Grupo preso após roubo e sequestro em Santos pediu resgate de R$ 15 mil

Mulher levada como refém por bandidos contou em detalhes o crime ocorrido nessa quarta-feira

09/08/2018 - 14:55 - Atualizado em 09/08/2018 - 16:32

Saia usada pela vitima ficou suja de sangue dos bandidos (Foto: Gabriel Oliveira/A Tribuna)

O bando que acabou preso na Avenida Martins Fontes, no Saboó, em Santos, na noite dessa quarta-feira (8), chegou a pedir R$ 15 mil de resgate para a família da aposentada levada como refém em sequestro relâmpago após o assalto no Boqueirão. Em troca de tiros perto do Cemitério da Filosofia, três bandidos foram baleados e presos e outro morreu no local.

Em entrevista para A Tribuna nesta quinta-feira (9), a aposentada, de 61 anos, contou em detalhes como o crime ocorreu. "Foi o pior momento pelo qual eu passei na minha vida toda".

Era por volta das 20h30 quando um dos quatro bandidos envolvidos na ocorrência pulou o muro, invadiu o sobrado da família da aposentada, na Rua Dr. Acácio Nogueira, no Boqueirão, rendeu um dos filhos dela, um médico de 33 anos, e anunciou o assalto. Outros dois criminosos entrariam na residência depois. O quarto indivíduo ficou na rua.

"Estávamos todos reunidos: eu, meu marido, meus filhos e minha nora. Eu subi para tomar banho, mas havia esquecido meu celular aqui embaixo. Quando eu desci, meu filho estava abordado com um bandido com a arma apontada para a cabeça dele", narrou a aposentada sobre o início da ação.

Armados, os assaltantes pediram dinheiro, celulares, carteiras, equipamentos eletrônicos e a chave do carro, um Honda HR-V branco, estacionado em frente à casa. Quando desceu para o térreo, o marido da mulher, um aposentado de 73 anos, também acabou rendido. "O menor meteu o revólver na minha cabeça e disse: 'eu vou te matar, coroa, cadê o dinheiro, o ouro, as joias?' Eu falei que não tínhamos nada disso".

Segundo a aposentada, os bandidos faziam constantes ameaças à família. "Eles estavam muito nervosos, achando que, como não conheciam a casa, alguém poderia acionar a Polícia. Um deles dizia: 'se alguém ligar para a Polícia e eu ver, eu mato todos'".

Quando dois dos criminosos decidiram subir para o 2º andar da casa, onde estavam o outro filho do casal e a namorada dele, o pai da família aproveitou a distração do terceiro bandido para, saindo pela cozinha, ir para os fundos e pular o muro para o prédio vizinho.

"Eu pedi ajuda para o zelador e ele ligou para Polícia", contou. "Eu pensei que, se ficasse aqui parado, eles iriam nos aterrorizar. O muro era alto, não tinha nada para apoiar, eu dei um pulo, porque nessa hora você arranja uma força inimaginável".

Sequestro

Mesmo roubando pertences da família, em uma ação que durou cerca de 15 minutos, os bandidos não se contentaram e levaram a aposentada como refém no HR-V branco do filho.

Passada uma parte do percurso, os bandidos pediram o telefone residencial da casa, conversaram com um dos filhos e anunciaram o sequestro. "Eles falaram inicialmente que queriam R$ 10 mil. Só que depois um deles disse para pedir R$ 15 mil. Estavam cobrando o resgate comigo dentro do carro, não sabendo para onde íamos".

Acionada, a Polícia Militar visualizou o carro em que estavam a aposentada e os bandidos e passou a persegui-lo. "Eles falavam para me matar", relembra a vítima.

Bandidos perderam controle do carro em tiroteio
(Foto: Foto-leitor/via WhatsApp)

Tiroteio

Na perseguição, o bandido que estava dirigindo perdeu o controle do veículo e bateu em outro carro. Foi nesse momento que a PM conseguiu chegar perto e começou a troca de tiros.

Segundo a aposentada, os criminosos é que atiraram primeiro. "Quando viram um monte de policiais, falaram para atirar e 'mandaram brasa'. Foram muitos tiros de dentro do carro. Quando os policiais perceberam, reagiram".

Com o início da troca de tiros, a aposentada se abaixou, colocando a cabeça praticamente embaixo da cadeira do motorista. "Inclusive eu acho que os bandidos pensaram que eu caí porque um tiro teria pegado em mim", disse, contando que ficou com a roupa suja de sangue. Ela, inicialmente, achou que teria sido baleada, mas o sangue era, na verdade, de um dos bandidos que estava do lado dela e que havia sido ferido.

"Foi uma ousadia de atirarem na polícia com revólveres [pequenos] daquele tamanho. Eram uns garotos no meio de profissionais da Polícia. Não se intimidaram, atiraram mesmo", contou.

O carro bateu no muro da Avenida Martins Fontes, com os quatro criminosos sendo baleados pela PM. Um deles morreu no local e os outros três foram socorridos à Santa Casa de Santos.

Passado o susto, a aposentada disse ter sido protegida por um anjo por ter saído ilesa. "Eu tenho uma fortaleza quando me vejo em uma situação de dificuldade. Naqueles momentos de tiro e tudo, eu estava totalmente lúcida. Não entendo, mas em nenhum momento eu achei que iria morrer. Eu tinha uma confiança e uma tranquilidade muito grandes".

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