Polícia monta cerco e prende acusado de extorsão

Indivíduo foi detido em flagrante enquanto recebia um envelope da vítima

01/06/2018 - 16:01 - Atualizado em 01/06/2018 - 16:10

Um homem foi preso em flagrante acusado de participar de extorsão contra um engenheiro, de 45 anos. A chantagem foi feita para não serem denunciadas supostas irregularidades nas obras do trecho de São Vicente do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), nas quais a vítima trabalhou.

A captura do ajudante Edmilson da Silva Câmara, de 33 anos, ocorreu logo após ele receber do engenheiro quantia que imaginava ser de R$ 30 mil, na parte descoberta do estacionamento do Hipermercado Extra, na Avenida Ana Costa, no Campo Grande, em Santos.

A vítima estava sozinha no seu carro. Em uma viatura descaracterizada, parada nas imediações, policiais da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) monitoravam a ação e prenderam Edmilson depois que o engenheiro lhe entregou um pacote de dinheiro.

O delegado Leonardo Amorim Nunes Rivau autuou Edmilson em flagrante por extorsão. O crime é inafiançável e a sua pena varia de 5 anos e quatro meses a 15 anos de reclusão. Um segundo homem apontado como autor intelectual do delito conseguiu fugir, mas já está identificado.

“Agente da promotoria”

O engenheiro disse que recebeu telefonemas de um homem que se passou por “agente da Promotoria”, que lhe exigiu R$ 150 mil para não denunciar supostas irregularidades cometidas pela vítima nas obras do VLT.

Enquanto comunicava a extorsão à equipe do delegado Luiz Ricardo de Lara Dias Júnior e do investigador Paulo Carvalhal, na DIG, o engenheiro recebeu outra ligação do suposto integrante do Ministério Público, que exigia rapidez no pagamento, sob pena de serem ajuizadas ações cível e penal.

Os policiais orientaram a vítima a negociar a redução do valor e a combinar local e horário para a entrega do dinheiro. O autor da extorsão aceitou receber R$ 30 mil, sendo definido o estacionamento do Extra para o pagamento.

A equipe da DIG preparou maços falsos de dinheiro, com apenas cédulas verdadeiras nas pontas e folhas de papel como “recheio”. Totalizando R$ 200,00, as notas tiveram os seus números de série anotados, sendo realizado um pacote para ser entregue pelo engenheiro ao acusado.

Edmilson declarou que apenas foi convidado pelo suposto mentor para acompanhá-lo ao Extra com a finalidade de buscar o dinheiro de uma “dívida”. O acusado preso alegou ignorar a extorsão e a quantia a ser entregue.

Ainda conforme o ajudante, o autor intelectual justificou que “não falava” com o devedor. Por fim, Edmilson relatou que o mentor lhe apontou o carro da vítima e se distanciou, sob o pretexto de ir ao banheiro do hipermercado, onde não foi achado depois pelos policiais.

O homem que se passou por agente da promotoria foi informado por Edmilson. Ele deverá ser indiciado em inquérito policial. Eventual envolvimento de mais pessoas na extorsão não está descartado.

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