Maersk projeta aumento de 7% nas operações no Brasil

Crescimento é impulsionado, principalmente, pela recuperação nas importações

26/12/2017 - 13:34 - Atualizado em 26/12/2017 - 13:42

Maersk Line é líder mundial no transporte marítimo de contêineres (Foto: Carlos Nogueira/AT)

O ano, próximo de terminar, tem sido marcado pela retomada da economia e o comércio exterior tem um grande peso neste processo. A expectativa da Maersk Line, líder mundial no transporte de contêineres, é de um crescimento de 7% neste 2017, impulsionado pelo incremento de 14% nas importações e de 1,5% nas exportações. 

A informação é do diretor de Trade e Marketing da Maersk Line para a Costa Leste da América do Sul, João Momesso. Segundo o executivo, neste ano, o comércio exterior registrou a melhor performance desde 2014. “Não há dúvida de que a crise ficou para trás, mas as importações ainda estão 9% abaixo do que eram há três anos”. 

Nas importações, as operações têm registrado crescimento nos últimos 12 meses. No terceiro trimestre, o incremento foi de 14,3%. De acordo com a Maersk, as expectativas são boas já que os desembarques de bens manufaturados cresceram 44% entre julho e setembro, na comparação com o mesmo período do ano passado. 

Já as importações de produtos eletrônicos que desembarcam em Manaus saltaram 35% no terceiro trimestre, na relação com os mesmos meses de 2016. 

“Isto é muito encorajador. Pela primeira vez, os varejistas estão fazendo mais do que simplesmente repor as prateleiras. Eles estão aumentando seus estoques antes do Natal. É uma grande diferença do que aconteceu no ano passado, quando apenas mantinham os seus inventários”, destaca o diretor da Maersk Line para a Costa Leste da América do Sul, Antonio Dominguez. 

As exportações de carga seca e refrigerada registraram alta de 6,9% entre julho e setembro graças ao forte crescimento do mercado, revertendo a queda de 2,2% registrada no segundo trimestre. Considerando apenas os embarques de carga seca, houve um aumento de 6,6% no período, ao passo que os de carga reefer subiram 7,4%.

Da mesma maneira que os bens de consumo impulsionaram as importações, um aumento na procura por carne na Ásia e na Europa resultou em crescimento de 37% nas exportações de proteína no terceiro trimestre, registrando uma recuperação após uma desaceleração nos três meses anteriores.

No entanto, Argentina, Uruguai e Paraguai também estão aumentando as exportações de carne, disputando espaço com os produtores brasileiros. 


Pressão

“O forte crescimento do mercado de exportações está colocando muita pressão nas companhias de transporte marítimo, o que fez a Maersk Line mudar sua forma de atender os clientes do mercado reefer no Nordeste do Brasil, por exemplo. Ao mesmo tempo, a empresa passou a disponibilizar mais contêineres refrigerados e lançou o RCM (Gerenciamento Remoto de Contêineres) para todos os clientes, possibilitando rastrear e acompanhar seus produtos durante toda a viagem, garantindo o frescor das cargas perecíveis”, ressalta o diretor Comercial da Maersk Line para a Costa Leste da América do Sul, Nestor Amador. 

No segmento de carga seca, a África se destacou como destino devido à alta demanda por açúcar, compensando significativamente a queda na procura pela commodity em outras regiões do mundo. Os produtores brasileiros estão servindo principalmente as maiores e relativamente mais estáveis economias africanas, da Nigéria à África do Sul. 

Enquanto isso, outras regiões se beneficiaram com a colheita de soja e milho, resultando em crescimentos de 94% e 81%, respectivamente, no terceiro trimestre, contribuindo para os resultados bem acima do esperado nas exportações. 


2018

No próximo ano, o diretor João Momesso espera um crescimento ainda maior no transporte de cargas, mas a recuperação total, certamente, não será registrada. 

Para 2018, o executivo estima um crescimento marginal das importações e dificuldades para obtenção de espaço em navios cargueiros nas rotas de exportação. “Há demanda, mas não há espaço. Commodities que sofreram conteinerização (passaram a ser transportadas em contêineres) recente, como soja e milho, devem ser as mais impactadas”. 

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