta das 22 horas, um grupo de cerca de 30 manifestantes em prol da causa animal se reuniu no cais santista, contra a nova decisão que libera a saída do navio e exportação dos milhares de bois que se encontram na embarcação. 

Uma das manifestantes, a consultora de viagens Diana Galesso, de 37 anos, lamentou a decisão liminar e disse "não ter palavras" para descrever o que ela e os demais ativistas estão sentindo.

"Nunca chegamos tão longe em uma ação ativista, em prol dos animais. Lutamos por todos os tipos, seja gato, cachorro ou os bois que estão aqui (no navio). Recebemos essa notícia como uma punhalada nas costas. Não tenho palavras para descrever a dor que a gente sente (pela certeza da morte dos bois). O sentimento é de impotência, de imaginar que isso ocorre para saciar o paladar de pessoas que ainda não despertaram para esta questão. Eles são criados para morrer", disse. 

Diana Galesso participou de manifestação no Porto de Santos (Foto: Michael Santos/AT)

Leia outras informações sobre essa questão na edição desta segunda-feira (5), em A Tribuna.

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