Polícia identifica seguranças e apura participações na agressão a estudante

Os funcionários do Baccará Bar & Grill agrediram, no último sábado, Lucas Martins de Paula, que está internado em estado grave

10/07/2018 - 21:01 - Atualizado em 10/07/2018 - 21:39

Um advogado, de 24 anos, e um empresário, de 22, também foram agredidos (Irandy Ribas/AT)

O delegado Luiz Henrique Ribeiro Artacho, titular do 3º DP de Santos, identificou nesta terça-feira (10) três seguranças do Baccará Bar & Grill, no Embaré, como envolvidos no espancamento contra um universitário. Os acusados tiveram as suas respectivas condutas individualizadas, mas as investigações prosseguem para esclarecer eventual participação de outras pessoas e analisar se o trio será indiciado por lesão corporal dolosa de natureza grave ou tentativa de homicídio.

Quartanista de Engenharia Elétrica, Lucas Martins de Paula, de 21 anos, continua internado estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa de Santos. Em coma induzido, ele passou por duas cirurgias de drenagem de hematoma intracraniano (coágulo de sangue no cérebro).

Além de Lucas, um advogado, de 24 anos, e um empresário, de 22, foram agredidos por seguranças. Os três jovens são amigos e a confusão ocorreu quando o universitário contestou a cobrança de uma cerveja long neck no valor de R$ 15,00, que alegou não ter consumido.

Os acusados

Durante o feriado de segunda-feira, a equipe do investigador Adriano Jorge de Mattos saiu a campo para identificar eventuais autores e intimá-los para depor nesta terça, quando o inquérito policial foi instaurado por Artacho.

O Baccará fica na Rua Oswaldo Cochrane, 64. A violência aconteceu na madrugada do último sábado (7) e foi registrada na Central de Polícia Judiciária (CPJ), porque o 3º DP é aberto para o atendimento ao público apenas nos dias úteis, entre 8 e 20 horas.

Também foram ouvidos, nesta terça, os amigos do estudante. Na condição de vítimas e testemunhas, eles identificaram os seguranças que os atacaram, detalhando a participação de cada um deles. Artacho ainda tomou os depoimentos das namoradas do advogado e do empresário, que os acompanhavam na casa noturna.

O advogado e o empresário apontaram Thiago Ozarias Souza como o segurança que agarrou Lucas, enquanto o colega Sammy Barreto Callender desferiu um soco no rosto do universitário, fazendo-o cair desmaiado. “Os relatos descrevem um nocaute”, destacou Adriano de Mattos.

O empresário ainda indicou Anderson Luiz Pereira Brito, chefe da segurança, como quem presenciou a agressão dos subordinados e nada fez para impedi-la. “Ele será indiciado porque tinha o dever de agir, mas se omitiu”, informou o delegado.

As namoradas dos jovens ouvidos ratificaram que Thiago foi quem imobilizou Lucas. Porém, alegaram que o autor do soco desferido no estudante, devido à posição, ficou fora do campo de visão delas.

Artacho aguarda a recuperação de Lucas para ouvi-lo. A versão desta vítima e os laudos de seus exames de corpo de delito e da sua ficha clínica serão levados em conta, junto com as demais provas, para o enquadramento penal dos acusados até agora reconhecidos pelas outras vítimas.

Na hipótese de indiciamento por tentativa de homicídio por dolo eventual, os três seguranças deverão ser levados a júri popular. O dolo eventual é caracterizado pela conduta de quem, embora não queira diretamente o resultado, assume o risco de produzi-lo.

Depoimento do empresário

O empresário Victor Alves Karan, proprietário do Baccará, deverá prestar depoimento ainda nesta semana sobre o espancamento atribuído a seguranças que trabalham em sua casa noturna. Segundo o delegado Artacho, o dono do bar disse de modo informal que não há imagens do ocorrido, porque câmeras do estabelecimento estavam inoperantes.

“Devido a uma recente chuva, conforme informou o proprietário, houve curto-circuito e incêndio dos equipamentos de filmagem. Estamos apurando a veracidade desse informação e pedimos que nos seja encaminhada eventual gravação do episódio feita por celular. Garantimos o anonimato de quem fornecer esse material”, disse o titular do 3º DP.

Embora não se cogite a responsabilidade criminal do empresário pela violência contra os clientes, ele poderá ser acionado judicialmente na esfera cível por danos material, moral e estético, em razão das condutas de quem espancou as vítimas na qualidade de seguranças da casa noturna.

O advogado João Manoel Armôa Júnior, que representa a casa noturna, reconheceu nesta terça-feira  que os seguranças do estabelecimento agiram de modo “desproporcional”. Porém, alegou que a gravidade da lesão no universitário decorreu de uma queda do jovem, que bateu a cabeça no chão.

Na segunda-feira, A Tribuna entrou em contato com o chefe da segurança e ele não quis se pronunciar sobre o caso. Nesta terça-feira, a Reportagem encontrou Sammy no 3º DP e ele também manifestou o desejo de nada declarar.

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