Painel destaca alternativas aos caminhões para o transporte de cargas

Greve dos caminhoneiros acendeu um alerta e a necessidade de diferentes meios de locomoção

11/09/2018 - 19:36 - Atualizado em 11/09/2018 - 19:37

Novos acessos rodoviários, hidrovias, logística portuária, e ferrovias estiveram em pauta (Carlos Nogueira/AT)

O tema do último painel da Santos Export Brasil 2018 abordou os diferentes meios de transporte de cargas, com novos acessos rodoviários, as hidrovias, a logística portuária, além das ferrovias nos Portos Brasileiros. Participaram do debate o diretor da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Adalberto Tokarski, o presidente da Bandeirantes e Deicmar, Washington Flores, e o gerente da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Thiago Martorelly. 

O diretor da Antaq apresentou um plano para utilizar os rios navegáveis de Santos para o transporte de contêineres por meio de barcaça. Para defender seu projeto, Tokarski citou a dependência do Porto em relação ao transporte de caminhões, que ficou mais nítida durante a paralisação dos caminhoneiros.

"Durante a greve, o Porto não parou por causa dos trens e das barcaças. Esse é um momento em que deve existir uma reflexão. Nós temos um risco de ficar muito no rodoviário". 

Tokarski falou também que a hidrovia já é muito utilizada, mas que tem potencial para ser melhor aproveitada. O diretor da Antaq citou a Amazônia como importante exemplo de sucesso. 

Ponderações acerca das hidrovias foram feitas pelo presidente da Bandeirantes e Deicmar, Washington Flores. Para ele, a inviabilidade financeira pode dificultar um projeto desse porte."Tento imaginar como seria viável um caminhão descer (a Serra) para depois passar (a carga) para uma barcaça. Me parece que se trata de uma ideia para substituir os caminhões, o que não há possibilidade".

Ele citou ainda, que, somente a falta de rodovias poderia incentivar o desenvolvimento hidroviário. "É um projeto desejável, algo que gostaríamos de ver implementado, mas não vejo o transporte rodoviário sendo substituído". 

A ferrovia também foi um importante ponto no debate. Washington relembrou a greve dos caminhoneiros para destacar a importância das vias férreas. Ele sugeriu que o governo construa trilhos e que as empresas invistam em vagões e equipamentos.

"Basicamente, quem utiliza o setor ferroviário é para transportar o granel. Vimos, nos protestos,  a importância que tiveram as ferrovias. Se alguém tinha alguma dúvida, não tem mais".

Ainda sobre as ferrovias, o gerente executivo da ANTT de São Paulo, Thiago Martorelly, considerou as vias férreas como essenciais e falou sobre um importante investimento que está por vir para as malhas paulistas.

"Um porto não existe sem seus acessos terrestres. Esse ano nós devemos ter a primeira renovação de contrato de uma malha ferroviária. Estão previstos R$ 6 bilhões de investimentos".

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