Greve de 24 horas gera perdas de, pelo menos, US$ 150 mil no Porto

Prejuízo pode ser maior se somados outros custos, como combustíveis e problemas logísticos

06/03/2018 - 13:37 - Atualizado em 06/03/2018 - 16:41

Empregados da Companhia Docas realizaram manifestação na frente da empresa (Foto: Carlos Nogueira/AT)

A greve de 24 horas dos trabalhadores da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), a estatal que administra o Porto de Santos, causou atrasos e prejuízos aos usuários do complexo marítimo. Considerando que pelo menos três navios concluíram, nesta segunda-feira (05) as operações e só poderão partir desta terça-feira (06) e que quatro embarcações aguardam, na Barra, até a autorização para atracar, o custo dessas sobreestadias chega a US$ 150 mil, o equivalente a R$ 487,2 mil (considerando a cotação do dólar de ontem, a R$ 3,248). 

O prejuízo pode ser maior se somados outros custos, como o dos combustíveis e o comprometimento da logística. Além disso, outras embarcações também podem ter sido afetadas pela paralisação.

Os trabalhadores da Codesp apontam que a empresa não cumpriu o acordo coletivo de trabalho do ano passado, que prevê aumento salarial de 3,59% retroativo a 1 de junho de 2017. Por isso, deram entrada num dissídio coletivo no Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo (TRT-SP) e decidiram cruzar os braços por 24 horas. A paralisação começou na madrugada de ontem e durou até a 0 hora desta terça-feira (06). 

Segundo o presidente do Sindicato dos Empregados na Administração Portuária (Sindaport), Everandy Cirino dos Santos, a adesão dos trabalhadores chegou a 80%.

Funcionários ligados ao Sindicato dos Operários Portuários (Sintraport) também participaram do movimento.

De acordo com o diretor-executivo do Sindicato das Agências de Navegação Marítima do Estado de São Paulo (Sindamar), José Roque, o setor de programação da Codesp ficou inoperante. O departamento tem a responsabilidade de passar o serviço para a Praticagem de São Paulo. Sem isso, os práticos não são requisitados para a orientação das manobras de atracação ou desatracação no cais santista.

“A greve dos portuários afeta diretamente os navios que atracam em cais público, devido ao não comparecimento dos amarradores ao trabalho, implicando na permanência dos navios atracados e retardando a entrada e atracação de outras embarcações”, disse o executivo.

Temendo problemas por conta da greve, algumas agências marítimas programaram antecipadamente atracações para ontem. No entanto, elas foram canceladas pela Codesp. 

Ontem, dois navios graneleiros concluíram as operações e não puderam deixar o Porto. O SBI Sousta terminou o embarque na ADM do Brasil, na Ponta da Praia, mas, por falta de amarradores, não pode sair, prejudicando a atracação do navio The Finder, que precisou aguardar na Barra. Já no terminal da Rumo, em Outeirinhos, o Nirefs também concluiu as operações, mas não desatracou. Isso fez com que o navio Oriental Wise ficasse impedido de entrar no cais santista. 

O mesmo aconteceu com o Saga Horizon, que concluiu operações no Armazém 12, mas permaneceu no berço por falta de amarradores, enquanto o Seas 14 aguarda fundeado na Barra para atracar.

Nesses casos, o custo de um navio de granel sólido parado pode oscilar entre US$ 15 mil e US$ 18 mil por dia. 

Já uma embarcação de granel liquido pode custar entre US$ 30 mil e US$ 35 mil. É o caso do navio CPO China, que concluiu operações na Ilha Barnabé e só poderá deixar o Porto hoje. Já o Stolt Glory aguarda, na Barra, para atracar, mesmo com a disponibilidade do berço 4, na Alemoa, onde irá operar. 

“As retenções desses navios provocam prejuízos na cadeia logística do comércio exterior, com atrasos em suas programações, além de implicar em maior consumo de combustível para manter o schedule (cronograma) do navio e cumprir os contratos firmados de venda os produtos”, destacou o diretor-executivo do Sindamar.

Efetivo

Segundo o vice-presidente do Sindaport, João de Andrade, 12 amarradores ficaram de prontidão durante a greve da Codesp, ontem. Já no setor de atracação, apenas um profissional atuou. “Esse pessoal fica à disposição para operações com navios de passageiros ou embarcações da Marinha. Além disso, podem atuar em casos de acidente, em que haja a necessidade de desatracação de um navio para evitar maior riscos”, explicou.

Enquanto em um dia normal, cerca de 70 guardas atuam no Porto, durante a greve da Codesp o efetivo foi de 30 homens da Gport. 

“Há de se lamentar a falta de sensibilidade e comprometimento do Governo em não encontrar uma solução para evitarmos a greve dos portuários, bem como, também o movimento existente desde novembro dos auditores fiscais e dos analistas tributários da Receita Federal, que tem impactado nas atividades do agenciamento marítimo”, destacou José Roque. 

Procurada, a Codesp informou que “mantém as negociações sobre as reivindicações, respeita a decisão dos trabalhadores e entende que a greve é um direito a ser exercido”. 

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