O Porto pelas lentes dos Piffer: livro reúne imagens atuais e das décadas de 50 e 60

Obra reúne trabalho do fotógrafo Marcos Piffer e de seu pai, Carlos Piffer

26/12/2017 - 14:32 - Atualizado em 26/12/2017 - 15:12

O plano de editar obra sobre o Porto era uma ideia antiga de Marcos (Foto: Nirley Sena/AT)

O cais santista, suas operações e profissionais, tanto nas décadas de 50 e 60 como atualmente, são os destaques de um livro a ser lançado no início do próximo ano, com fotografias inéditas e histórias curiosas do maior complexo marítimo da América Latina. Trata-se da obra O Porto de Santos no Século 21, do fotógrafo Marcos Piffer e que retrata fatos históricos, belas paisagens e curiosidades da atividade portuária.

O plano de editar uma obra sobre o Porto era uma ideia antiga de Marcos Piffer. Em 1998, ele dedicou um capítulo de seu livro Santos, Roteiro Lírico e Poético à relação Porto-Cidade. E onze anos depois, decidiu que havia chegado o momento de ter no cais santista o cenário de mais uma obra. 

“É um livro positivo. A minha ideia é que ele fosse o mais abrangente possível, porque a fotografia é um grande instrumento de conhecimento, de educação. O santista não sabe muito sobre o que acontece no Porto. Eu quis mostrar operações, a cara que tem o Porto”, explicou Marcos, que também é formado em Arquitetura.

Imagens da descarga de petróleo no
Saboó também estão na obra (Foto: Carlos Piffer)

O carinho pelo cais santista é antigo, revela o fotógrafo. Isto porque o pai de Marcos, Carlos Alberto Piffer, foi engenheiro e um dos principais executivos da extinta Companhia Docas de Santos (CDS, empresa que antecedeu a Companhia Docas do Estado de São Paulo, Codesp, na gestão do complexo marítimo). São dele as cerca de 30 fotos que mostram o Porto nas décadas de 50 e 60. “Meu pai gostava tanto do que ele fazia que, aos sábados e domingos, ele nos levava para passear no Porto, para visitar navios”. 

O ex-funcionário da CDS também é apaixonado por fotografias e costumava registrar fatos importantes do Porto. Os negativos inéditos foram encontrados por Marcos em uma caixa de sapatos de seu pai e catalogados. 

“Para fugir do tradicional, eu não queria retratar a história mostrando as fotos de trapiches ou dos sacos de café na cabeça. Isso, todo mundo já viu. Com as fotos do meu pai, eu consegui oito conjuntos de imagens, que contam oito histórias. Nelas, a primeira coisa que a gente identifica é a quantidade de gente trabalhando. Pouca máquina e muita gente. Não é que eu queira fazer comparação, mas isso acaba acontecendo”, explicou o autor. 

Uma dessas oito histórias mostra, em 1959, a produção pela CDS de suas primeiras barreiras de contenção, utilizadas para evitar vazamentos de óleo durante o abastecimento de navios. Na época, elas eram usadas apenas em portos europeus, já que aqui a questão ambiental não era encarada com prioridade. 

O naufrágio do batelão Valongo, que auxiliava o serviço de dragagem, foi outro fato flagrado pelas lentes de Carlos Alberto Piffer. Ao tentar ultrapassar um navio, houve a colisão. Foram necessários, ao menos, dois meses para a remoção do batelão. A instalação de dutos da Ilha Barnabé até a Alemoa e testes para o embarque de bananas enroladas em palhas também foram registradas pelo ex-executivo. 

Fotos atuais

O livro conta ainda com 180 fotos atuais do Porto, feitas por Marcos Piffer entre o final de maio e o dia 4 de novembro. A ideia do fotógrafo foi mostrar as diversas operações, desde o apoio marítimo, até os embarques de cargas. 

“Eu tento pensar fotografia de maneira diferente. O conceito primordial é o ensaio fotográfico. O Porto sempre teve uma importância muito grande e eu sempre quis falar. E falo através da fotografia”, destacou Piffer. 

Algumas das imagens inéditas do livro foram disponibilizadas por Piffer para A Tribuna e podem ser conferidas nesta galeria:


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