''Não procede essa história de inveja'', diz acusada de matar vizinha

Em entrevista exclusiva, Angélica da Cruz fala sobre o crime e alega que agiu em legítima defesa

16/01/2018 - 20:19 - Atualizado em 16/01/2018 - 20:20

Angélica diz que Érica e as irmãs começaram
a agredi-la (Foto: Rogério Soares/AT)

Angélica da Cruz, acusada de matar a vizinha, na noite de sábado (13), em Monte Cabrão, Área Continental de Santos, não negou apenas o crime, alegando ter agido em legítima defesa. Ela também refutou a suposta motivação do homicídio, que seria inveja dela em relação a Érica e a sua intenção de ocupar a vaga de auxiliar administrativa da vítima fatal em um pedreira.

“Enviei currículo para a mesma empresa em que ela trabalhava. Entreguei na mão do chefe dela e pedi um emprego. Poderia ser em qualquer lugar, não importa o serviço”, declarou Angélica em entrevista exclusiva para A Tribuna.

“Falei que poderia fazer trabalho braçal, poderia quebrar concreto. Não era para a vaga dela (Érica), porque não tenho faculdade de Administração de Empresas como ela. Como vou ocupar o cargo de uma pessoa, se não tenho a qualificação profissional dela? Não procede essa história de inveja”, acrescentou a acusada.

Porém, ainda conforme Angélica, a entrega do currículo desencadeou em Érica uma reação que não esperava por parte da vizinha. “Mas aí, ela começou a me ofender verbalmente e pelas redes sociais. Nunca respondi e isso pode ser verificado no meu Facebook”.

Sobre a confusão do último sábado à noite, Angélica disse que tinha acabado de amamentar a filha e entregá-la para o companheiro, quando surgiram Érica e as irmãs dela. “Elas passaram pela barraca, começaram a me agredir e começou a pancadaria”.



A acusada afirmou, inclusive, não se recordar de ter esfaqueado Érica. Ela disse que apenas estava se “debatendo” para se proteger, cogitando a possibilidade de a vítima fatal ter sido golpeada durante a confusão por uma das irmãs.

Com as pernas, os braços e o pescoço arranhados, Angélica acusou a mãe de Érica de tê-la lesionado e ainda tentado atingi-la com uma facada. A entrevista foi concedida momentos antes de a acusada ser removida à cadeia.



Vítimas refutam

Após interrogar Angélica, o delegado Alfino foi ao hospital onde estão internadas Daniela e Débora, irmãs de Érica, e tomou os seus depoimentos. “Elas passam bem e confirmaram que Angélica foi quem tomou a iniciativa do ataque a facadas, rechaçando a versão de legítima defesa da acusada”.

A prorrogação do prazo da prisão temporária de Angélica pode ser requerida uma vez e o delegado adiantou que deverá formular esse pedido antes de concluir as investigações e solicitar a preventiva dela. As eventuais participações no crime do pai e da madrasta da vendedora ainda são apuradas.

Veja Mais