Especialistas temem atrasos em projetos portuários

Analistas acreditam que os investidores agirão com mais cautela por conta da crise política

19/05/2017 - 15:04 - Atualizado em 19/05/2017 - 15:36

Para Pierdomênico, deve-se separar a atual crise da retomada do crescimento (Foto: Carlos Nogueira)

Há nove dias,o setor portuário vivia um momento de otimismo, com a publicação do Decreto dos Portos (nº 9.048), modernizando o marco regulatório e impulsionando novos investimentos. Agora, diante das incertezas causadas pelos recentes escândalos de corrupção na política brasileira, a cautela deve imperar entre os investidores, atrasando os projetos que eram planejados. A análise é de especialistas do segmento. 

No último dia 10, com a publicação do decreto, empresários portuários manifestaram otimismo com o mercado. Segundo eles, as mudanças implantadas trouxeram maior segurança e previsibilidade ao setor. 

Desde a noite de quarta-feira, com a divulgação de conversas do presidente Michel Temer dando aval para comprar o silêncio do deputado cassado e ex presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ),o panorama político é outro. E não é dos melhores. 

“Todo mundo está apreensivo. A sociedade, os investidores, todo mundo fica apreensivo quando tem um terremoto dessa magnitude na área política, como está acontecendo. Os atores políticos e os investidores precisam separar o máximo possível essa crise da retomada do crescimento”, destacou o consultor portuário Fabrízio Pierdomênico. 

Para ele, o fundamental,neste momento, é que, independente do Governo, os ganhos do novo marco regulatório sejam perpetuados.Na sua visão, isso ajudará o País a manter sua curva ascendente de crescimento.“Eu espero que o decreto e o otimismo permaneçam, independente de toda a crise política. É claro que a economia é sempre afetada com qualquer abalo institucional. Isso é uma regra e acontece sempre que há uma crise política. E a atividade portuária tem uma relação umbilical com a atividade econômica”,destacou. 

O consultor Marcos Vendramini acredita que o cenário conturbado pode causar atrasos nos planos federais de leiloar novos terminais portuários. Mas esta possibilidade é mais evidente caso o presidente Michel Temer deixe o Governo. “O que pode atrasar são as concessões, mas se o Governo se mantiver,ou seja, ficando o Temer, ele mantém. Ele é o maior interessado em ter uma agenda ousada,dinâmica de concessões. Para se ter uma ideia, no PPI (Programa de Parcerias de Investimentos), se trabalha com metas de concessão para o começo do próximo ano”. 

Mesmo diante desses problemas, Vendramini acredita que o setor é promissor, desde que se tenha segurança jurídica, que, agora, está garantida no novo Decreto dos Portos. “A vantagem do Porto é que, se o dólar sobe, você exporta mais. Se o dólar cai, você importa mais. Dos dois jeitos tem carga. Só mudao sentido”. 

CONSEQUÊNCIA 

O diretor técnico da Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP), Wagner Moreira, disse que o receio dos investidores é uma consequência natural do cenário político brasileiro. Mesmo assim, ainda é difícil prever os impactos

“Esperamos que isso não afete os investimentos a curto e médio prazos, embora saibamos que a reação internacional, de queda do valor dos papéis no Brasil, faz os investidores pensarem. Mas, por outro lado,as regras claras estabelecidas pelo novo decreto estão trazendo segurança jurídica para os investimentos, redução de burocracia e um novo ambiente”,afirmou.

Para o presidente da Federa- ção Nacional dos Portuários (Fenop),Sérgio Aquino, ainda é cedo para fazer previsões. Ele considera o momento estratégico para o País, apesar da necessidade de buscar instrumentos para garantir a vida e a sobrevivência do governo.

“O investidor não trabalha com imediatismo, exceto onde há o chamado investimento especulativo. Mas o investimento de estabilidade de que o Brasil precisa, em especial na questão portuária, de infraestrutura, que é de longo prazo,(sobre ele) o investidor não toma uma decisão por ímpeto. Ele espera o ambiente estabilizar para, aí sim, poder analisar sem a poeira estar flutuando”. 

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