Hostilizado por ativistas, Beto Mansur diz que bois estão "em boas condições"

Deputado federal fez vistoria em navio Nada, ao lado de presidente da Codesp, neste domingo

04/02/2018 - 14:53 - Atualizado em 04/02/2018 - 17:02

Acompanhado do presidente da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), José Alex Oliva, o deputado Beto Mansur (PRB-SP) fez uma inspeção no navio Nada, que tem cerca de 25 mil bois embarcados, no terminal Ecoporto, no Porto de Santos, na tarde deste domingo (4). Após a visita à embarcação, o parlamentar disse que os animais "estão em boas condições", apesar de sujos, e foi hostilizado por ativistas que estão no local.

"Os bois estão em boas condições, se alimentando e tomando água. Fezes e urina estão indo para um tanque e não para o estuário do Porto de Santos. Este tanque tem um limite de mais cinco dias para se esgotar [a capacidade]. Eu acho que é importante que se chegue numa boa conclusão para poder liberar os animais para exportação ou interná-los novamente", disse Mansur, em entrevista coletiva, depois da vistoria.

Beto Mansur e presidente da Codesp vistoriaram navio com bois no Porto (Fotos: Nirley Sena/AT)

O navio está proibido pela Justiça de deixar o Porto rumo à Turquia, para onde os bois seriam exportados. A última decisão judicial, da desembargadora Divas Prestes Malerbi, do Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª Região manteve, nesse sábado (3), a suspensão da exportação de carga viva em todo o País.

Para a desembargadora, não há clareza sobre a existência ou não de maus-tratos, por conta de laudos de veterinários que apontam informações conflitantes. Ela optou por manter a liminar (decisão antecipada e provisória) até que todos os fatos sejam esclarecidos em julgamento futuro.

Condições precárias

O laudo da veterinária Magda Regina, indicada pela Justiça para inspeção no navio, aponta que os animais encontram-se "em condições de higiene muito precárias", e que a quantidade de urina e fezes acumuladas "propiciou impressionante deposição no assoalho de uma camada de dejetos lamacenta" e que o odor era "intenso tornando difícil a respiração".

Já o veterinário Paulo Roberto de Carvalho Filho, fiscal do Serviço de Vigilância Agropecuária do Governo Federal, fez relatório diferente, sustentando que os animais estão bem. "O espaço destinado para cada animal estava compatível ao recomendado pela Organização Internacional de Saúde Animal e com legislação australiana, a mais avançada no que se refere ao transporte marítimo de animais", escreveu o profissional no documento.

A Justiça também determinou que os quase 27 mil bois já embarcados sejam liberados do navio e encaminhados de volta às fazendas de origem, mas não estipulou data para isso acontecer. 

Protesto com a presença de Luisa Mell

Na manhã deste domingo, ativistas da causa animal voltaram a se reunir em frente ao terminal Ecoporto, cobrando o cumprimento da decisão judicial para desembarque dos animais.

Beto Mansur informou que a Advocacia-Geral da União (AGU), do Governo Federal, entrou no caso e recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar a derrubada da liminar do TRF-3 e a liberação da exportação de cargas vivas no Brasil. "O que eu defendo é uma solução rápida, porque os animais não podem ficar confinados desta maneira".

Encerrada a entrevista coletiva, o deputado, que é vice-líder do Governo Michel Temer na Câmara, passou a ser hostilizado pelos manifestantes. Ele não conseguiu ir embora e precisou ser escoltado por homens da Guarda Portuária de volta ao terminal.

Defensora das causas animais, Luisa Mell participa de manifestações no Porto

Ele conversou com a ativista das causas animais Luisa Mell, que está em Santos acompanhando os protestos pela liberação dos bois.

"Eu vim aqui, mesmo de cadeira de rodas, porque isso é uma barbaridade. É uma atrocidade. Os animais não podem se defender sozinhos. Eles estão sendo massacrados com esse tipo de transporte. A sociedade brasileira é contra isso", declarou Luisa, em entrevista aos jornalistas.

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