Diretor da Antaq defende utilização de hidrovias

Adalberto Tokarski afirmou que trecho da hidrovia que chega até Cubatão já está pronto

12/09/2018 - 14:19 - Atualizado em 12/09/2018 - 14:35

Tokarski lembrou da importância do modal durante a greve (Foto: Carlos Nogueira/AT)

Uma reflexão sobre alternativas para acesso de cargas ao Porto foi o tema do último painel da tarde desta terça-feira (11) no Santos Export Brasil.

O diretor da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Adalberto Tokarski, defende a utilização de hidrovias.

“Na região, temos 200 quilômetros de rios navegáveis ou possivelmente navegáveis, e essa é uma forma de aumentar a capacidade do Porto em receber mercadorias com investimento público quase zero”, afirma o dirigente. 

Tokarski menciona que o trecho da hidrovia que chega até Cubatão já está pronto, o que possibilitaria, por exemplo, o tráfego de contêineres entre terminais.

“Precisamos de outras soluções. Não dá para colocar mais caminhões dentro da Cidade. Precisamos ver a área empresarial trabalhando e as empresas se colocando à disposição para que isso ocorra”, conclama.

O presidente da Bandeirantes e da Deicmar, Washington Flores, acredita que a hidrovia pode ser um bom meio de transporte, mas questiona o modelo atual por não ver nele viabilidade financeira.

“Como usuário do Porto, não tenho dúvida de que é um projeto desejável, algo que gostaríamos de ver implementado, mas não vejo o transporte rodoviário sendo substituído”, diz.

O representante da Antaq lembrou a importância do modal durante a greve dos caminhoneiros. “O Porto de Santos não parou por conta da hidrovia, e até o abastecimento foi feito por barcaças”.

Flores concorda. “Vimos a vulnerabilidade do Brasil com os caminhoneiros. Se alguém tinha dúvidas sobre se precisamos de investimento nesta área, isso foi sanado depois da greve”.

Ferrovias

A antecipação da renovação do contrato da malha ferroviária paulista que dá acesso ao cais santista foi o destaque trazido pelo gerente executivo da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) em São Paulo, Thiago Martorelly Quirino de Aragão.

De acordo com o técnico, o processo da Rumo já foi enviado ao Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil (MTPAC), que deve validar o processo com o Tribunal de Contas da União (TCU).

Conforme adiantado pela Secretaria do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), no mês passado, o plano de investimentos da empresa para a renovação do contrato por 30 anos tem previsão de R$ 4,35 bilhões para melhorias no setor e o fim de gargalos. O contrato pode ser assinado ainda neste ano.

Quanto à MRS, a empresa deve investir R$ 7,4 bilhões, e a expectativa é de que o contrato seja firmado no primeiro trimestre do próximo ano.

Aragão pontua que, entre as melhorias esperadas, as concessionárias das ferrovias devem modernizar a malha, mudar o perfil do trem – passando de 80 para 120 vagões – e adequar pátios.

Por orientação do Governo, não deve ser paga outorga, cujo valor será revertido para a resolução de conflitos urbanos.

Outro item previsto nos novos contratos é o direito de passagem, com uma cláusula que prevê um teto tarifário para que outras empresas possam usar a malha ferroviária. (EC)

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