Mulher denuncia abuso sexual na UPA Central de Santos

O caso aconteceu por volta das 17h30 desta quinta-feira

08/12/2017 - 00:16 - Atualizado em 08/12/2017 - 13:37

Homem levantou a blusa da vítima  e sugou os seios
(Foto: Alberto Marques/AT)

Uma mulher de 43 anos acusou um técnico de gesso da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Central de Santos de abuso sexual, durante o procedimento para colocação de um colar cervical. O caso aconteceu por volta das 17h30 desta quinta-feira (7).

Segundo a delegada da Central de Polícia Judiciária (CPJ), Claudia Santana Barazal, a vítima compareceu ao 1º Distrito Policial da Cidade, onde relatou todo o ocorrido.

De acordo com a vítima, após receber uma guia médica com a indicação de remédios e uma outra para imobilizar o pescoço, ela se dirigiu à farmácia do local, mas como não havia ninguém para atendê-la, decidiu retornar ao consultório médico. Nesse momento, segundo contou à polícia, ela foi abordada pelo técnico de gesso, que pegou as guias da mão da paciente e disse que ela não precisaria comprar o colar cervical, pois a unidade tinha disponível.

Ainda conforme o depoimento, o acusado, então, levou a paciente até uma sala, a acomodou em uma cadeira e fez uma espécie de massagem no ombro da mulher, sob a alegação de que ela estava sendo preparada para a imobilização da cervical.

No registro da ocorrência consta que o profissional deixou a sala e retornou à farmácia, em uma tentativa de “dissimular sua real intenção ilícita”, para checar os medicamentos da paciente. Novamente, ninguém estava no local e o técnico de gesso voltou para encontrar a vítima.

De acordo com o relato, desta vez, no retorno, ele trancou a porta e ficou de joelhos em frente à paciente. O acusado começou a desabotoar a blusa da mulher e a tocar a região do tórax, perguntando se ela sentia alguma dor. A vítima respondia aos questionamentos, quando foi surpreendida e sofreu o abuso.

A vítima relatou que, assustada e em defesa, afastou-se do agressor, mas foi impedida de sair da sala, pois a porta estava fechada. Consta no Boletim de Ocorrência que ela implorou para ser liberada, o que não aconteceu de imediato.

A vítima teve que prometer não contar o caso a ninguém para que a porta fosse aberta. O acusado concordou e pediu que a história não fosse adiante, porque tem duas filhas e é pai de família.

Assim que a porta foi aberta, a mulher correu para a rua em busca de socorro. O técnico de gesso ainda chegou a seguir a paciente e reforçar o pedido para que não contasse o ocorrido para ninguém, mas não adiantou.

A Polícia Militar foi acionada, mas, ao chegar ao local, o homem já não estava mais na unidade. Representantes da UPA também fizeram uma vistoria, sem êxito, pelas dependências.  

Os policiais de São Vicente, onde mora o acusado, chegaram a procurá-lo em casa e também não tiveram sucesso.

Fuga

Um profissional que controla o acesso da UPA disse ter visto o técnico de gesso deixando a unidade de mochila. O funcionário contou ter estranhado o horário da saída, cerca de três horas antes do expediente.     

O caso foi encaminhado para a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), onde será dada sequência à investigação.

Resposta

A Secretaria de Saúde de Santos informou ter acionado a Fundação do ABC, entidade responsável pela gestão da UPA Central, para a apuração rigorosa dos fatos denunciados.

Gestores da secretaria e da fundação acompanham o caso e estiveram no 1º Distrito Policial pra oferecer assistência à paciente e apoiar a investigação policial.

Já a Fundação ABC confirmou a abertura de sindicância para apurar a denúncia.

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