Mãe de menina morta após inalar desodorante vigiava acesso na web

Suspeita é de que criança de 7 anos tenha participado de ‘desafio do aerossol’

08/02/2018 - 11:42 - Atualizado em 08/02/2018 - 11:50

Criança morreu no último sábado, em São Bernardo
do Campo (Foto: Reprodução/Facebook)

A mãe da menina de 7 anos, que morreu no último sábado (3), depois de inalar desodorante aerossol, em São Bernardo do Campo, acredita que a filha tenha visto o vídeo do “desafio do desodorante” no aparelho de outra pessoa. A menina morreu em decorrência de uma parada cardíaca. Minutos antes, ela teria assistido a um vídeo do suposto desafio nas redes sociais.  

Conforme a mãe da criança, Márcia Gonçalves, de 39 anos, em entrevista ao Estado de S.Paulo, Adrielly Gonçalves tinha ganhado um aparelho de uma tia, mas todo o conteúdo que ela acessava via celular era vigiado pela família. 

"Vasculhamos todo o celular dela nesses últimos dias e não encontramos nada que não fosse apropriado para a idade dela. No histórico só tem vídeos da Baby Alive (uma boneca) e de desenhos que ela assistia na televisão", conta a mãe.

Ainda conforme a mãe da menina, o filho de 10 anos contou ter visto uma vez a irmã tentando inalar o desodorante. “Ele disse que deu bronca nela, mas deveria ter me contado antes de essa tragédia acontecer."

Desafio

O desafio, segundo a família da criança, consiste em inalar o desodorante e manter a boca fechada pelo máximo de tempo. A menina que estava na casa de uma vizinha, enquanto a mãe trabalhava, inalou o produto enquanto estava sozinha e desmaiou. 

"Cheguei em casa e a encontrei deitada de bruços na minha cama. Achei que ela estava dormindo, até porque já eram 2 horas. Tomei um banho e fui deitar do lado dela. Foi quando percebi um forte cheiro de desodorante e vi que ela estava desmaiada", conta a mãe, que é motorista de ônibus e trabalhava na escala noturna quando a menina morreu.

Adrielly foi socorrida à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do União às 4h de sábado, segundo informou a Prefeitura de São Bernardo. Ela chegou à unidade com parada cardiorrespiratória. "Os médicos realizaram manobras de atendimento para reanimar a criança, mas ela veio a óbito minutos depois", diz a nota. 

A morte de Adrielly está sendo investigada pelo 8.º Distrito Policial de São Bernardo. O Instituto Médico-Legal ainda vai apresentar um laudo sobre o caso.

Outros exemplos 

Além do desafio de inalar desodorante, há também outras “brincadeiras”, quase sempre feitas por crianças, com o produto. Em um deles, o desafio é aplicar o desodorante em uma área localizada da pele pelo máximo de tempo, causando queimaduras. Relatos de casos do tipo também já foram registrados em outros países, como a Inglaterra, o que motivou alerta de especialistas.

Nos últimos meses, um suposto jogo virtual chamado Baleia Azul também mobilizou pais e autoridades do País e no exterior. O desafio, com 50 níveis de dificuldade, tem o suicídio como resultado final. Em pelo menos oito estados brasileiros, houve suicídios e mutilações com suspeitas de ligação com o Baleia Azul.

Para Rodrigo Nejm, diretor de prevenção e atendimento da SaferNet, ONG de direitos humanos na web, é fundamental não culpar a família. “Infelizmente, os pais ainda têm dificuldades em perceber a internet como uma grande praça pública com mais de 3 bilhões de pessoas. Uma criança de 7 anos certamente não tem maturidade para desfrutar da liberdade em uma praça pública como essa”, destaca. 

“Muitas vezes, os pais acreditam que a criança que acessa a internet em casa está segura e sob controle, mas esquecem da dimensão pública do espaço virtual”, completa. 

No Brasil, um em cada dez adolescentes de 11 a 17 anos acessa conteúdo na internet sobre formas de se ferir – e um em cada 20, de se suicidar, de acordo com o Centro de Estudos Sobre Tecnologias da Informação e Comunicação (Cetic).  

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