Vítima conta relatos do crime que matou jogador em Praia Grande

Um adolescente de 19 anos estava conversando com jogador de futebol Alan Junior Pereira Alves no momento dos disparos

13/01/2018 - 21:15 - Atualizado em 14/01/2018 - 09:02

Zagueiro Alan estava de férias em Praia Grande
(Foto: Arquivo Pessoal/Facebook)

A Polícia Civil de Praia Grande ainda não tem suspeitas para a autoria e a motivação dos disparos, que, na tarde de sexta-feira (13), mataram o jogador de futebol Alan Junior Pereira Alves, de 26 anos, no Anhanguera. Meio-campista do Deportivo y Social Santa Rita, time da 2ª divisão do Equador, o atleta, que passava férias na Cidade, estava se transferindo para o futebol sul-coreano.

O assassinato ocorreu na esquina das ruas Cora Coralina e Dezoito (do canal), por volta das 17h20. De acordo com testemunhas, os tiros foram efetuados por dois marginais, com os rostos cobertos por capacetes, sobre uma Honda Twister preta.
Além de matar o jogador, os tiros também atingiram o motorista Mafaldo Alexandre Pereira, de 41 anos, que conversava com a vítima e outras três pessoas na porta de um brechó. Baleado no maxilar, no peito, no abdômen, no cotovelo e na perna, o amigo de Alan foi operado horas depois do ataque e permanece estável, mas em estado grave. 

As outras três testemunhas não sofreram qualquer lesão. Uma delas, inclusive, revelou para A Tribuna como foram os rápidos segundos da ação criminosa. Sem identificar-se, com medo de retaliações, e chorando o tempo todo, o ajudante geral de 19 anos, conta que estava sentado ao lado de uma das vítimas no momento dos disparos. 

“Estávamos em cinco pessoas. Do meu lado, estava Mafaldo. Do lado dele, o Alan. Lembro que a gente estava conversando sobre futebol quando a moto preta virou da Rua Dezoito para a Cora Coralina já atirando na nossa direção. Na hora que escutei o primeiro tiro, estava de cabeça baixa. Mas, assustado, levantei e corri para a Rua Dezoito. Os outros dois amigos que não foram baleados também conseguiram fugir. Só  Alan e Mafaldo que ficaram caídos por causa dos ferimentos”, relata o jovem. 

Ao retornar ao local do crime, o ajudante geral conta que encontrou as vítimas sangrando, várias cápsulas deflagradas no chão e o muro do brechó, onde está pintada uma bandeira do Brasil, com diversas perfurações. “Eles (os criminosos) deram muitos tiros. Mafaldo levou cinco e o Alan recebeu mais de quatro. Isso sem falar nos que não acertaram ninguém”, diz a testemunha. 

Câmeras de monitoramento

De acordo com o sobrevivente, assim que os moradores notaram a gravidade da situação, socorreram os dois baleados ao PS Quietude. No entanto, Alan morreu logo após dar entrada na unidade médica, enquanto o motorista foi transferido ao Hospital Irmã Dulce. 

Era possível ver a marca do tiro no muro (à esquerda). Local onde os amigos conversavam (Fotos: Alberto Marques/AT)

Ainda conforme o jovem, os atiradores sequer pararam a moto para efetuar os disparos contra o grupo. Surpreendidas e preocupadas em se proteger dos disparos, as testemunhas não conseguiram anotar as placas do veículo. No entanto, os moradores afirmam que o caminho tomado pelos criminosos na hora da fuga é monitorado por câmeras da prefeitura.

Inconformada com a morte de Alan e com o estado do motorista, a dona do brechó onde o grupo de amigos batia papo também conversou com a Reportagem, sob anonimato, e revelou que se não fosse uma preguiça matinal, ela poderia ser uma das vítimas do ataque. 

“Acordei sem vontade de trabalhar e resolvi não abrir o brechó. Algumas pessoas me ligaram falando que queriam comprar umas roupas e até pensei em abrir a loja. Mas, por sorte, decidi ficar em casa mesmo. Foi Deus, porque esses tiros poderiam ter me atingido”. 

Mais um caso

A autoria e a motivação do crime são dois pontos de interrogação que não estão apenas na cabeça dos investigadores do caso. Os moradores do bairro também não imaginam quem seria o responsável pelo assassinato, tampouco os motivos do ataque. Atordoados, falam que a morte de Alan serviu para aumentar o mistério, pois, segundo eles, há cerca de dez dias, dois criminosos, também sobre uma moto preta, mataram um homem de 20 anos na Rua Ananias Batista de Meneses, duas antes da Cora Coralina. 

Um dos boatos levantados dentro do Anhanguera é de que criminosos da facção Família do Norte (FDN) estariam por trás da ação com o objetivo de assumir o controle do tráfico de drogas na Cidade, que hoje pertence ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Contudo, segundo os moradores, isso não faz sentido porque nenhuma dessas vítimas tem ou tinha envolvimento com o crime organizado. 

Para o sobrinho do motorista, o episódio desta sexta-feira foi cometido por engano. “Só consigo acreditar que eles (os criminosos) confundiram o Alan ou o meu tio com alguma outra pessoa. Todos que estavam ali são sossegados, não eram de confusão e não faziam uso de drogas. Não consigo pensar em outra coisa”. 

De plantão na Delegacia de Praia Grande, o delegado Flavio Goda Magário informa que as apurações do assassinato tiveram início ainda na noite de sexta-feira. Porém, ainda é cedo para fazer qualquer afirmações. “Realmente nenhuma das vítimas têm antecedentes criminais. Aliás, do grupo que ali estava, apenas um tem passagem pela polícia. Apesar disso, não dá para apontar qualquer caminho para as investigações”. 

Veja Mais