Menino de 2 anos desaparece após pai agredir mulher em Santos

Flávia Bianca Trombina de Gois, de 40 anos, alega que foi espancada e teve o filho levado à força pelo ex-companheiro

14/11/2017 - 20:45 - Atualizado em 14/11/2017 - 21:43

Quatro boletins de ocorrência em um ano, um caso de amor à beira de uma tragédia e uma criança de 2 anos. Esses elementos constituem o abismo que separa Flavia Bianca Trombina de Gois, de 40 anos, e o ex-companheiro, a quem ela acusa de repetidas agressões e de ter levado à força o filho de ambos, na última semana. No entanto, o caso ganha contornos ainda mais dramáticos: A Tribuna apurou que, ano passado, o ex-companheiro registrou um boletim de ocorrência contra ela por agressão com uma faca. 

Moradora da Zona Noroeste, Flavia conta a sua parte do drama vivido com o ex-companheiro nos últimos anos. A última briga entre ambos ocorreu na quinta-feira. Mesmo separados, eles ainda moravam juntos. Na ocasião, de acordo com ela, o homem chegou da rua e foi dormir. Assim que acordou, começou a agredi-la.

“Ele me bateu muito. Me ameaçou com a faca, chutou minhas costelas e eu desmaiei. Meu filho me chamava, vendo tudo aquilo, e eu não conseguia levantar para pegá-lo. Foi humilhante. Ele me puxou pelo cabelo e me jogou para fora de casa. Os roxos vão embora, mas o trauma fica para sempre”. 

Ainda de acordo com Flavia, após a agressão, ela deixou o filho com a vizinha. “Fui pedir ajuda aos policiais na avenida e esperava que ele fosse preso pela Lei Maria da Penha”. Quando retornou à casa, o homem já estava com o filho dentro do carro indo embora. “Foi questão de 15 minutos. Quando voltei, ele passou por mim com o meu filho dentro do carro”.

Desde então, ela segue desesperada à procura da criança. “Eu quero meu neném. Não sei como ele está. Ele é meu filho e o quero de volta. A última informação que tive por uma parente do meu ex é que meu filho estaria em São Paulo e o pai dele em Ilha Comprida”. 

Agressão ocorreu na última quinta-feira (9) na Zona Noroeste (Foto: Arquivo Pessoal/G1)

Primeiro amor

Flavia lembra que os dois se conheceram e começaram a namorar quando ela tinha 15 anos. Pouco tempo depois, eles seguiram caminhos diferentes. E só após 24 anos se reencontraram e iniciaram um relacionamento que durou dois anos e sete meses. “Ele era maravilhoso, um homem encantador. Planejei ter meu filho com ele”.

Ainda segundo Flavia, as agressões começaram assim que ela engravidou. “Ele estava no bar e fui buscá-lo. Ele não gostou e me bateu. Com cinco meses de gestação, me agrediu verbalmente. Não vou mentir, já apontei uma faca pra ele também, mas sempre para me defender. No começo, me culpava por ele ser violento, já que sou muito nervosa”.a”.

Ocorrências

A Tribuna apurou que há quatro boletins de ocorrência registrados em nome do casal. Um deles, de novembro de 2016, já citado na abertura desta reportagem, aponta que ela teria esfaqueado o ex-companheiro na região abdominal. 

Os outros foram registrados neste mês: um deles relata a agressão que Flavia sofreu na semana passada e o desaparecimento do filho; e o último, lavrado pelo ex-marido, dá conta de que ela teria roubado dinheiro do ex-companheiro e quebrado o carro e a porta da casa.

Sobre os boletins contra ela, Flavia confirmou ter quebrado o veículo porque o homem já a havia ameaçado de levar a criança embora. A Reportagem tentou contato com o pai da criança, mas não conseguiu localizá-lo. 

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