Justiça condena motorista que atropelou o ciclista Cláudio Clarindo

Gabriel Bensdorp, de 26 anos, pegou mais de dois anos de prisão em regime aberto

19/06/2018 - 21:19 - Atualizado em 19/06/2018 - 21:41

Clarindo era considerado um dos 10 maiores ciclistas de longa distância do mundo (Foto: Fernanda Luz/AT)

A Justiça condenou o motorista que invadiu o acostamento da Rodovia Rio-Santos pela contramão e atingiu três ciclistas, matando um deles. A vítima fatal é Cláudio Clarindo de Oliveira, de 38 anos, considerado um dos dez maiores ciclistas de longa distância do mundo. O réu deverá prestar serviços comunitários e pagar um salário mínimo aos sobreviventes e aos dependentes do falecido.

A juíza Silvana Amneris Rôlo Pereira Borges, da 6ª Vara Criminal de Santos, condenou Gabriel Bensdorp Aguiar Oliveira, de 26 anos, ao reconhecer que ele cometeu um crime de homicídio e dois de lesão corporal na direção de veículo automotor, todos na modalidade culposa (sem intenção), por agir com “imprudência”.

A pena total pelos três delitos foi fixada em dois anos, quatro meses e 24 dias de detenção, em regime aberto. Porém, por fazer o réu jus à substituição da sanção privativa de liberdade por outras restritivas de direitos, conforme previsão do Artigo 44 do Código Penal, a magistrado aplicou a benesse.

Sob a direção de Gabriel Bensdorp, carro atingiu três ciclistas no acostamento (Foto: João Paulo de Castro/G1)

De acordo com a sentença, com a substituição da pena, Gabriel deverá prestar pelo mesmo tempo da pena privativa de liberdade (dois anos, quatro meses e 24 dias) serviços a entidade assistencial, hospital, escola, orfanato ou outro estabelecimento do gênero, que integrem programas comunitários ou estatais.

Silvana Borges impôs outra sanção restritiva de direito, consistente no pagamento de prestação pecuniária de um salário mínimo (R$ 954,00) às vítimas sobreviventes e aos descendentes de Clarindo. A juíza fixou o valor com base nas condições econômicas de réu, que trabalha como vendedor em uma loja de móveis usados e recebe salário de R$ 1.350,00. Segundo a magistrada, a quantia “revela-se necessária e suficiente à reprovação da conduta do acusado”.

Por fim, a pedido do advogado Fábio Menezes Ziliotti, que atuou no processo como assistente da acusação, a juíza aplicou a Gabriel a punição administrativa de suspensão da habilitação para conduzir veículo automotor por período idêntico ao da prestação de serviços à comunidade.

Jacó Amorim fraturou a tíbia e
o fêmur  (Foto: Arquivo/AT)

Locomoção comprometida

O acidente aconteceu por volta das 7h30 de 25 de janeiro de 2016, no km 243,3 da Rio-Santos, altura do Monte Cabrão, na Área Continental de Santos. Gabriel retornava do Litoral Norte e dirigia um Fiat Uno Vivace. No local do desastre, ele cruzou a rodovia e invadiu o acostamento da pista de sentido contrário.

Clarindo e mais quatro ciclistas treinavam pedalando pelo acostamento. O grupo fazia um trajeto diário de 120 km, segundo informou um dos atletas. Além da vítima fatal, que morreu de choque traumático e politraumatismo, Alexandre Prado Bérgamo sofreu escoriação na região lateral do braço esquerdo, lesão leve por laudo de exame de corpo de delito.

Jacó Amorim da Silva foi vítima de lesão corporal grave, devido à incapacidade para as atividades habituais por mais de 30 dias e pela debilidade permanente da perna esquerda, “com prejuízo da marcha”, conforme a perícia. O advogado Ziliotti informou que esse ciclista fraturou a tíbia e o fêmur, precisou ser submetido a cirurgias, permaneceu 16 dias hospitalizado e ficou com a locomoção comprometida.

Ao ser interrogado em juízo, Gabriel negou ter dormido ao volante, ingerido bebido alcoólica e trafegado em alta velocidade. Alegou não se lembrar do desastre, porque se deu conta do que aconteceu quando o seu carro já estava no mato, às margens da pista. Por fim, declarou que foi diagnosticado com uma doença que pode ocasionar desmaios.

Os sobreviventes e testemunhas apresentaram versões divergentes da do motorista. Uns disseram que Gabriel cochilou ao volante, enquanto outros afirmaram que ele ultrapassou uma fila de carros e invadiu a contramão por não conseguir retornar à pista pela qual trafegava.

“Ainda que haja divergências quanto à conduta do réu no momento em que antecedeu o acidente, é inconteste que o automóvel por ele conduzido invadiu a contramão de direção, colhendo as vítimas que pedalavam, em grupo, pelo acostamento da pista contrária, restando plenamente demonstrado que o acusado se portou com a culpa que lhe foi imputada (atribuída) na denúncia”, observou a juíza.

A magistrada concluiu que eventuais divergências dos testemunhos “não retiram a credibilidade da prova” e podem ser explicadas pelos diferentes campos de visão dos envolvidos. Sobre a suposta doença que provocaria desmaios no réu, Silvana Borges observou que ele não comprovou a ocorrência de tal sintoma no momento do acidente.

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