MP pede inquérito para apurar ação da PM na Vila Mathias

Pedreiro de 44 anos morreu depois de ser baleado por um policial. Filho da vítima foi preso por tráfico de drogas

19/06/2017 - 07:50 - Atualizado em 19/06/2017 - 08:47

Após ver o pai ser baleado, Weslley teria quebrado,
por desespero, o vidro da janela (Foto: Nirley Sena)

O policial que atirou contra o pedreiro Railton Alves dos Santos, homem que morreu ao tentar salvar o filho Weslley dos Santos, durante fuga da polícia na noite de sábado (20), em Santos, teria localizado uma sacola com entorpecentes dentro da residência. Amigo de Weslley, o estudante que o acompanhava no início da abordagem afirmou em depoimento que nunca teve conhecimento do envolvimento do ajudante de pedreiro com o comércio de entorpecentes. 

Advogado de Weslley, Thiago Huber irá entrar com um recurso pedindo a soltura imediata do acusado. “As versões são totalmente conflitantes. O Weslley nega ter atacado o policial com um pedaço de vidro, nega que o pai estava armado com uma faca e nega que a droga estava na sua casa. Além disso, a entrada do policial na residência foi ilegal”, afirma Huber.

MP vê indícios de falha

Promotor de Justiça de Santos, João Carlos Meirelles Ortiz pediu a conversão da prisão em flagrante de Weslley para prisão preventiva, em virtude da quantidade de drogas apreendidas. Porém, assim como Huber, ele também viu indícios de falha na ação da PM. 

“Os policiais ingressaram na casa de Railton sem que este tivesse franqueado a entrada, sem mandado e sem que houvesse notícia de que no local estaria ocorrendo um crime. O crime de tráfico, se ocorreu, foi apurado por força de uma ação não muito bem explicada da PM”, mencionou em sua manifestação ao Ministério Público. 

“Não queremos com tais considerações macular os atos policiais, de prisão em flagrante, lavratura do auto, apreensão de drogas e condução do indiciado (...) Contudo, há que se verificar as circunstâncias em que ocorreu o crime de homicídio, razão pela qual estou requisitando a instauração de inquérito policial”, acrescenta Ortiz.

Polícia Militar

Procurada, a PM, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que irá aguardar depoimentos de quem possa ajudar na elucidação do caso para que eles sejam juntados ao inquérito já instaurado. 

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