Após decisão de desembarque de bois, ativistas mencionam maus-tratos de animais

Segundo eles, transporte dos animais até o Porto também feriu a legislação ambiental e sanitária

02/02/2018 - 11:01 - Atualizado em 02/02/2018 - 11:01

Ativistas comemoraram decisão da Justiça de ordenar desembarque no Porto (Foto: Fernanda Luz/AT)

Os ativistas que protestaram contra o embarque de bois no Ecoporto Santos garantem ter provas de que os animais são submetidos a maus-tratos. O deputado estadual Feliciano Filho (PSC) reúne relatos de que cerca de 10% dos bovinos adoecem ou morrem durante viagens de navio. 

 

“No primeiro embarque, temos evidências de que os animais tenham sido maltratados. Vários flagrantes foram feitos pelos ativistas e isso prova que eles não fizeram o transporte de forma regular. Não cumpriram legislação sanitária, legislação ambiental e, principalmente, causaram maus-tratos e violências aos animais”, destacou o ativista Leandro Ferro, que representa a Agência Nacional dos Direitos dos Animais (Anda). 

Na tarde de quinta-feira (1º), o juiz Márcio Kammer de Lima, da 2ª Vara da Fazenda Pública de Santos, determinou o desembarque dos quase 27 mil bois no navio Nada, que seguiriam viagem à Turquia ainda na quinta. A decisão atendeu ao pedido de ativistas que defendem os direitos dos animais. Com isso, a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) iniciou um planejamento logístico para garantir o acesso de caminhões para a remoção dos bois. 

Além de desordenar o desembarque dos bois, o juiz aponta também a necessidade de impedir novos embarques de carga viva no Porto e interditar a saída da embarcação com animais a bordo. Em caso de descumprimento, a multa estipulada foi de R$ 5 milhões por navio.

Transporte complicado

Para o deputado Feliciano Filho, o transporte até o Porto de Santos é rápido e curto diante de todas as dificuldades enfrentadas pelos animais durante a viagem de navio até o destino. Do cais santista até o Porto de Iskenderum, no Mar Mediterrâneo, são cerca de 16 dias de viagem. 

“Não adianta questionar e falar que não existem maus-tratos. O que acontece aqui é muito pouco perto dos mais de 15 dias de viagem. Historicamente, de acordo com depoimentos de pessoas que atuam em navios, cerca de 10% dos animais acabam morrendo. Há um veterinário só para cuidar dos animais até o destino. Como ele vai cuidar de 2,7 mil animais que adoecerem?”, questiona o parlamentar.

O deputado também aponta que a operação com carga viva pode causar danos ambientais. “Se cada boi produz de 20 a 30 quilos de excrementos por dia, imagine os excrementos de 27 mil bois que são jogados no mar a cada cinco dias? E quem estiver no porão vai viajar com excrementos até o joelho até ser abatido”. 

Polêmica

O embarque dos garrotes, touros jovens com peso médio de 250 quilos, é marcado por polêmicas. A primeira gira em torno da viabilidade da operação. Enquanto a área jurídica da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) apresentou ressalvas à operação, os técnicos e a diretoria executiva do órgão regulador apoiaram a exportação de gado vivo. 

A decisão gerou protestos entre ativistas que defendem a causa animal. Alguns deles fizeram bloqueios para impedir que os caminhões, que traziam em média 27 bois cada, entrassem no Ecoporto. Agentes da Guarda Portuária e a Polícia Militar (PM) foram destacados para garantir a operação.

Além disso, na última terça-feira (30), a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semam) de Santos multou a empresa Minerva Foods, proprietária da carga, em R$ 1.469.118,00 por irregularidades no transporte dos animais até o Porto de Santos. De acordo com a Prefeitura, a medida é resultado da força-tarefa que, no último final de semana, vistoriou e fotografou dezenas de caminhões que transportaram o gado.

Na fiscalização, foi constatado que os animais estavam estressados, excessivamente cansados e que as carrocerias dos caminhões usados no transporte dos animais estavam mal ventiladas. A empresa também foi acusada de despejar dejetos animais em via pública, contaminando a rede de drenagem.

A Prefeitura ainda vai investigar relatos de forte odor em alguns pontos da Cidade. Há dois dias, moradores reclamam de cheiro semelhante ao de esterco. A suspeita é de que ele seja da carga viva e de seus dejetos.

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