Conexão Estados Unidos: Americano sai cedo do ninho

Nesta edição, Fernanda Haddad fala sobre os jovens norte-americanos e sua cultura de independência

13/06/2018 - 14:00 - Atualizado em 13/06/2018 - 14:24

Cultura norte-americana incentiva que o jovem more sozinho a partir dos 21 anos (Foto: Shutterstock) 

Há algumas semanas, era notícia aí no Brasil, e aqui nos Estados Unidos também, a decisão de um casal americano de entrar na Justiça para pressionar o filho de 30 anos a sair de casa. Parece piada, mas aqui a realidade é essa: o jovem americano não mora sob o mesmo teto que os pais depois dos 21 anos.

Não que seja uma regra, ou lei, e é claro que há exceções, mas é vergonhoso para o jovem americano na faixa dos 20 anos ainda morar com os pais. O caso de Michael Rotondo é uma exceção à cultura americana do jovem independente, e por isso ganhou tanta repercussão.

Após cinco avisos e até uma oferta de dinheiro para ajudar o filho a encontrar um novo local para morar, o casal nova-iorquino Christina e Mark Rotondo entrou com um processo judicial para obrigar o filho Michael a sair de casa. Por incrível que pareça para nós, brasileiros, o juiz deu razão aos pais e autorizou o despejo do rapaz.

A cultura da independência do americano ainda me choca um pouco. Para nós, aí no Brasil, é comum só sair da casa dos nossos pais depois de casados. Quando eu comento sobre isso com qualquer americano aqui, eles acham um absurdo.

Desde pequeno, o americano é estimulado a ser independente. A primeira razão se deve ao fato de que as crianças americanas acabam se acostumando com a ausência dos pais. Muitas, para não dizer a maioria, passam grande parte da infância com babás. 

Logo na adolescência, vão em busca do primeiro emprego. Normalmente em lanchonetes ou pequenos serviços de escritório. Mais usual ainda é ver estudantes universitários trabalhando em restaurantes e bares à noite para ter dinheiro para roupas e coisas básicas.

O período universitário é realmente quando ocorre a fase do jovem americano se desvincular da família. É muito comum o jovem cursar sua graduação em universidades, ou o que eles chamam de college, bem longe de casa, em outras cidades e até estados.

San Diego é uma cidade universitária. São mais de 20 instituições de ensino superior. Nos bares e casas noturnas daqui, os jovens experimentando o gostinho de liberdade fora do “ninho” dos pais sabem aproveitar a noite.

Um plus (ou adicional) à liberdade de estar fora de casa, o jovem americano também ganha o direito de consumir bebidas alcoólicas nessa mesma fase. Diferente do Brasil, a maioridade para comprar e consumir álcool em restaurantes, bares e casas noturnas é de 21 anos. Nós começamos aos 18 anos.

No auge dos meus 28 anos, os últimos dois vividos aqui na terra do Tio Sam, eu posso afirmar que é bem interessante viver e aprender sobre uma cultura tão diferente daquela em que fui inserida quando criança. Eu ainda penso que viver longe do ninho é bom, mas voltar para o aconchego da nossa casa é melhor ainda. 



Fernanda Haddad é jornalista, natural de São Paulo, capital, e mora 
nos Estados Unidos há dois anos. Ela escreve na coluna Conexão quinzenalmente, às quartas-feiras. 

Veja Mais