PM que matou estudante não quis confessar crime a delegado

Assassino foi orientado pelo irmão, que é advogado, a se manifestar oficialmente diante de um juiz

20/09/2017 - 13:10 - Atualizado em 20/09/2017 - 13:30

Jarbas foi orientado a falar diante de um juiz
(Foto:Reprodução)

A confissão informal do soldado da Polícia Militar Jarbas Colferai Neto aos investigadores, após ser preso pela morte do estudante Matheus Garcia Vasconcelos Alves, de 24 anos, não foi confirmada por ele ao ser interrogado pelo delegado Luís Carlos Cunha. Ao se manifestar oficialmente, já orientado por um irmão, que é advogado e compareceu à Delegacia de São Vicente, o policial militar manifestou o desejo de apenas falar diante de um juiz, conforme garante a Constituição.

Cunha, no entanto, requereu a prisão temporária de Jarbas. O seu pedido foi embasado pelos depoimentos de três oficiais da Polícia Militar, um dos quais capitão e outro do Serviço Reservado. Eles ouviram o acusado admitir que atirou na vítima por ciúme.

Com parecer favorável do promotor André Luiz dos Santos, o juiz Rodrigo Barbosa Sales, da 3ª Vara Criminal de São Vicente, decretou a temporária de Jarbas por 30 dias, às 19h15. Por se tratar o homicídio qualificado de crime hediondo, esse prazo pode ser prorrogado mais uma vez, por igual período. Até lá, Cunha espera concluir o inquérito e pedir a preventiva do policial.

Lotado no 39º BPM/I (São Vicente), Jarbas é soldado e foi detido dentro do batalhão, ontem à tarde, durante sua jornada de trabalho. Informados pelo delegado sobre o provável envolvimento do policial no homicídio, os seus superiores o desarmaram e o conduziram à delegacia. Após a decretação da temporária, o acusado foi levado ao Presídio Militar Romão Gomes, em São Paulo. 

Premeditado

O assassino conversava havia pelo menos seis meses pela internet com o universitário Matheus Garcia Vasconcellos Alves, assassinado com um tiro na nuca na noite de segunda-feira (18). No Messenger, do Facebook, o PM se passava pela namorada.

“De modo informal, ele (Jarbas) confessou que há seis meses usava o Facebook da mulher para conversar com o estudante e tentar marcar um encontro com ele, porque desconfiava de uma traição. Mas na conversa de segunda-feira à noite, o policial militar foi mais insistente e o universitário, apesar de relutar, acabou indo ao encontro que imaginava ser com a jovem”, detalhou o investigador Ricardo Mendes. 

Crime ocorreu por volta das 21h40, na Rua Nicolau Guirão Pérez, Parque Bitaru (Foto: Lethicia Gabriela/AT)

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