Secretário de Defesa fala sobre morte e ocorrências em Guarujá

Eventos pirotécnicos e queima de fogos de hotel sem autorização contribuíram para a violência no Município

02/01/2018 - 20:58 - Atualizado em 02/01/2018 - 21:11

Secretário disse que objetivo era descentralizar queima
de fogos (Foto:Helder Lima/Prefeitura de Guarujá)

Eventos pirotécnicos na passagem de ano apenas na orla de Guarujá e a realização de uma queima de fogos sem autorização por parte de um hotel contribuíram para os episódios envolvendo o ladrão morto com um tiro na boca e o turista baleado no queixo durante assalto, respectivamente, nas praias das Pitangueiras e da Enseada.

A avaliação foi feita nesta terça-feira (02) pelo titular da Secretaria de Defesa e Convivência Social de Guarujá (Sedecon), Luiz Cláudio Venâncio. Com a experiência de capitão da reserva da Polícia Militar, ele disse que o objetivo da Prefeitura era descentralizar as queimas de fogos, realizando-as também na Praça 14 Bis, em Vicente de Carvalho, e na Praia do Perequê, além das orlas das Astúrias e das Pitangueiras, na zona turística.

Porém, liminar concedida pela Justiça em ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público (MP) às vésperas da passagem de ano, proibiu o Poder Público municipal de realizar os eventos no Perequê e na Praça 14 Bis. “Nossa finalidade era propiciar aos moradores dessas localidades maior acesso de lazer e evitar grandes concentrações de pessoas nas Astúrias e Pitangueiras, o que dificulta as ações de segurança pública”, justificou Venâncio.

Com o cancelamento dos eventos nas áreas periféricas, o afluxo de turistas e moradores às Pitangueiras e Astúrias foi “além do esperado”, apesar de Prefeitura e PM terem realizado quatro reuniões para tratar da segurança no Réveillon e de mobilizarem cerca de 450 policiais e guardas municipais nestas praias, prosseguiu o secretário. “Não temos número oficial, mas a estimativa é que mais de meio milhão de pessoas foi até a orla. As praias ficaram lotadas. Houve um congestionamento humano, porque o trânsito de veículos foi interditado por questões de segurança”.

Tapumes foram colocados e dificultaram a ação da polícia (Foto; Divulgação)

Em sua ação, o MP pediu o parecer da Polícia Militar, que se manifestou contra os eventos no Perequê e em Vicente de Carvalho sob a justificativa de insuficiência de contingente, O coronel Luiz Fernando Stefani, comandante do 21º BPM/I, opinou para A Tribuna que eventual descentralização dos locais de queimas de fogos não diminuiria o número total de ocorrências policiais, mas apenas o redistribuiria para os outros lugares.

Pirotecnia particular

Discordâncias à parte quanto ao número de pontos de queimas de fogos, secretário e comandante concordaram nas críticas que dispararam contra o Casa Grande Hotel, que fica na orla da Praia da Enseada. “Sem autorização da Prefeitura, o hotel promoveu espetáculo pirotécnico na faixa de areia e ainda afixou tapumes na área do evento. Essas barreiras dificultaram as ações da PM e da Guarda Civil Municipal (GCM), que não tinham se programado. O ladrão baleou o turista justamente nesse ponto”, declarou Venâncio.

Segundo o coronel Stefani, os tapumes afixados pelo hotel “viraram esconderijos de ladrões e a PM perdeu a visibilidade do público”. Nas areias das Astúrias e Pitangueiras foram colocadas 20 plataformas, nas quais policiais militares tinham visão panorâmica e, com lanternas de alto alcance, iluminavam possíveis focos de distúrbios, agilizando a intervenção por parte de outros PMs.

O titular da Sedecon disse que encaminhará documentos e fotografias referentes à queima de fogos do hotel à Advocacia-Geral do Município. O material será anexado a pedido a ser feito pela Prefeitura ao MP, no sentido de serem adotadas as medidas legais cabíveis contra o estabelecimento.

Diretor-geral do Casa Grande Hotel, Lourival de Pieri negou que o show pirotécnico do estabelecimento tenha sido realizado sem autorização. “Nossa queima de fogos é tradicional. Temos alvará há mais de 20 anos para realizá-la no Réveillon e todos os anos o renovamos. Quanto aos tapumes, os instalamos para dar mais segurança. Eles foram montados no mesmo dia do evento e já foram retirados”.

Balanço

Apesar das ocorrências registradas no Réveillon em Guarujá, o coronel Luiz Fernando Stefani disse que os números de roubos, furtos em geral e furtos de veículos sofreram reduções, respectivamente, de 27%, 31% e 47% entre os dias 20 de dezembro de 2016 e 1º de janeiro de 2017 e o mesmo período entre 2017 e 2018.

O comandante do 21º BPM/I negou que tenha ocorrido arrastões no município. “Esse termo foi criado na década de 80 no Rio de Janeiro e é utilizado de forma errada pela população e pela imprensa. Em Guarujá houve casos isolados de roubos em locais de grande concentração de pessoas, o que facilita a ação dos ladrões”.

Ainda conforme o coronel, a execução a tiros de um homem em Vicente de Carvalho não teve relação com o Réveillon, em razão das características do crime, do local onde foi cometido e da condição de ex-presidiário da vítima. Ele também minimizou a morte do ladrão de correntinha na faixa de areia das Pitangueiras. “Houve a reação, em legítima defesa, de um policial militar que estava de folga”. O marginal portava um revólver calibre 32.

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