Cade condena Rodrimar a pagar R$ 972 mil por cobrança considerada abusiva

Processo foi aberto em 2006 após denúncia feita pela empresa de logística Marimex

08/08/2018 - 19:50 - Atualizado em 08/08/2018 - 19:53

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) condenou, nesta quarta-feira (8), a Rodrimar, que atua no Porto de Santos, por cobrança de uma taxa de movimentação portuária que foi considerada abusiva pelo órgão.

A Rodrimar terá que pagar uma multa de R$ 972 mil e mais R$ 20 mil por dia em que continuar cobrando a taxa. O processo foi aberto em 2006, após denúncia em que a empresa de logística Marimex acusa a Rodrimar de cobrar taxas irregulares para a separação, movimentação e entrega de cargas dentro do Porto de Santos. 

A Marimex afirma que já existem outras taxas com o mesmo fim e a Rodrimar estaria cobrando duplamente. Já a empresa condenada alegava que a cobrança é feita para ressarcir custos adicionais. 

Em 2016, o relator e outros dois conselheiros haviam votado pela condenação da Rodrimar e a conselheira Cristiane Alkmin pediu vistas.

Ela apresentou um voto pelo arquivamento do processo, por entender que a cobrança da taxa é regular e permitida pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). “A Rodrimar não pode ser condenada por ter seguido o marco regulatório em vigor, isso traria uma grande insegurança jurídica. Não cabe ao Cade rever políticas públicas, mas respeitar as medidas das agências reguladoras”, afirmou.

O conselheiro João Paulo de Resende acompanhou o voto da relatora e votou pelo arquivamento. O presidente do Cade, Alexandre Barreto, no entanto, também votou pela condenação da empresa, ficando quatro votos a dois.

A Rodrimar é alvo de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) que apura se houve pagamento de propina pela empresa a pessoas ligadas ao presidente Michel Temer para que fosse editado um decreto que teria beneficiado a empresa, o Decreto dos Portos. O processo em análise no Cade, porém, não tem relação com esse inquérito.

No início do julgamento, que durou cerca de quatro horas, o Cade negou o pedido de análise de fatos novos apresentado por advogados da Rodrimar e de associações portuárias. Os advogados pediam que questões como decisões recentes do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Justiça sobre o tema fossem consideradas e, com isso, o julgamento fosse reiniciado. 

A maioria do conselho, no entanto, negou o pedido, por entender que os fatos não eram suficientes para alterar o posicionamento dos conselheiros que já haviam se manifestado. 

Procuradas, Marimex e Rodrimar não responderam aos questionamentos da Reportagem. 

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