Mulher seria executada pelo PCC por dívida de amigo

Vítima indicou o comprador de um carregamento de drogas avaliado em R$ 180 mil

20/09/2018 - 21:03 - Atualizado em 20/09/2018 - 21:04

Vítima foi sequestrada, presa em cativeiro, torturada e seria
 morta por não divulgar identidade de amigo (Divulgação)

A mulher que seria executada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), após ser condenada pelo “tribunal do crime”, pagaria com a vida, a dívida de um amigo que ela indicou à facção  e não pagou por um carregamento de drogas avaliado em R$ 180 mil.

Sequestrada, ela foi levada à favela da Prainha, em Vicente de Carvalho, para dar informações sobre o amigo, como o nome e o endereço do homem que negociou a carga e não honrou o pagamento. Os criminosos também queriam dados sobre a família do suposto devedor.

A mulher, moradora da Zona Noroeste, em Santos, alegou ignorar essas informações e teve a pena de morte decretada. Com as pernas imobilizadas com pedaços de fio e colocada ao lado de um galão com cinco litros de combustíveis, ela apenas aguardava a chegada de um barco para levá-la ao local da execução.

Suspeita-se que o assassinato seria cometido na Vila dos Pescadores ou na Vila Esperança, ambas em Cubatão.

Em execuções desse tipo, os criminosos costumam incendiar os cadáveres para eliminar vestígios dos homicídios. Além disso, ainda enterram os restos mortais, tornando remotas as possibilidades de se obter provas da materialidade dos assassinatos e frustrando a identificação das vítimas.

Operação contra o tráfico

A descoberta da palafita utilizada como cativeiro ocorreu por volta das 23h30 de quarta-feira (19), durante operação do 2º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) para reprimir o tráfico de drogas na Prainha. Na terça-feira (18) à noite, esse grupo de elite da Polícia Militar já havia prendido um morador da favela que possuía em casa 80 quilos de maconha.

Na quarta-feira, os policiais viram uma mulher em frente a um bar e notaram que ela ficou apreensiva. Ao lado do comércio, no mesmo barraco, há uma porta e os PMs a abriram, se deparando com a vítima amarrada em um cubículo de aproximadamente um metro quadrado. Ao vê-los, ela suplicou: “Vão me matar. Pelo amor de Deus, me ajude”.

A suspeita atuava como vigia do cativeiro, situado na faixa de areia, às margens do canal do estuário. A sequestrada acusou a mulher de também participar do tribunal do crime com outros marginais, que não foram encontrados. Três envolvidos na sessão do PCC já estão identificados. Por meio deles, a Polícia Civil espera chegar aos demais.

Com base no Provimento nº 32/2000, da Corregedoria Geral de Justiça, o delegado Thiago Nemi Bonametti, da Delegacia de Guarujá, mantém em sigilo o nome da vítima devido ao potencial risco de retaliações que ela corre. Ele autuou Bianca em flagrante pelos delitos de tortura, tentativa de homicídio e de integrar organização criminosa.

Segundo o delegado, a vítima era mantida em cárcere privado por várias horas, sendo submetida a intenso sofrimento psicológico para que revelasse o paradeiro do suposto devedor de dinheiro à facção. Bonametti acrescentou que a dona do bar tinha conhecimento de tudo, fornecendo o local do cativeiro, exercendo a função de vigilância e aprovando a conduta dos comparsas.

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