Responsabilidade do pai do adolescente será apurada, diz delegada

A delegada Rita de Cássia Garcia Mendes irá investigar se o adolescente pegou a chave do carro escondido

09/11/2017 - 20:30 - Atualizado em 09/11/2017 - 23:19

Delegada Rita de Cássia investiga o caso
(Foto: Nirley Sena/AT)

Nove dias após causar a morte por atropelamento de um menino de apenas 2 anos e a sua tia, de 18, o adolescente que completa a maioridade penal em 16 de dezembro se apresentou na Delegacia da Infância e da Juventude (Diju) de Santos. O rapaz atribuiu o episódio a uma fatalidade, mas a delegada Rita de Cássia Garcia Mendes disse que as investigações prosseguem para apurar eventual responsabilidade penal do pai do infrator.

Essa hipótese foi admitida após A Tribuna perguntar à titular da Diju se o adolescente teve acesso à chave do Audi A3 envolvido no atropelamento com a ciência e permissão do pai ou se o rapaz a pegou escondido. “Nos foi dito hoje que o pai do adolescente sofre de Alzheimer, mas isso será apurado. Se for verdade, ele (pai) não poderia ser responsabilizado”, declarou Rita de Cássia.

Em depoimento no 2º DP de Santos, o homem que vendeu o carro, em 25 de outubro, declarou que o pai do adolescente foi quem o comprou para o filho, por R$ 57 mil à vista, como presente antecipado de aniversário de 18 anos do rapaz. O menor infrator é emancipado e registrou o Audi em seu nome, o que é possível. A emancipação, no entanto, não produz reflexos na esfera criminal e nem autoriza que se tire carteira de habilitação.

“Ele (adolescente) assumiu o atropelamento. Disse que foi atrapalhado por dois motociclistas que passaram à sua direita. Quanto ao carro, contou que ficava na garagem de casa, mas deveria ser por ele utilizado apenas quando completasse 18 anos e estivesse habilitado. Mas ele tinha acesso ao carro, que estava lá disponível. Inclusive, em data anterior ao atropelamento, disse que realizou um test drive”, informou a delegada.



Velocidade e câmeras

Embora não soubesse precisar a quantos quilômetros por hora transitava, o adolescente negou que estivesse em alta velocidade. “Ele disse que estava no fluxo normal de veículos e reduzia a velocidade porque mais adiante do local do atropelamento há um radar”, observou o advogado Alexandre Lourenço Gumiero, constituído para defender o rapaz.

“Ele nega dirigir em alta velocidade, mas pedimos ao IC (Instituto de Criminalística) analisar as imagens de câmeras de segurança para verificar se é possível realizar essa perícia”, declarou Rita de Cássia. Questionado sobre o fato de ter abandonado o Audi próximo ao local do duplo atropelamento e fugido a pé, o adolescente justificou que ficou com medo de ser agredido, porque logo se formou um tumulto.

O dono e motorista do Audi estava acompanhado de outro rapaz, conforme mostram as imagens de câmeras de segurança de um posto de combustível localizado perto do local do acidente. Logo após o atropelamento, os jovens pararam nesse estabelecimento e desembarcaram do carro. Deste ponto, o passageiro foi embora a pé, enquanto o adolescente reingressou no veículo para abandoná-lo nas imediações.

Gumiero disse que o passageiro foi identificado pelo adolescente à delegada e, em breve, deverá comparecer à Diju para depor. O advogado alegou ignorar se o acompanhante do motorista do Audi também é menor de idade. Por fim, o defensor reforçou a tese de “fatalidade”, dizendo que o cliente assume a responsabilidade pelo episódio, “mas foi um acidente e não podemos fazer disso uma caça às bruxas”.

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