Universitário da Capital é espancado na orla do José Menino, em Santos

Crime aconteceu em plena luz do dia, na última sexta-feira. Vítima, que fala em homofobia, relatou o caso em rede social

11/07/2018 - 21:32 - Atualizado em 12/07/2018 - 14:16

Estudante registrou um boletim de ocorrência em
uma delegacia especializada em SP (Foto: Arquivo Pessoal)

O que era para ser um momento de lazer em pleno feriado prolongado transformou-se em revolta. Na última sexta-feira (6), dia em que a Seleção entrou em campo pelas quartas de final da Copa 2018, um estudante de Publicidade e Propaganda foi brutalmente agredido na orla da praia de Santos. A violência, mais um caso de homofobia, ocorreu por volta de meio-dia, no José Menino, e ganhou repercussão após a vítima publicar um desabafo, na última segunda-feira (9), em seu perfil em uma rede social. 

Lucas Acácio de Souza tem 23 anos. Ele estuda na Capital e veio a Santos na quinta-feira (5), na companhia de uma amiga. O objetivo dos amigos era aproveitar a noite santista e no dia seguinte assistir ao jogo da Seleção em algum bar da Cidade. 

“Na sexta-feira, estávamos na praia, passeando, quando, depois de um banho de mar, abordei um rapaz para pedir um isqueiro emprestado. Foi quando começaram as ofensas”, conta o jovem. 

Um dos acusados, segundo o estudante, teria pedido para o rapaz deixar o local e “não pisar na grama”. Na sequência, começaram os insultos, em decorrência de sua orientação sexual. “Minha amiga foi tirar satisfação com este rapaz, que estava com outro, sentado em um banco na praia. Foi logo depois que vieram pra cima de mim e me agrediram com diversos socos”. 

Em seguida, outros quatro homens se juntaram aos agressores e a violência contra o estudante só se agravou. “Recebi vários socos e chutes pelo corpo todo, e principalmente na cabeça. Cheguei a ficar desacordado por um tempo. Foi muita covardia”, relata o rapaz. 

“Um anjo”, segundo conta o estudante, teria então, oferecido ajuda. “Um morador de rua que estava ali foi a única pessoa que propôs a ajudar. Ele implorou que deixássemos o local e subíssemos em qualquer ônibus ali na orla”. 

Desnorteado com o episódio, o rapaz não quis procurar ajuda médica e retornou com a amiga, ainda muito abalada, para o hotel onde estavam hospedados na Cidade. Somente quando retornou para casa, tomou coragem de expor a violência a que foi submetido na internet e decidiu procurar uma delegacia especializada em crimes de intolerância para registrar o episódio de violência, que não teria sido o primeiro sofrido pelo estudante.  

Infelizmente já passei por isso em outras ocasiões. Desde criança sofro por conta disso e meio que sempre entrei no automático. Mas acho que isso tem que acabar. Preciso encarar o problema. Transformar a dor em luta, para que outras pessoas não passem por isso”. 

Nesta quarta-feira (11), o jovem passou por um exame de corpo de delito, em um IML da Capital. A esperança, agora, é de que imagens de circuitos de monitoramento na orla tenham flagrado a agressão. 

“Não foi a primeira agressão que sofri esse ano, que dirá na vida. Mas até quando? Até quando vão nos matar por sermos do jeito que somos? Até quando vão ignorar o problema? (...) Em 2017, 445 lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais foram mortos em crimes motivados por homofobia, o número representa uma vítima a cada 19 horas”. 

Procurada, a Guarda Civil Municipal (GCM) informou em nota que realiza rondas por toda a orla da praia, além de realizar monitoramento por meio das câmeras de segurança. "Sempre que verificada uma ocorrência, seja no local dos fatos ou por meio de imagens das câmeras, os guardas intercedem o mais prontamente possível, inclusive acionando a Polícia Militar quando necessário. No referido caso, a GCM está levantando as imagens para verificar se houve registro por parte do sistema de monitoramento".

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