Polícia tenta identificar motorista de carro que atropelou e matou criança

As vítimas foram atingidas no canteiro central da Avenida Dr. Waldemar Leão, no qual existe uma ciclovia

31/10/2017 - 20:40 - Atualizado em 31/10/2017 - 20:48

A Polícia Civil tenta identificar o motorista do Audi prata, de placa EEW-1943, de Santos, que atropelou uma jovem e o seu sobrinho, de apenas 2 anos, causando a morte da criança. O estado clínico da tia é grave, segundo familiares.

As vítimas foram atingidas no canteiro central da Avenida Dr. Waldemar Leão, no qual existe uma ciclovia. O atropelamento ocorreu perto do Túnel Rubens Ferreira Martins e o motorista fugiu com o carro, abandonando-o depois nas imediações.

Em alta velocidade, o Audi invadiu o canteiro central após desviar de um motociclista, quase atropelando-o, segundo informaram duas testemunhas que depuseram no 2º DP de Santos.

Enzo Henrique Siqueira Ricardo, que faria 3 anos no próximo domingo, faleceu a caminho da Santa Casa de Santos. A sua tia, Isabel Cristina Siqueira Rodrigues, de 18 anos, foi submetida a cirurgia, estando com hemorragia interna.

Esta informação foi prestada por Paulo César Ricardo Júnior, pai de Enzo e cunhado de Isabel. Ele estava trabalhando em uma empresa de logística marítima, situada no Marapé, quando foi avisado sobre a morte do filho.

Segundo Paulo César, Isabel desceu o Morro do Fontana com os dois filhos dele: Enzo e Felipe, de 7 anos. O objetivo era embarcar o menino maior no ônibus escolar que o levaria para o colégio. Para isso, tia e sobrinhos atravessaram a Waldemar Leão, porque o coletivo parou na pista sentido praia.

Ao iniciar o retorno ao Morro do Fontana apenas com Enzo, Isabel atravessou esta pista e parou no canteiro central. Antes de começar a travessia da via sentido Centro, ela e o pequeno Enzo foram atropelados pelo Audi.

O motorista fugiu com o carro, abandonando-o na Avenida Rangel Pestana, ao lado do Centro de Treinamento do Santos. Deste ponto, ele caminhou a pé em direção à própria Waldemar Leão, conforme contaram testemunhas. Um chumaço de cabelo ficou preso na parte superior do para-brisa.

Momentos depois, populares que saíram correndo atrás do automóvel o encontraram e passaram a danificá-lo. O grupo só parou com a chegada de policiais militares, que solicitaram um guincho para remover o Audi ao pátio do 2º DP.

Os PMs pesquisaram a placa do Audi e identificaram o homem em cujo nome está registrado o veículo. Os policiais também descobriram dois endereços do dono do carro, no Gonzaga e no Morro Nova Cintra, mas ele não foi encontrado em ambos os locais. 

Por causa dos atropelamentos, uma faixa da via ficou interditada (Foto: Luigi Bongiovanni/AT)

Investigação

Um homem que viu o motorista sair do automóvel e fugir a pé o descreveu como magro, baixo, branco e com cabelo raspado e “desenhado com alguns riscos”. Essas características não coincidem com as do dono do Audi, conforme informações que constam no banco de dados da Polícia Civil.

No cadastro do Audi há uma observação de “comunicação de venda”, sem a indicação do comprador. Os investigadores que apuram o episódio esperam que o dono do veículo se apresente para esclarecer para quem o vendeu ou eventualmente o emprestou, caso não seja quem o dirigisse no momento do atropelamento.

O homem que figura como proprietário do carro possui passagens por tráfico de drogas, tentativa de roubo e pelo crime previsto no Artigo 309 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB): dirigir veículo automotor, em via pública, sem a devida permissão ou habilitação ou, ainda, se cassado o direito de dirigir, gerando perigo de dano.

A delegada Daniela Perez Lázaro, responsável pelo inquérito policial, considerou que a morte do menino Enzo foi um homicídio doloso, previsto no Código Penal e punível com reclusão de seis a 20 anos de reclusão. “O motorista assumiu o risco de matar, porque dirigia em alta velocidade”.

A mesma tese jurídica da delegada, chamada pela doutrina de dolo eventual, é aplicável às lesões corporais sofridas pela tia da criança. Ao causador do acidente, Daniela também atribuiu os crimes de fuga de local de acidente e de trafegar em velocidade incompatível.

O homicídio previsto no CTB tem natureza culposa (decorrente de imprudência, negligência e imperícia), sendo a sua pena mais branda do que a do homicídio doloso, por variar de dois a quatro anos de detenção.

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