Desembarque de carga de 25 mil bois no Porto de Santos demoraria um mês

Informação é de técnicos do ministério da agricultura. Pelo menos 860 caminhões seriam utilizados para retirar o gado

04/02/2018 - 18:46 - Atualizado em 04/02/2018 - 19:08

Mais de 25 mil bois estão embarcados no navio Nada (Foto: Divulgação/Deputado Federal Beto Mansur)

O Ministério da Agricultura elabora um plano de desembarque dos mais de 25 mil bois da Minerva Foods que estão no navio Nada, atracado no Porto de Santos e impedidos de deixar o País por conta de decisão judicial liminar, concedida pelo juiz Djalma Moreira Gomes, da 25ª Vara Cível Federal de São Paulo. A reportagem apurou com técnicos do ministério que a complexa operação demoraria ao menos um mês e que a melhor saída seria a liberação da embarcação judicialmente, o que levou o governo a recorrer da decisão em primeira instância tomada na sexta-feira (2).

 

A operação de desembarque envolveria a contratação de 60 funcionários, o destino de ao menos 860 caminhões para o transporte dos animais, bem como a busca de locais para abrigar os bovinos. Mais um entrave seria a necessidade de deixar os animais em quarentena, já que eles se alimentam de feno importado, que pode conter pragas exóticas às pastagens brasileiras.

Outro risco é o do contato dos bois com funcionários da embarcação, que, anteriormente, possam ter participado de outros embarques em outros países, o que também traria uma ameaça à sanidade do País.

Se o impasse não for resolvido judicialmente, como tenta o governo, os animais terão de ser hidratados com uma operação montada para trazer água doce do continente, pois a embarcação não está em funcionamento e não há o processamento de dessalinização da água do mar para o consumo interno. Não é possível também limpar fezes e urina dos animais, o que pode provocar um forte odor de amônia e aumentar o risco de mortalidade.

Exportação é rotineira

Em nota, a Minerva Foods reafirmou que seu processo de exportação de gado vivo, "o manejo do gado segue todos os procedimentos adequados para preservar o bem-estar dos animais durante o transporte, embarque e no decorrer da viagem até o destino". A companhia informa que a "exportação é uma atividade mundialmente rotineira e, no Brasil, devidamente regulamentada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento".

Em uma nota técnica, a Comissão Técnica Permanente de Bem-Estar Animal do Ministério da Agricultura (CTBEA) relata que "sua apreensão quanto à decisão judicial, que neste momento impede que o navio (...) possa seguir viagem com destino à Turquia" e alerta que a decisão pode "comprometer as condições de saúde e de bem-estar dos animais já embarcados" em uma operação fiscalizada, certificada e rotineira feita pelo governo federal.

A nota da CTBEA critica a decisão da justiça baseada em laudos de movimentos ativistas. "Chama-se atenção que, na maioria das vezes, o alvo desses movimentos ativistas são as operações de abate dos animais de produção e ao consumo de carne, e utilizam argumentações 'fantasiosas' e 'alarmistas' ". 

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