Polícia apreende quase 400 kg de cocaína 'pura' em Guarujá

Droga tinha como destino o porto francês de Le Havre. Entorpecente seria embarcado pelo cais santista

21/06/2018 - 15:15 - Atualizado em 21/06/2018 - 15:20

Droga foi apreendida em galpão localizado no Jardim Boa Esperança, em Guarujá (Foto: Divulgação) 

A Polícia Civil apreendeu 369,5 quilos de cocaína com elevado teor de pureza e frustrou a sua remessa para o porto francês de Le Havre, desarticulando uma rota do narcotráfico internacional via Porto de Santos. A apreensão foi o resultado mais importante de operação de 24 horas deflagrada pelo Departamento de Polícia Judiciária do Interior-6 (Deinter-6).

O encontro da droga aconteceu no final da tarde de quarta-feira no galpão da Rua Brigadeiro Eduardo Gomes, 637, no Jardim Boa Esperança, em Guarujá. Após dispararem na direção de policiais da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), pessoas que estavam no local conseguiram fugir pelos fundos.

Chefiada pelo delegado Luiz Ricardo de Lara Dias Júnior e pelo investigador Paulo Carvalhal, a equipe da DIG foi ao galpão checar informação de uma “movimentação suspeita” no local. Inicialmente, os policiais imaginavam se tratar de algo relacionado ao furto ou roubo de cargas, delitos reprimidos por um setor específico da especializada.

Tão logo chegaram ao pátio, os investigadores foram surpreendidos por tiros efetuados do seu interior. Eles revidaram e invadiram o local após cessarem os disparos. Os criminosos tinham escapado pelos fundos, mas deixaram ligado um caminhão Volvo branco, modelo NL10 320. Em um reboque azul acoplado ao veículo havia um contêiner de 20 pés com o lacre violado.

No chão, ao lado do caminhão, havia dois bags (bolsas de carga) com 351 tijolos de cocaína. Pesando 369,5 quilos, o entorpecente estava escondido em uma carga de minério a granel. “Os bags foram retirados do contêiner para a introdução clandestina da droga no meio da carga lícita. O destino do produto seria o Porto de Le Havre, na França”, conta Lara.

Grupo organizado

Embora ninguém tenha sido preso em flagrante, as investigações para responsabilizar criminalmente os envolvidos no esquema de narcotráfico internacional estão adiantadas. Elas revelam uma estrutura empresarial com divisão de tarefas entre os seus membros, para que tudo desse certo, desde o transporte da droga a um terminal portuário até o levantamento de informações privilegiadas sobre o navio a ser embarcado o entorpecente.

No caminhão e no galpão foram apreendidos dois aparelhos conhecidos no submundo do crime como “capetinha” ou “chapolim”. Eles bloqueiam o sinal de celulares e de rastreadores geralmente instalados em caminhões. “Com esses equipamentos, a quadrilha desvia a rota do caminhão para colocar a cocaína dentro do contêiner sem deixar pistas”, explica o delegado da DIG.

Câmeras de segurança instaladas no galpão e direcionadas para a rua alertaram os criminosos. Em uma sala construída nos fundos do terreno havia um monitor que transmitia as imagens em tempo real. No pátio também foi apreendida uma submetralhadora Taurus Famae calibre .40.

O armamento de grosso calibre e de uso restrito é utilizado pelas polícias Civil e Militar de São Paulo. Provavelmente, ele foi furtado ou roubado de uma dessas instituições, porque está com o seu número de série raspado. Perícia será realizada na submetralhadora para se descobrir a sua procedência.

A equipe da DIG chegou ao galpão às 17 horas e ali permaneceu até as 22h30, após o término da conferência de todos os bags com minério de ferro que estavam no contêiner e fora dele. Peritos criminais participaram do trabalho de inspeção das bolsas de carga e durante esse período ninguém chegou ao local.

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