Fuzil apreendido em Guarujá pode ter sido usado na execução de PM

O cabo José Aldo dos Santos foi alvejado com mais de 70 disparos na manhã de 26 de setembro, no Pae Cará, em Vicente de Carvalho

05/10/2018 - 20:30 - Atualizado em 05/10/2018 - 21:18

Um fuzil norte-americano Colt, do modelo M4 e de calibre 2.23, pode ter sido uma das armas usadas na execução do cabo José Aldo dos Santos, no último dia 26, no Pae Cará, em Vicente de Carvalho. O armamento bélico foi apreendido na casa de um rapaz, no mesmo bairro, às 2h20 desta sexta-feira (5). Nathan Cruz Canha da Silva, de 19 anos, foi preso em flagrante.

O cabo Aldo foi fuzilado no início da manhã, na Rua Maranhão, com cerca de 70 tiros. Ele dirigia um Honda Civic blindado, que não resistiu ao impacto dos disparos. Peritos coletaram no local cartuchos deflagrados dos calibres 7.62 (fuzil automático-leve ou FAL) e 5.56 (compatível com AR-15).

Como a munição 5.56 também pode alimentar fuzil de calibre 2.23, será realizado o confronto balístico entre a arma achada na casa de Nathan e os cartuchos recolhidos no local do assassinato do cabo. A perícia será requerida pelo delegado Luiz Ricardo de Lara Dias Júnior e poderá atestar se o Colt M4 integra o arsenal usado para eliminar Aldo.

Titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Lara é o responsável pelo inquérito que apura a morte do policial militar. Desde o homicídio, foi o primeiro fuzil apreendido na região. Por coincidência, a arma estava escondida no mesmo bairro onde ocorreu a execução do cabo. No último final de semana, PMs já haviam achado uma réplica de fuzil na Favela da Prainha, no Pae Cará.

Fuzil norte-americano Colt, do modelo M4, é compatível com munição encontrada na cena do crime (Divulgação)

Carro furtado

Nathan foi detido por integrantes do 2º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep). Ele estava sozinho na Avenida São Paulo e demonstrou nervosismo ao ver a viatura, motivando a abordagem. No bolso da bermuda do rapaz havia duas munições intactas de fuzil 2.23 e a chave de um carro.

O acusado disse que “achou” os cartuchos de fuzil na rua. Quanto à chave, disse que ela é de um carro guardado na garagem de sua casa, que fica na mesma avenida, a um quarteirão do local da abordagem. No imóvel havia um Fiat Strada Adventure preto, que pôde ser aberto e ligado com a chave encontrada com Nathan.

O automóvel é blindado e ostenta placa falsa do município de Americana (SP). Porém, por meio da pesquisa do chassi, a equipe do Baep apurou que ele é produto de furto, conforme boletim de ocorrência registrado no 16º DP de São Paulo (Vila Clementino), no dia 20 de junho de 2017.

Atrás do banco do carro havia uma mochila contendo o fuzil, mais 23 munições do mesmo calibre 2.23 e quatro lacres intactos de contêineres. Alguns dos cartuchos são traçantes, ou seja, indicados para disparos à noite ou em locais de pouca visibilidade.

Confissão parcial

Ao ser interrogado pelo delegado Thiago Nemi Bonametti, na Delegacia de Guarujá, Nathan alegou ignorar a existência atrás do banco do veículo da mochila com a arma, as munições e os lacres. Ele disse que retornava de uma “festa” quando foi detido pelos PMs e negou portar no bolso da bermuda dois cartuchos de fuzil.

Em relação ao automóvel, o rapaz contou que ele lhe foi entregue há cerca de três semanas por uma mulher, cujo nome não soube informar. De acordo com Nathan, ambos se encontraram em uma festa e ficou combinado que ele ganharia a quantia de R$ 3 mil para guardar o automóvel na sua garagem.

Bonametti autuou Nathan pelo crime de posse ilegal de arma de fogo de uso restrito, que passou a ser considerado hediondo pela Lei nº 13.497/ 2017. O delegado também enquadrou o rapaz pelo delito de receptação, por causa da procedência ilícita do Fiat Strada Adventure. O acusado foi recolhido à cadeia anexa ao 1º DP de Guarujá.

Além de apurar se o fuzil Colt M4 foi utilizado na execução do cabo Aldo, a Polícia Civil também investiga a destinação que seria dada aos lacres. Narcotraficantes internacionais costumam utilizá-los para fechar contêineres que violam para ocultar cocaína no meio de cargas lícitas.

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