Avanço da tecnologia dá mais agilidade para portos

Em painel do Santos Export, Codesp expõe projeto do VTMIS para Santos

12/09/2018 - 13:43 - Atualizado em 12/09/2018 - 14:00

Painel aconteceu durante a 16ª edição do Santos Export (Foto: Carlos Nogueira/AT)

As novas tecnologias que devem ser adotadas no Porto de Santos e em sua cadeia logística foram o tema que abriu a tarde de debates no terceiro painel do Santos Export Brasil 2018 - Fórum Internacional para a Expansão dos Portos Brasileiros.

A Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) apresentou o projeto do Vessel Traffic Management Information System (VTMIS, ou sistema de informações de gerenciamento do tráfico de embarcações, em tradução livre) do complexo portuário santista e das mudanças que estão sendo feitas no projeto inicial para a adoção do calado dinâmico.

“Estamos em negociação com o Exército para a cessão das áreas para a implantação dos sensores. Estamos providenciando a compra dos equipamentos que nos permitirão implantar o calado dinâmico”, afirma Marcelo Santiago Villas-Bôas, gestor do VTMIS da Docas.

Com o sistema em funcionamento, que vai monitorar em tempo real todas as condições para a entrada dos navios no canal do Porto, ele acredita que o serviço hoje executado pela Praticagem do Estado de São Paulo será complementar.

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“A Praticagem exerce uma postura proativa na organização do tráfego, mas, à medida que a Codesp tem o VTMIS operacional e permita planejar o acesso ao Porto, teremos como fazer a otimização da entrada dos navios. Vamos trabalhar com eles na otimização da utilização do canal”, avalia.

“Há dez anos, a Praticagem já buscou otimizar o que não era nosso dever. Hoje, nós monitoramos o canal com o que há de mais moderno no mundo”, diz o diretor presidente da Praticagem de São Paulo, Nilson Ferreira dos Santos. Para ele, o conflito de competências da Codesp e da Praticagem com o novo sistema “é um tema sensível a ser discutido”.

Santos diz deixar como legado à comunidade um sistema eficiente e de custo zero. “Mas a Praticagem continua sendo parceira (da Codesp), e precisamos pensar em conjunto”.

Inteligência cognitiva

O painel também teve a apresentação do líder de IoT (Internet of Things, ou internet das coisas) da IBM América Latina, Carlos Tunes. “A inteligência artificial, cognitiva, não é mais o futuro. Ela é aplicada em bancos, carros, na medicina e também na área portuária”.

Tunes explica que o foco da tecnologia no setor é criar automação nos processos existentes. Contêineres e caminhões com sensores que deem acesso a dados para tomada de decisões são possibilidades.

“Em Roterdã (na Holanda), temos digitalização 3D de todo o porto, o que permite fazer simulação para testes de eficiência e aprimorar as operações”, conta o representante da IBM, segundo o qual essa inovação torna o porto num local mais atrativo para negócios.

Exemplo capixaba

O diretor presidente da Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa), Luís Claudio Santana Montenegro, mostrou o que já está em funcionamento no Porto de Vitória. “Nós lançamos o desafio de criar um centro nacional de referência em tecnologia, em que se busque a inovação, e estamos dando o primeiro passo para isso”.

Lá, o VTMIS funciona desde o ano passado, e o projeto para a instituição da Cadeia Logística Portuária Inteligente (Portolog) está sendo desenvolvido e deve se tornar realidade. “A implantação da tecnologia está indo bem, mas por que não somos um modelo mundial? Os nossos processos são arcaicos e temos, culturalmente, um apego a esses processos”, pondera.

Montenegro afirma que a principal dificuldade para vencer esse desafio de mudança de cultura está na falta de confiabilidade. “Todo mundo desconfia de todo mundo. Uma autoridade não confia na informação da outra e, para resolver isso, só com colaboração”,  O dirigente dá como exemplo a fiscalização de contêineres, em que cada entidade responsável por determinado setor, como Receita Federal, Vigilância Sanitária e Segurança, pode abrir a mesma carga várias vezes. Isso seria sanado se um único agente fizesse uma inspeção e os demais confiassem no levantamento.

Montenegro defende parcerias com instituições de pesquisa e universidades para buscar a inovação, dando como exemplo o modelo seguido para o crescimento do Vale do Silício, polo norte-americano de referência mundial no desenvolvimento tecnológico.

O Portal Único, que integra órgãos do Governo Federal para o Comércio Exterior, é uma promessa para que informações integradas e de confiança circulem em breve.

“É um conceito de guichê único para o comércio exterior, que visa a dar mais agilidade ao trâmite. A inspeção é uma coisa que está prevista”, explica o coordenador geral de Normas e Facilitação de Comércio do Departamento de Competitividade no Comércio Exterior (Decoe), Felipe Caixeta. Ele expôs o projeto, que está sendo desenvolvido pelo Governo Federal.

Desde junho, pode-se emitir a Declaração Única de Exportação (DUE), que reduziu o tempo do procedimento em 30%. O Governo pretende ampliar o serviço para a importação.

O próximo passo da modernização do sistema, diz Caixeta, é o processamento antecipado das declarações de importação e exportação. “A mercadoria vai chegar ao Porto e já será liberada, o que vai ser um grande impacto, pois ela não vai precisar ser armazenada”.

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